Romance será relançado nacionalmente na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 12 de setembro, às 14h

Em 2013, meu livro de estreia chegou às livrarias: Filhos do Fim do Mundo. Fruto de muito trabalho, acertos, erros, memórias e expectativas, o romance marcou o mercado e mudou minha vida. Treze anos depois, sai a segunda edição. Como digo na nota à edição, tudo mudou, especialmente eu. O livro também passou por algumas transformações e gostaria de falar sobre elas neste texto.

Primeiro, uma impressão. Foi muito estranho retornar ao texto de Filhos do Fim do Mundo depois de tanto tempo. Em alguns momentos, nem me reconhecia como autor; em outros, queria voltar no tempo e puxar minha orelha. Queria tanto que considerei reescrever o livro todo. Um remake completo. Logo eu, avesso a remakes cinematográficos, pensei em reconstruir minha estreia como autor.

Mas desisti logo em seguida: refazer seria injusto com o autor que fui, com quem eu era. Resolvi preservar essas duas coisas: a identidade e a qualidade como escritor. De certa forma, é uma peça histórica e deveria ser tratada como tal.

Mesmo assim, não resisti a algumas mudanças. A maior delas é o prólogo. Sai a delegacia, entra uma mãe solo dirigindo desesperadamente para chegar ao hospital mais próximo. Deixei a delegacia de polícia como elemento exclusivo do curta-metragem que levou tantas pessoas a lerem o livro.

Concluí que o livro precisava de algo mais cru, mais sensível, mais relacionável. O novo prólogo nos leva a uma jornada até a descoberta das primeiras mortes. Em vez de simplesmente informar o leitor, a gente chega lá juntos. “Ah, mas esse não é o trabalho do escritor?” Sim. Hoje, 13 anos depois, muitas coisas fazem mais sentido e a experiência faz a diferença. Espero que gostem da novidade!

Prefácio

Outra mudança é uma das que me deixam mais orgulhoso. O prefácio é assinado pelo meu ídolo da ficção e da fantasia nacional: Gerson Lodi-Ribeiro, autor de Outros Brasis e tantos outros. Ele agraciou Filhos do Fim do Mundo com um texto de quem viveu o momento da publicação e compreendeu minhas intenções. É uma honra sem tamanho ver nossos nomes numa mesma publicação, ainda mais numa tão relevante e marcante para mim. Obrigado, Gerson!

Falando mais em termos de qualidade, o livro recebeu uma nova capa feita por Johnny Bijos, o mesmo capista fantástico de Snowglobe. Foi um longo trabalho a quatro mãos para buscarmos um conceito que sempre tive em mente, mas que foi descartado na versão original. Já que o texto é o preferido pelo autor, a capa também precisava refletir isso e trazer algo novo, algo mais primitivo, um sentimento. A ausência das crianças, do futuro. A rua vazia da primeira edição nunca me passou isso. Então, nesta edição que, para muitos, será de colecionador, seguimos outro rumo. As vendas no evento de relançamento deixaram uma coisa muito clara: foi a decisão certa.

Aliás, é impressionante notar que a sinopse de Filhos do Fim do Mundo ainda chama muito a atenção e engaja as pessoas. É um conceito poderoso. A perda. A falta de um futuro se relaciona a praticamente todas as idades e estilos.

Novas engrenagens

Também fizemos uma nova revisão: alinhei alguns erros de continuidade e fiz outros ajustes. E agora a obra realmente está em seu melhor formato. Feita sem pressa, com profissionalismo e cuidado. A Camila Villalba fez um trabalho primoroso e ele se reflete na própria história, que ganhou em qualidade.

Agora, o ajuste mais transformador ocorreu com o nosso casal de protagonistas. Por falta de visão minha e muita falta de aviso durante o processo, chamar a companheira do Repórter de “Esposa” a limitava como personagem e dava apenas a função de gestora, de pessoa a ser protegida. Mesmo em 2013, isso já havia mudado. O papel das mulheres havia evoluído e, como meu foco estava no Repórter, tudo e todos eram secundários. Inclusive ela. Por isso, na edição definitiva, ela passa a ser chamada de Bióloga.

Foi uma mudança que me fez sentir bem. Uma mudança justa, necessária.

A Editora

Obviamente, a editora também mudou. Depois de muita conversa e insistência do Artur Vecchi, Filhos do Fim do Mundo agora integra o catálogo da AVEC Editora. Longe dos holofotes como na primeira vez, o relançamento foi feito com foco na longevidade de catálogo e na honestidade do processo.

O simples fato de saber que o livro voltou ao mercado já é libertador e tenho muito a agradecer à AVEC por isso. Desde o lançamento em Brasília, no dia 22 de agosto, ter voltado a falar com leitores, apresentar a obra com um espírito renovado e uma nova paixão já valeu cada segundo.

E, por fim, Filhos do Fim do Mundo também está disponível em e-book pela primeira vez.

Tudo isso para dizer que estou de volta ao mercado, estou escrevendo novamente e estou muito empolgado com as perspectivas! Vem comigo nessa jornada? Se estiver em São Paulo ou com planos de ir à Bienal, o primeiro passo é aparecer lá no dia 12 de setembro, sábado, às 14h e me dar um abraço!

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Fábio M. Barreto

Fábio M. Barreto novelista de ficção, roteirista e diretor de cinema e TV. Atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e da plataforma EscrevaSuaHistoria.net.
Atualmente, vive em Brasília com a família.

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