por Igor Oliveira, Especial para o SOS Hollywood

Fiquei bem animado quando começaram a circular na Internet as primeiras notícias de que o Daft Punk seria o responsável pela trilha sonora do novo Tron. Os teasers, trailers e o vídeo do single “Derezzed” não deixaram dúvida: ao menos no campo musical Tron: O Legado seria uma experiência memorável.

Só para situar os leitores que não acompanham a música eletrônica de perto é importante lembrarmos que o Daft Punk, apesar de estar estreando na composição de uma trilha sonora para longa-metragem, não é exatamente um iniciante no campo da música como pano de fundo para uma peça visual. Em 2003 o duo francês lançou a animação Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, em parceria com o artista de mangás Leiji Matsumoto, um herói de infância da dupla. Matsumoto é o criador de muitos mangás de sucesso nos anos 70, e alguns deles, como Captain Harlock e Galaxy Express 999, viraram animações que os dois músicos acompanhavam religiosamente quando crianças. Interstella 5555 conta a história de uma banda pop interplanetária que é raptada por um ambicioso empresário que deseja explorar seu sucesso na Terra. Serviu de trilha sonora o álbum Discovery, lançado pelo Daft Punk dois anos antes.

A colaboração em Tron: O Legado teve início em uma manhã de Novembro de 2007, quando o diretor do longa, Joseph Kosinski, encontrou os músicos Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo em um café em Hollywood. Kosinski conta, em nota no encarte do CD da trilha, que ficou impressionado com o significado praticamente sagrado que o Tron original têm para a dupla. A possibilidade de o Daft Punk fazer parte de um universo que influenciara diretamente seu conceito artístico deixou o diretor entusiasmadíssimo, e o trabalho começou.

As filmagens ocorreram paralelamente às gravações, o que permitiu uma colaboração ativa e extremamente produtiva de uma mídia com a outra. O supervisor musical da trilha, Jason Bentley, trabalhara na trilogia Matrix e tem experiência considerável com música para propagandas e videogames, o que também ajudou. Particularmente curioso é o fato de que a música de Tron: O Legado, apesar de ter nascido em computadores, atravessou a fronteira dos zeros e uns e foi parar na orquestral convencional. Alguns momentos marcantes são amparados por solenes e imponentes temas orquestrais, executados pela London Orchestra com regência do maestro Gavin Greenaway, enquanto as cenas de ação estão ancoradas na batida eletrônica. O single “Derezzed” já deve estar freqüentando as pistas de dança de todo o mundo, e com certeza na minha próxima incursão como DJ amador não vai faltar.

Nos últimos tempos revi o Tron original e ouvi bastante a trilha de Wendy Carlos para conter a ansiedade enquanto o novo filme não vinha. A trilha de Wendy, o polêmico travesti que um dia fora Walter e também é o responsável por nada menos que a trilha sonora de Laranja Mecânica, é belíssima e coerente com o filme de 1982. Assim o é, da mesma forma, a trilha do Daft Punk em 2010. O Master Control e Clu são vilões de naturezas distintas, e as duas peças musicais foram compostas precisamente conforme a característica e a motivação de cada um desses personagens, que determinam
para onde vai cada uma das duas histórias. A vantagem que o Daft acabou levando é foi a de terem passado de usuários do sistema a integrantes. É o próprio duo que a parece em uma das cenas do filme mandando ver nas pick ups.

Se andam afirmando por aí que Tron: O Legado é 50% visual, pode adicionar aí pelo menos uns 30% de contribuição para a música. E não se incomode com o fato de que só sobraram 20% para roteiro, diálogos, etc. No mundo contemporâneo dos videoclipes isso pode não ser necessariamente ruim. Veja, ouça, divirta-se e ponto final.

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Fábio M. Barreto

Fábio M. Barreto novelista de ficção, roteirista e diretor de cinema e TV. Atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e da plataforma EscrevaSuaHistoria.net.
Atualmente, vive em Brasília com a família.

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6 Comments

  1. Mesmo que algumas composições lembrem muito as de A ORIGEM (algumas tendem à cópia!), a música de TRON: O LEGADO é o melhor que o filme tem a oferecer, junto à direção de arte. Já devo ter ouvido todo o CD mais de 4 vezes.

  2. Passei o último mês ouvindo a trilha de Tron Legacy, e isso só aumentou minha expectativa para o filme. Um dos melhores ‘casamentos’ entre trilha e filme que já presenciei.

    Procurando na internet descobri que o Interstella 5555 está disponível gratuitamente na internet, por streaming, pelo Google Videos. Deixo aqui o link pra todos curtirem mais o som desses caras que são incríveis! >> http://video.google.com/videoplay?docid=5585590460724266855

  3. Eu diria que o sucesso de TRON: Legacy é 50% devido à trilha sonora, e 40% ao seu visual.

    Acho que se o filme não tivesse a trilha sonora que teve, ele não me cativaria como cativou.

  4. Eu não sou fã de música eletrônica, mas essa trilha sonora do Daft Punk é extraordinária.

  5. Daft Punk falar que eles são fodões é chover no molhado, nao tem nem o que dizer.

  6. Vi o filme hoje e achei a trilha impressionante mesmo não gostando muito de eletrônica. O roteiro estava em falta mas os visuais alucinantes e a música muitíssimo bem composta se combinaram perfeitamente

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