[Literatura] O Bardo

Hoje é Saint Patrick’s Day, ou Dia de São Patrício, um dos feriados mais importantes da Irlanda. Que também poderia ser chamado de Dia Internacional para Beber Guinness! Como apaixonado pela Ilha Esmeralda e seguidor de suas tradições, compartilho contigo um texto muito importante na minha vida. Algo escrito por pura inspiração, que, sem eu saber, foi traduzido e utilizado em diversas manifestações anti-violência no Norte da Irlanda (não na Irlanda do Norte) há alguns anos. Só me avisaram quando a Druidesa-mór da Irlanda, Emma Restall-Orr foi ao Brasil. Enfim, momento importante. E hoje é dia! Go Paddys!

O Bardo

O coração do Bardo respondia a um chamado.
Nas distantes terras do Ulster sua habilidade era requisitada.
Sua razão era desconhecida, mas ao Bardo só restava iniciar sua jornada.
Caminhou então, em direção ao norte, seguindo o desejo de seu coração desesperado.

Guerra e tristeza foi o que encontrou,
Pois o coração dos homens clamava por luta e vingança.
E o sangue continuava a jorrar frente a tamanha matança.
Ao chegar, depois de muito pesar, o Bardo não acreditou.

Seu coração o alertou sobre o fim de seu caminho.
Nem jovem, nem velho. Nem homem, nem mulher escapava da guerra.
Para ele era claro que era chegado o fim de uma era,
Mas só o que fez foi pensar em todos com carinho.

Sentou-se numa pedra e começou a tocar e cantar,
Ao fundo ouvia-se apenas as espadas e lanças a ecoar.
Sua música aumentou e com ela as batidas de seu coração.
Atingidos por tão sincera melodia, espada e lança baixaram perante a canção.

Depois de muito tempo, o ardor das armas perdeu seu poder,
E as palavras do Bardo superavam o mais hábil dos guerreiros.
Todos caíram como que por um feitiço que parecia nunca esmorecer.
Sua canção aumentava cada vez mais,
Mas apenas para encontrar mais e mais lugares em que ela tivesse significado.

E, bravamente, o Bardo entoava suas histórias e instaurava a paz.
Do interior do que seria a última chacina veio a Luz.
Dentro de um belo vestido azul estava a imagem capaz de esmorecer o ímpeto do rapaz,
Mas nem mesmo essa visão o fez desistir de sua missão.
De ao outros mostrar a compaixão mesmo que para isso perdesse seu coração.

E assim foi até que a última das batalhas tivesse acabado.
E seu valente coração o abandonado.
Lá deitou o Bardo, nos braços daquela que o convocara,
Para que de suas palavras surgisse um novo começo.

por Fábio M. Barreto /|

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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4 comentários sobre “[Literatura] O Bardo

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