[Literatura] 34

Enquanto todo mundo brinca no Dia da Mentira, as piadas nunca tiveram muita graça na família, pois, foi num desses que meu avô, André Madrigal, morreu. Jovem, pai de três filhas pequenas e avô de seis netos que nunca conheceria. O mais irônico disso tudo foi quando a família ligou para amigos e parentes para avisar do acidente e, claro, ninguém acreditou. Em 2004, escrevi um pequeno poema para minha avó, minha mãe e minha tia. Uma homenagem simples e sincera. Cheguei a fazer um quadro para minha agora saudosa vó. Ela chorou, eu também. Significou muito para a gente. Enfim, aí vai o poema. É pequeno, cheio de piadas internas, mas conta sua história.

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Uma pequena foto foi o que p&b restou,
De sua passagem por aqui.
Não te conheci,
Só aqueles a quem amou.

Sempre imagino as gargalhadas.
E também as palhaçadas
Que teríamos vivido juntos
Pelas cercanias deste mundo.

Perguntei o que fizeste.
Descobri um pouco de quem foste.
Chorei e saí correndo.
Senti orgulho te imaginei sorrindo.

Num dia de poucas verdades
Teus amigos souberam de tua partida.
No mesmo dia em época diferente,
Tua família te lembra com saudades.
34 anos se passaram.
Duas vezes 34 podem passar.
E continuaremos a lembrar.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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3 comentários sobre “[Literatura] 34

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