Como escrever um livro?

Uma das perguntas mais recorrentes que recebo desde que iniciei o “Escreva Sua História”, o “C.O.N.T.E. – Curso Online de Técnicas para Escritores” e o podcast “Gente Que Escreve” é a seguinte: Como escrever um livro?

No começo, fiquei surpreso com isso, pois, sempre imaginei que todo interessado na arte tivesse uma noção do processo editorial, das práticas de redação e do trabalho do escritor ao longo dessa jornada. Mas essa era a visão de alguém que cresceu nesse meio e, de certo modo, sempre teve interesse no mundo literário, logo, o que era meio lugar comum para mim, não se aplica a quem convive com outros meios e compartilha da mesma paixão que eu. Durante o contato com os escritores iniciantes, comecei a compreender a razão dessa falta de comunicação e carência conceitual. A resposta é tão óbvia quanto assustadora: nenhum currículo de ensino médio e pouquíssimos do ensino universitário falam sobre este aspecto da literatura de forma aprofundada. Ou seja, como esperar que alguém interessado em escrever dê os primeiros passos de forma certa se a única saída é garimpar a informação por conta própria, correndo o risco de dar de cara com vídeos e textos de gente, às vezes, tão inexperiente quanto a pessoa que busca a informação?

Curiosamente, a tríade educativa que criei no ano passado (cursos e podcast) foi criada com essa suspeita e ela se confirmou, infelizmente. Pensando nisso, a programação do Escreva Sua História em 2016 começa justamente com o básico e responde à pergunta: Como escrever um livro?

Ideia

Nenhum livro existe sem uma ideia, um conceito, uma demanda. Há uma séries de formas e maneiras para se encontrar ideias, afinal, cada escritor tem uma característica diferente e nem todo mundo é um poço de ideias malucas. A ideia, em muitos casos, nasce da observação, de algo que só o escritor viu/notou/percebeu/sentiu sobre um determinado assunto. Ela costuma nascer daquele jeito empolgante, cheio de maravilhas e com purpurina por todos os lados e você pensa: é isso! É o meu (insira aqui seu livro de sucesso favorito)! Entretanto, a ideia em si é, ao mesmo tempo, uma benção e uma maldição. Muitas delas não resistem à exploração mais profunda; muitas delas se tornam tolas e desinteressantes; muitas delas não rendem um livro. Por outro lado, algumas delas são tão ambiciosas, complexas e gigantescas que você precisaria de dez clones para terminar o primeiro capítulo, ou são tão transformadoras que, talvez, você ainda não esteja maduro o suficiente (pessoal ou profissionalmente) para trabalhar nela agora.

O primeiro passo é identificar a melhor ideia. Qual é a mais atual, necessária e empolgante? Só você pode fazer essa escolha. Outras pessoas vão dizer o que faz isso por elas, mas quem vai escrever é você, certo? Então, responda a essa pergunta. Faça sua escolha.

Leia muito

Sim!

Gramática

Você precisa ser um professor de português para escrever um livro? Não. Saber todas as regras? Não. Mas saber gramática o suficiente é obrigatório para qualquer escritor. E o que significa “o suficiente”: conjugação, concordância verbal, pontuação e, pelo menos, o domínio de uma pessoa narrativa (que, normalmente, é a primeira “minhas lágrimas ainda escorrem desde a morte da minha querida avó’ ou a terceira pessoa limitada “as lágrimas de Claudia ainda escorriam desde a morte da avó querida”). Por mais que editores, revisores e leitores críticos vão participar do processo editorial, tudo começa com uma base sólida e bacana, ou seja, se você escrever mal, as chances de publicação por uma editora séria são praticamente nulas. E não leve o padrão de qualidade inexistente da internet e plataformas como Wattpad, Widbook e até mesmo a Amazon KDP, como guia profissional. Não é por que fulano teve milhares de leitores num livro cheio de erros gritantes, ideias desconexas e com todas as vírgulas no lugar errado que você pode considerar fazer o mesmo. Você quer ser escritor? Então aprenda a escrever! Começando por e-mails, posts nas redes sociais e, bem, qualquer coisa que você quiser escrever.

Isso não quer dizer que você precise escrever como Machado de Assis ou algum medalhão clássico. Você pode, e DEVE, ter a sua voz. Mas ela tem que ser clara, objetiva e escrita de modo que qualquer leitor possa escutar o que você tem a dizer, do modo que você imaginou.

Acha exagero? Bem, imagine que você contrata um pedreiro e quando ele termina de construir a sua casa, todas as paredes estão tortas, ou desmoronando, não há janelas, o banheiro está no meio da cozinha e o ele colocou os azulejos no telhado. “Ah, pode ser artístico”. Não, o trabalho do pedreiro é construir a casa de acordo com a planta. Se ele fez tudo errado, ele não é um bom pedreiro. Logo, o trabalho do escritor é contar a história. E as palavras, regras gramaticais e respeito ao idioma são as ferramentas de trabalho. Use-as corretamente. E, mesmo o escritor que quer fazer arte, desconstruir a literatura, mudar as peças de lugar, provocar, incomodar e etc, faz isso escrevendo direito. Erro gramatical não é arte, não é liberdade, não é se expressar. Erro gramatical sempre vai ser erro. A única exceção aceitável é a do uso do erro como indicativo de falta de cultura em terminado personagem ou característica regional do narrador. Mesmo assim, são erros controlados e não frutos do desconhecimento do autor.

Definições de Livro

Livro é qualquer conjunto de ideias narrativas, ligadas ou não por uma mesma temática, que transmita informação. Ele pode ter caráter verídico (relatos históricos, reportagens, biografias, estudos de episódios, tendências e teorias, etc) ou ficcional (narrativas inventadas por mentes criativas).

Como nosso foco é a narrativa, vamos falar sobre esse tipo de livro.

O livro narrativo é composto pelos seguintes elementos:

História – sequência de acontecimentos, descrições, ações e pensamentos que retratam a trajetória de um personagem, ou grupo de personagens, ao longo de uma jornada pré-determinada. Por exemplo, O Código Da Vince leva Robert Langdon de uma cena do crime em Paris até a descoberta do segredo do mistério do Códex.

walkingdead

Personagens – são os habitantes dessas histórias. Eles afetam, são afetados, participam e observam os acontecimentos desses mundos fictícios. Eles são a razão para as histórias serem contadas. São os personagens que criam empatia com o leitor, são eles que marcam com seus diálogos emocionantes e inseridos na hora certa. Sem os personagens – que às vezes podem se resumir a um narrador e suas memórias – histórias seriam apenas exercícios verborrágicos repletos de conceitos e ideias jogadas na esperança de fazer algum sentido na cabeça do leitor (novamente, estamos falando de Ficção; livros com pensatas, teorias e outras elocubrações teóricas têm seu lugar, mas não é aqui). Um livro de Ficção conta uma história inventada, povoada por personagens interessantes e navega por um tema – ou vários deles.

Temas – É comum encontrar romances e filmes criados com base em um tema central, que por sua vez, gera alguns subtemas de acordo com o escopo da história. Amor, Redenção, Sacrifício, Justiça, Ódio, Maldade, Bondade e Sanidade são os mais comuns. Os escritores mais hábeis encontram maneiras de debater tais temas sem serem óbvios e desinteressantes. A discussão sobre o Amor, por exemplo, vai muito além de casais apaixonados, ou não. É preciso saber que tipo de debate a sua história necessita para transmitir a sua mensagem efetivamente. Esse Amor vai surgir de uma admiração à distância? Da paixão por um filme ou livro? Do companheirismo de um animal de estimação? Da saudade de alguém que já se foi? Cada história tem o seu jeito de apresentar cada tema. Encontre o seu.

Locações – na maioria dos casos, histórias de Ficção dependem de locações. Que seja um quarto assombrado, de onde o personagem não consegue sair nunca, ou um mundo vasto, complexo e cheio de detalhes como a Terra-Média de Tolkien ou a Gothan City do Batman, essas locações, ou cenários, situam o personagem e dão validade à história. Alguém que luta contra o crime numa cidade sem crime não seria lá essas coisas, certo? Logo, o personagem precisa estar no lugar certo para que sua demanda seja válida, interessante e atraia a atenção do autor.

Protagonista(s) – O personagem principal, ou um grupo deles, que conduz a narrativa. Pode ser bom ou mau.

Antagonista(s) – Um personagem, ou um grupo deles, que se opõe ao seu protagonista, seja de forma declarada e ativa como um vilão clássico, ou velada e surpreendente como um membro da família que manipulava todos os acontecimentos à sua volta para realizar seus próprios sonhos. Pode ser bom ou mau.

Importante sobre Personagens: Atualmente, muitos autores têm optado pelo meio-termo, com personagens nem tão bons e nem tão maus, com o intuito de trazer realismo e evitar a dicotomia da narrativa clássica do Mocinho x Bandido.

Capítulos / Partes

Romances são formados por vários capítulos – ou partes – sequenciais, ou não, que narram os eventos da história. Pelo menos, no capítulo/parte em si, espera-se alguma coerência, mesmo que, no todo, estejam propositalmente embaralhados, por exemplo. No formato mais tradicional, cada romance avança a história de forma linear, vai construindo a partir do capítulo anterior e aumenta a tensão até a chegada ao climax narrativo.

Cenas

Cada capítulo é composto por dezenas, ou centenas, de cenas. O tamanho varia de acordo com a história em questão. Cenas podem ser compostas exclusivamente por diálogos, narrações ou descrições, ou misturas heterogêneas destes três elementos. Não existe limite máximo ou mínimo do tamanho de uma cena, nem de capítulos. Entretanto, recomenda-se encontrar o “tamanho certo”, ou seja, não deixar o trecho muito curto ou muito longo. Se ficar muito curto, o leitor pode ficar frustrado, pois esperava mais. Se ficar muito longo, o leitor fica aborrecido e começa a considerar ler outra coisa. O trabalho do autor é lapidar a história até contar apenas o necessário de acordo com o ritmo da história.

Diálogos

Diálogos são conversas, discussões, bate-papo entre os personagens. Embora possam parecer triviais e pouco problemáticos, diálogos merecem toda a atenção do descritor, pois eles são a principal manifestação da voz do personagem. Por mais que os pensamentos e mergulhos na índole do personagem, normalmente narrados na primeira pessoa ou confidenciados via narrador, sejam janelas para a mente do indivíduo, quando ele fala, tudo que foi pensado ou imaginado precisa se manifestar. Quando o personagem abre a boca, ele se revela, ele mostra como quer que o mundo o veja – mesmo quando age em total contradição com suas crenças – e projeta uma imagem. Que imagem é essa? É trabalho do escritor descobrir. Você inventou esse cara, então, descubra quem ele é e como, e por que, ele se comunica de tal modo específico.

Abaixo um exemplo diálogo:

“De novo, Claudinho?”, perguntou Tereza, com total desinteresse. Ela segurava uma toalha de banho marrom encharcada no meio da cozinha.
“Ihh, Morzão. Eu nem…”, tentou responder.
“Eu nem… certo, certo. Custa pendurar a maldita toalha no banheiro?!”, disse. A voz era distante, quase apática.
“Prometo que não deixo mais, tá Morzão?”, ele disse, terminando de checar o Facebook e saindo para trabalhar.
E não deixaria mais. Quando voltou do trabalho, tarde da noite, encontrou apenas um bilhete colado na porta da geladeira. “Você me perdeu e nem percebeu”.
Tereza pediu o divórcio na manhã seguinte.

Claudinho está apático no relacionamento, acha que está tudo bem e vive dentro da própria bolha de ilusão. Tereza não se vê na relação há tempos, mas ainda atura no automático. Esse casal não é mais um casal. São apenas a conveniência. O diálogo mostra essa falta de sincronia e inabilidade dele perceber que a esposa nem se dá mais ao trabalho de gritar ou chamar a atenção. Ela entendeu o recado, percebeu que não é mais importante e seguiu a vida dela. Provavelmente, se não tivesse deixado o bilhete, ele nem perceberia o que aconteceu.

Narração

Alguém precisa contar a história. As vozes mais recorrentes são: primeira pessoa (o narrador conta sua visão pessoal do fato, limitando-se a seus próprios pensamentos, experiências e aprendizados) e a terceira pessoa limitada (alguém relata o que aconteceu na vida de uma série de personagens e lugares, com conhecimento total do que se passa nas mentes e nas vidas dos envolvidos. A voz do narrador é uma das mais fundamentais, pois ele define qual tipo de livro o leitor vai encontrar. O narrador pode ser sincero e honesto, pode ser engraçadinho e libertino, pode ser maldoso e provocador, ou pode até ser um mentiroso descarado. Mas o importante é que ele seja constante em sua proposta. O narrador não pode ser bem versado nas palavras e destemido num capítulo, depois falar em enigmas como o Mestre Yoda e ter medo da sombra no seguinte. O narrador, habitualmente, é uma constante, pois quem muda são os personagens. Se o narrador é o personagem, as mudanças tem que acontecer baseadas nas experiências dele e, assim como na vida, isso acontece de forma gradativa e justificável. Se é aceitável ou não, é outra história.

Exemplo:

“A Scopuli fora capturada oito dias atrás e, finalmente, Julie Mao estava pronta para levar um tiro.
Ela precisou daqueles oito dias trancada num compartimento de carga para ela chegar naquele ponto. Nos dois primeiros dias, ela ficou imóvel, certa de que os homens armados que a colocaram ali estavam falando sério. Nas primeiras horas, a nave para onde fora levada estava inerte, então ela flutuou no compartimento, usando leves toques para não bater contra as paredes ou o traje atmosférico com o qual dividia o espaço. Quando a nave começou a se mover, e a aceleração devolveu-lhe a sensação de peso, ela ficou de pé – em silêncio – até as pernas sentirem câimbras, então, sentou-se vagarosamente em posição fetal.
Ela mijou dentro do traje espacial que vestia, sem dar muita bola para a coceira provocada pela umidade morna, ou para o cheiro, preocupando-se apenas com a possibilidade de escorregar e cair na poça criada no chão. Ela não faria nenhum pio. Eles atirariam nela.”
– trecho de Leviathan Wakes, de James S. A. Corey.

Essa narração foi feita em Terceira Pessoa Limitada; um ponto de vista neutro, quase jornalístico, narra um fato acontecido com outra pessoa.

Exemplo 2:

“Todo mundo com mais de quarenta tem uma história para contar sobre o dia do anúncio da Viagem no Tempo. Foi um daqueles eventos irreversíveis na evolução da Humanidade; todo mundo foi afetado de algum modo e o planeta assistiu – em tempo real – aos desdobramentos da grande descoberta. Porém, quando tudo aconteceu, cinco pessoas sabiam que havia algo muito errado com tudo aquilo.
Eu era uma delas.
Como, agora, nada mais pode alterar o plano, decidi contar a história de como matei uma dessas pessoas, perdi as duas que me importavam e, acima de tudo, de como conheci o quinto indivíduo da lista. E das descobertas desconcertantes provenientes desse encontro.
Entre todas as histórias sobre a Viagem do Tempo contadas por aí, a minha é a única realmente importante, pois, se sobrevivermos, ela nos garantiu um futuro.”
– trecho de Snowglobe, de Fábio M. Barreto.

Esta narração foi feita em Primeira Pessoa, sob o ponto de vista do protagonista, logo, ele só tem acesso àquilo que ele viveu ou descobriu depois.

Leia um bocado a mais

Né?

Descrições

Quando escrevemos, é como se fizéssemos um filme com orçamento infinito. Vale tudo, não há limites, então você pode colocar um exército lutando no topo de um vulcão em erupção e uma espaçonave chegando para salvar o dia, enquanto o planeta é sugado por um imenso buraco negro. Logo, o leitor também precisa entender onde a narrativa acontece, geograficamente, e como é o visual da história. O que os personagens vestem – e que os fazem únicos; concentre-se apenas no diferencial! –, como se parecem, como interagem com a tecnologia – ou a ausência dela – à volta deles, como é esse mundo, quais as sensações, os aromas, os estímulos, os detalhes que fazem de todo o visual ser algo digno de nota. Muita gente entende isso como uma necessidade para o detalhamento de absolutamente tudo que o personagem vê, veste, come, sente ou imagina. Bem, na maioria dos casos, isso fica muito chato, assim como aquela chamada “lista de supermercado” utilizada por muitos iniciantes para descrever um personagem: “Ele tinha olhos castanhos claros, pele queimada pelo frio, usava calça jeans azul, bota preta, camisa xadrez vermelha e preta, um óculos marrom de armação grossa, cabelo bagunçado, nariz meio torto e um sorriso tímido”. Quando fazemos isso, a história para até que a lista de pré-requisitos seja concluída e, por vezes, ela fica tão longa que desestimula. Do exemplo anterior, podemos imaginar a seguinte alternativa: “Era como se um lenhador nerd e metido a pugilista – afinal, aquele nariz torto tinha sido quebrado por um soco bem dado – tivesse entrado na sala. Tudo perdeu a importância quando ela viu aqueles olhos castanhos e o sorriso que a fazia ter vontade de apenas uma coisa: cuidar dele; fazê-lo feliz.”. A imagem depende mais das referências, porém, está escrita de uma forma muito mais interessante e sem quebrar o ritmo da história. O mesmo vale para cenários, elementos inanimados ou outros trechos merecedores de menção no livro.

Conflito

Toda Ficção narrativa precisa de um conflito: o que o protagonista quer/precisa/deve fazer. Muitos livros de iniciantes carecem desse conflito e o resultado são personagens sem propósito, histórias sem rumo e, no final, o leitor não sai satisfeito, pois ele não compreendeu o objetivo da história, não tirou nenhum proveito para si – afinal de contas, se o personagem não evolui, o leitor provavelmente continuará o mesmo depois que terminar de ler – e terá uma opinião negativa sobre o texto. Ou, pior ainda, vai simplesmente ignorar e esquecer. Esse é pior destino de um livro: ser esquecível.

Writing4

Narrativa

A narrativa tradicional segue a estrutura grega dos três atos: Apresentação – Desenvolvimento – Conclusão.

Todo mundo conhece por outro nome: Começo, Meio e Fim.

Sim, histórias precisam chegar a algum lugar, precisam encerrar um ciclo iniciado pela proposta da obra. Não tenha medo de seguir esta estrutura, ou de considerá-la arcaica ou clichê. Ela funciona. Nossas vidas acontecem em três atos: Nascimento – Vida – Morte. É uma tríade potente, com a qual qualquer pessoa pode se relacionar e entender o que está acontecendo. Esse é o caminho mais seguro para um escritor de primeira viagem: fazer o arroz com feijão, o básico.

Algo básico não é sinônimo de pobreza literária. Histórias muito simples rendem livros e filmes fantásticos, tudo depende do autor. Tudo depende de você. Então, por que passar meses ou anos tentando revolucionar a literatura, se você ainda não arriscou escrever algo simples e efetivo? Na maioria das vezes, precisamos provar a nós mesmos que podemos. A narrativa clássica ajuda muito nesse sentido.

Apresentação: você introduz seus personagens e deixa claro para o leitor sobre o que a história vai tratar.

Desenvolvimento: as cenas vão conduzir os personagens ao longo do problema proposto, colocando obstáculos no caminho, reforçando a necessidade da missão/demanda, transformando os personagens em pessoas relacionáveis (positiva ou negativamente), criando o ritmo e a tensão do clímax.

Conclusão: quase todas as pontas se fecham, personagens confrontam seus medos, inimigos ou situações que requerem sua interferência direta, colocam tudo que aprenderam/viveram durante o Desenvolvimento à prova para superar o problema apresentado na Apresentação. É o final da história. O clímax, ponto no qual as coisas acontecem e o leitor PRECISA se sentir satisfeito, transformado ou provocado. Caso contrário, a história pode dar a impressão de ter acabado antes da hora ou de modo forçado.

Redação com Foco

Escreva, escreva, reescreva, reescreva mais ainda, edite, edite e contrate um Leitor Crítico ou Editor Freelancer. Mostre para beta-readers (pessoas, normalmente amigos ou membros da família, que darão a opinião), e reescreva novamente baseado em tudo que você aprendeu no processo. Mas escreva ATÉ O FINAL! Histórias sem fim não tem futuro.

Afinal, como escrever um livro?

Misture tudo isso e conte sua história. Não importa o estilo, o cenário ou os personagens, bem lá no fundo, somos contadores de histórias. Então, conte a sua! =D

Um bom livro é só isso? Não, mas já é um ótimo ponto de partida!

==

Este texto faz parte do conteúdo do curso Escreva Sua História. Para se inscrever gratuitamente, clique aqui.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast “Gente Que Escreve” e dos cursos “Escreva Sua História” e “C.O.N.T.E. – Curso Online de Técnicas para Escritores”.

    Saiba mais sobre mim:
  • facebook
  • googleplus
  • linkedin
  • twitter
  • youtube

27 comentários sobre “Como escrever um livro?

  1. Fabião, encontrar o Gente que Escreve e o Escreva sua História foi uma luz pra mim! Despertei de um sono prifundo, mas ainda estou naquela fase em que a grande quantidade de luz em olhos que ficaram fechados por muito tempo acaba nos deixando cegos. Tive muitas ideias, mas as desenvolvi pouco. Preciso focar um pouco mais. Mas pelo menos já comecei. Algumas estão no http://www.manifestoirracional.blogspot.com.br
    Obrigado!
    Ah, sem esquecer do parceiro Rob “Robin” Gordon e de suas “crônicas paulistanas” no championship chronicles e no championship vinyl! Ótimos!

  2. Barreto, Barreto, cada vez mais você me motiva com seus ensinamentos, este ano é de muita importância para mim, resolvi encarar novamente a arte da escrita e tentar uma nova abordagem em minhas histórias, essas dicas apenas ajudam e motivam mais ainda. Só tenho a agradecer referente a experiência que você já teve e que tão sabiamente compartilha conosco.
    Espero um dia chegar a este nível de experiência e influência de milhares de pessoas e disseminar esta arte que amedronta tanta gente.

    Abraços.

  3. Olá, Fábio! Obrigada por tudo que você tem disponibilizado para quem tem interesse em escrever livros!
    Eu finalizei um romance e pedi para alguns amigos lerem. Tenho recebido retornos excelentes, com críticas bem construtivas, que estão me ajudando na revisão do livro.
    Queria sua opinião quanto a uma das observações: eu nomeei os capítulos do livro somente com números: Capítulo 1, Capítulo 2 etc. Uma pessoa me falou que seria mais interessante se cada capítulo tivesse um título. Já outra pessoa sugeriu que eu não colocasse título nem numeração; ou seja, simplesmente fizesse uma quebra de página pra mostrar ao leitor que há uma mudança de capítulo ali.
    Qual é a sua opinião sobre isso?

    1. Oi Mônica, tudo bem?

      Quem vai decidir isso é o editor. Nesse momento, não faz muita diferença. Grandes clássicos usam “Um, Dois, Capítulo 1″… outros dão títulos. Então, depende do que fizer mais sentido para VOCÊ agora. O Editor pode querer mudar depois. Não gaste muito tempo pensando nisso como um problema, tá?

  4. Excelente texto Barreto.

    Consegui tirar uma duvida que eu tinha pra iniciar o meu livro, que era fazer uma narrativa em 1º ou 3º pessoa, para o meu objetivo acho que escrever em 3º é melhor.

    Uma coisa que ainda não li/ouvi/vi nos materiais que você produziu é como não ser redundante nos textos que escrevemos, percebo que muitas vezes escrevo e quando vou ver estou rodando sobre um mesmo ponto, querendo dar mais detalhes daquilo, mas na verdade estou rodando sobre um mesmo ponto sem conseguir sair por achar que a informação ali está incompleta.

  5. Ótimo texto.

    Interessante a sua menção a respeito da popularidade de histórias no Wattpad e sites do gênero. De vez em quando eu dou uma lida nas primeiras linhas de algumas histórias de Fantasia com milhões de leitores e acabo encontrando textos ainda crus e que esbarram principalmente em erros de “infodumps” (acho que esse é o termo) e de gramática (Já vi um que começava com “À muito tempo…”. É complicado angariar leitores naquele espaço mesmo que seu texto tenha uma qualidade aparentemente melhor que a dos outros. Não tenho certeza se os editores que passeiam por lá se interessam por esses trabalhos de qualidade duvidosa só por causa do número de leitores.

  6. Ótimo texto. De forma simples você conseguiu iluminar o caminho que devemos seguir como escritores. Apesar de estar no começo, este curso já tem me ajudado muito.
    E se tem algo que você mencionou que eu não tiro da cabeça é que “Histórias sem fim não tem futuro”.
    Obrigado Fabio, estou cada vez mais empolgado em escrever e viver aventuras junto com os meus personagens.

  7. Mas… Vai ter dicas de como perder a vergonha do que escrevi? Eu eu vou precisar inventar uma terceira personalidade pra conseguir ter coragem de lançar meus livros?

    p.s.: Acabei de perceber que não tenho ideia do que fazer com a minha história. Ela só tem 2 personagens e imaginações de como seriam os outros personagens.

Deixe um comentário