Jessica Biel: Bela, Engajada e Romântica

Jessica Biel me encantou em O Ilusionista pela combinação beleza e atuação. Antes, era apenas a beldade do filme. Dali para frente, encarei seu trabalho com novos olhos e tive uma das melhores surpresas ao me encontrar com a donzela pouco antes da estréia de Esquadrão Classe A, o filme já está em cartaz, mas a entrevista continua muito boa, além de ter sido publicada na GQ italiana (yeah!). Muito bonita e inteligente, Jessica mostrou ter bom humor e sabe como pode usar sua fama para ajudar a posicionar as mulheres no mundo do cinema. Muito mais que a postura vou falar grosso e insistir na porrada da Michelle Rodriguez, a estratégia de Biel é baseada no excesso de produção e na maior participação dos talentos femininos. Conquistar seus olhos, corações e mentes resume bem a idéia! E não poderia estar mais de acordo!

É meio óbvio, mas você precisou fazer aquele monte de treinamentos físicos para Esquadrão Classe A?
Minha personagem não pedia nada específico. Ela é mais cerebral, o que vale é a inteligência. Ela pode fazer praticamente o mesmo que os personagens masculinos, mas sem ter que se transformar numa super máquina. Mesmo assim, estava me preparando para Mount Kilimanjaro, então fiz muita trilha e escalada, sempre carregando peso adicional no colete para me acostumar com as condições.

Esse filme sempre teve cara de “é brincadeira de menino, com armas, explosões e os valentões do pedaço”. Há atrativos para garotas ali?
Além do fato de ficar vendo quatro caras gostosos, com armas grandes e muita disposição? (gargalhadas)

Ok, você venceu. Nunca pensei por esse aspecto, por razões óbvias.
(risos) Entrei nessa com a certeza de que Joe [Carnahan, o diretor] criaria uma personagem respeitável e admirável para as mulheres. Alguém capaz de provocar boas reações nesse público e sem ficar naqueles clichês de beldades, com biquíni ou exibindo o corpo a troco de nada. É bom reforçar essa realidade de que existem mulheres talentosas e inteligentes e que merecem ser admiradas, especialmente no cinema.


E ela consegue manter o ritmo do time cheio de testosterona? (risos)
Ela é tão engraçada quanto eles. Encara piadas de peido e tudo mais, mas não usa de um modo negativo. Ela permite que eles sejam do jeito deles e sabe se portar na hora de ser séria.

Ser a única mulher do elenco principal chega a ser intimidador, especialmente por saber que todos os caras estão doidos para ficar babando por você… mesmo que não assumam! (risos)
(gargalhadas) O primeiro dia no set é sempre intimidante. Sabe aquela sensação de primeiro dia de aula? Quem vai sentar ao meu lado? Quem vai falar comigo? Vão gostar de mim? Isso nunca muda. Sinto como se estivesse na quarta série a cada novo filme (risos). Mas o fato de ser mulher não causou nenhum constrangimento, pois eles foram tão doces comigo. Acho que tudo foi culpa do Joe, que criou um ambiente realmente legal e quase familiar nas filmagens. Eu era uma integrante da equipe, não a “mulher integrante da equipe”.

Você era moleca na infância?
Pode apostar! Eu era aquela que brincava no banco de areia com os moleques, jogada futebol americano e tudo mais. Carregava uma bola de futebol o tempo todo (risos). Minha mãe ficava toda sem jeito. Joguei muito até os 12 anos, mas aí, num certo momento, os garotos me disseram: então, você não pode mais jogar. Fiquei louca da vida, mas entendi. Chega uma hora em que jogar futebol com uma menina se torna uma prática delicada e possivelmente arriscada. No fundo, acho que foi por eu ser mais alta e forte que eles. Foi intimidação, isso! (gargalhadas)

Mesmo sendo uma militar, sua personagem é bonita e elegante. Hollywood só dá atenção para atrizes quando elas fazem papéis de feias? Como no caso de Charlize Theron…
Esse negócio de ser “bonita demais” é sempre visto do jeito errado. É preciso ter balanço. Vivemos num mundo baseado no faz de conta, mas ninguém tem imaginação. Quando um diretor ou produtor me vê, rapidamente pensa em papéis que já fiz ou como meu corpo pode se encaixar na história. Se seu papel mais recente é algo glamoroso, ninguém vai pensar em mim como a vizinha simples e bonita. “Você tem que ser glamorosa! Combina!”. Honestamente, não ligo para sempre aparecer linda e maravilhosa. Se precisasse colocar um nariz postiço ou ficar suja o tempo todo, faria com certeza. Maquiagem existe para transformar as pessoas, para gerar mais desafios às atrizes. Algo como Monster é corajoso e altamente desafiador. Sempre penso em fazer um papel na qual precise ganhar muito peso e fugir totalmente desse estereótipo visual.

É por isso que você está produzindo?
Preciso criar papéis para mim e para mulheres diferentes. Não há muitos por aí. Tudo começou com a frustração por não poder controlar o processo [que pode mudar drasticamente e só posso influenciar minha performance], pela constatação de que não existem papeis bons em quantidade suficiente para mulheres fora dos “arquétipos”. É difícil dizer se vou conseguir ficar anos e anos trabalhando como atriz, isso pode cansar, mas o envolvimento com o cinema é certeza, então como produtora posso fazer as coisas acontecerem e da maneira que acredito poder inspirar as mulheres. De qualquer forma, estou adquirindo conhecimento. A sensação de ficar nessa bolha de conforto imposta ao ator e sempre alheia às decisões incomoda. Prefiro ser envolvida no processo, saber o que aconteceu. Por exemplo, se alguém cancelou a gravação, normalmente, tenho que aceitar e lá se foi um dia. Se dissessem, ‘então, deu problema na locação ou perdemos a luz ideal, vamos cancelar’, já bastaria para me situar e compreender as decisões. Seguir ordens o tempo todo não é legal, e é isso que atores fazem. Seguem ordens.

Quem é você quando as câmeras não estão rolando?
Muito mais chata do que parece! (risos) Amo meus amigos, meus cachorros, minha família. Valorizo muito a família.

Alguma profissão alternativa em mente, ou algo que deixou de lado para poder atuar?
Egiptologia, Arqueologia. Adoraria escavar. Adoro fotografia, ainda penso em expor minhas fotos. Tiro muitas fotos.

Hollywood é coisa de macho?
Ainda é, mas pode mudar. Veja Kathryn Bigelow, por exemplo. Não sei por que a maioria das histórias é focada na experiência dos homens. Talvez por que existam mais homens na indústria? Não acho que as mulheres não tentem, todas que conheço ralam um bocado nos testes e tal. A questão é a oferta. Não quero que me digam “você não pode trabalhar nesse gênero”. Atuação vai além de gênero e ninguém deveria aceitar essas limitações.

Algum diretor dos sonhos com quem gostaria de trabalhar?
David Fincher e Martin Scorsese são os dois nomes que vêm à mente.

Gosta de romance?
Sou uma romântica irreparável. Adoro histórias de amor.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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