Sem Salvação para Terminator

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John Connor sofre mais com o exagero de marketing do que com as armas da Skynet. Filme é perfeito para fãs, mas falha como obra cinematográfica.

McG fez grandes promessas ao longo da produção de O Exterminador do Futuro: A Salvação. Prometeu batalhas inesquecíveis, personagens carismáticos, um futuro sombrio e a ascensão de John Connor. Quase cumpriu todas elas. Quase. A única coisa inteiramente provada pelo filme foi o respeito extremo do diretor a James Cameron e aos primeiros filmes da série. Tanta preocupação privou Salvação de ser um grande filme, para se tornar um quase sucesso. Complicado imaginar como um filme consegue ser perfeito e pífio ao mesmo tempo. Fabulosamente ligando pontos da história original e apático nas principais seqüências de ação. Assim é Salvação.

Fosse um livro tratando os detalhes implícitos em O Exterminador do Futuro e O Julgamento Final, SalvaçãoSalvação chegaria às mãos dos leitores como obra divina. Uma grande enciclopédia, cada detalhe pensado, analisado e revelado ao público, especialmente sobre o desenvolvimento do T-800, ciborgue ícone da cinessérie. Não há ponto sem nó. Entretanto, carece da mesma Humanidade que defende com muitas explosões e sangue. Falta alma ao filme, coisa que nem McG ou mesmo Christian Bale conseguiram dar à trama. E a verdadeira salvação surge quando o australiano Sam Worthington entra em cena. Um verdadeiro por seguro emocional em meio ao caos causado pela obstinação de John Connor, personagem cuja trajetória foi considerada profética e grandiosa por tantas décadas e acontece de forma desinteressante.

Tudo isso se acentua quando a maior cena de ação acontece sem nenhum exterminador presente. É uma perseguição dentro de uma das bases da resistência, cujo objetivo é aumentar o conteúdo dramático dos dilemas de John Connor (Bale) e Marcus Wright (Worthington), mas não passa de perda de tempo. Ou então os sobreviventes tiveram aulas de tiro com os Stormtroopers de Guerra nas Estrelas, pois gastam toneladas de munição e não acertam nada. Aliás, não foi só isso que os roteiros da Saga emprestaram à história de Salvação. A Skynet deve ter estudado O Retorno de Jedi em seu banco de dados e resolveu aplicar um dos golpes do Imperador Palpatine contra a resistência.

O maior erro de Salvação reside na dedicação de McG à obra de James Cameron. Decidido a respeitar o original, McG foi incapaz de encontrar seu diferencial. Carente de cenas marcantes como a chegada do T-800 a Los Angeles, no primeiro filme, ou o T-1000 se liquefazendo no segundo capítulo, Salvation aposta no visual de uma explosão atômica ou na participação especial de Arnold Schwarzenegger, que acontece de forma surpreendente e bem-vinda, mas é insuficiente para ser um momento inesquecível. Para John Connor é, afinal, Christian Bale toma um susto danado quando vê aquele rosto do passado.

Kyle Reese deveria ser a grande peça dessa história e se mostra mediano. Não compromete, mas tampouco chama atenção com a interpretação de Anton Yelchin. Idólatra de John Connor desde a infância, Reese busca seu lugar no mundo, sua grande realização para a resistência, razão que o fará aceitar a missão sem retorno para salvar Sarah Connor. Tudo como manda o figurino, mas, novamente, sem surpreender.

Embora continue fraco, o terceiro filme foi mais ousado, propôs mudanças. Falhou, mas não pela apatia. Salvação segue pelo lado oposto, portanto, paga caro pela falta de arrojo. Entretanto, o maior entrevero enfrentado pelo filme é o erro na estratégia de marketing. Assim como Watchmen, O Exterminador do Futuro: A Salvação gastou tanto tempo construindo sua imagem de “grande filme do ano”, com edições alucinantes de trechos de ação e exemplos de “como tudo está ficando maravilhoso”, que o resultado final não fez jus à propaganda. Novamente, a expectativa diminui o impacto longa-metragens que poderiam ser grandes por merecimento, não por estardalhaço de mídia.

McG quase conseguiu fazer um ótimo filme. Kyle Reese quase morre. John Connor também. Skynet quase vence a guerra. Exterminador quase volta ao topo com pompa e circunstância. Infelizmente, entrega um filme mediano, sem tirar o fôlego e servindo apenas como fantástica plataforma para Sam Worthington preparar os cinéfilos para o maior filme de sua vida: Avatar, de James Cameron. Muito mais que sacrifício ou humanidade, inovação é a chave. Cameron sabe disso. McG ainda não se tocou.

Leia entrevista com Christian Bale clicando aqui.

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Fábio M. Barreto

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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