Uma Ilha para Todos Intrigar e Emocionar

Qual o último final de série do qual você se lembra de ter realmente se importado e antecipado, seja para elogiar ou tirar barato, nos últimos dez anos? A resposta só pode ser uma: Lost! SPOILERS!

Existe um formato literário há muito obsoleto nos jornais brasileiros, mas cuja essência ainda vive: o folhetim. Basicamente, um grande autor escrevia uma pequena história publicada diária ou semanalmente num jornal de grande circulação. Podemos considerar o casamento entre as radionovelas e o folhetim como a gênese da ficção em série ou, como conhecemos hoje, os seriados de TV. A grande chave do folhetim era, acima de tudo, manter o leitor vidrado e ansioso pelo capítulo seguinte. Valia tudo: suspense, mistério, surpresas, personagens fora do comum, qualquer coisa capaz de causar curiosidade. Antes de cair na mesmice abissal, as novelas conseguiram atualizar esse conceito e o mesmo aconteceu com boa parte das séries da TV a cabo até que os criadores malucos de Lost resolveram derrubar o Oceanic 815 na bendita ilha e tudo começou. E, claro, com um diferencial: quanto mais perguntas, dúvidas ou mistérios, melhor! Seis anos depois, o maior de todos os folhetins chega ao fim, divide opiniões, provoca emoção, envolve toda a mídia e, mesmo sem responder a maioria de suas perguntas, cumpre sua missão – re-energizar um formato.

J.J. Abrams disse a esse repórter que o final de Lost seria “polêmico, mas necessário”. Promessa feita, promessa cumprida. Bem, a frase foi bem pensada e era segura de ser dita, afinal, qualquer final causaria esse efeito. Tudo por conta da relação especial entre os fãs da série e seu objeto de culto. Diferentes de outras séries mais jovens, esse devoto não morre de amores por fotos dos atores ou persegue o que fazem em suas vidas pessoais. Seu compromisso é com a série, com sua proposta e, acima de tudo, com seu significado. Desde o primeiro instante todos perguntam: o que é a ilha?

A resposta? É o que você quiser que ela seja! Nada de conclusão definitiva. É a aplicação do conceito da ‘Caixa Mágica’, de J.J. Abrams. A história é verídica: ele tem uma caixa com uma ‘surpresa mágica’ que ganhou quando criança. A idéia é abrir e ser surpreendido pelo presente, algo misterioso e inesperado. O diretor e produtor executivo nunca a abriu, pois prefere manter sua mente curiosa sobre o conteúdo mesmo depois de tantas décadas. A ilha de Lost e a maioria de suas razões está dentro da caixa que Abrams entregou a cada um dos valentes dispostos a encarar seis anos do seriado sabendo que dar soluções nunca foi o forte do programa. Propositalmente, claro.

Será? Damon Lindelof e Carlton Cuse os “responsáveis pelo programa”, ou show runners, em inglês, foram bombardeados ao longo da série por gente tentando descobrir o desfecho, acusações de que não sabiam quais os rumos e que estavam inventando aos poucos. Sempre responderam que tinham as respostas. Atirei uma dessas pedras, afinal, cansei do excesso de charadas e abandonei a série depois do final da segunda temporada. Só voltaria a assistir os “anos ignorados” perto da estréia da derradeira e, confesso, a sensação permaneceu. Erro do meu foco em querer respostas ou no constante conflito da série entre personagens carecerem de realizações para se manterem interessantes e nenhum desses atos poder ser conclusivo em relação aos temas principais? Ou seja, eles tinham que fazer algo, mas nada aliviava a tensão exercida pelos mistérios.

Muito além de respostas, algo feito nas últimas duas temporadas mudou esse rumo. De forma sutil, mas mudou. Pouco a pouco, a ilha – até então peça-chave para toda e qualquer teoria sobre Lost – foi saindo de foco, primeiro com o duelo entre os irmãos Jacob e Esaú, oops, Adão, oops, Flocke, oops, Monstro de Fumaça, oops, Ruivo Hering… ; depois a realidade alternativa, na qual o avião não caiu. Afinal, de que ajudaria saber o que é a ilha? Poderia ser uma recompensa por tanto tempo dedicado, claro. Porém, essa situação mantém Lost, mesmo depois de seu final, tão pessoal e íntima quanto durante sua exibição.

Tudo culpa daquele sentimento de posse desenvolvido entre fãs e séries. Recebemos estímulos e imaginamos diversas possibilidades para sua evolução e talvez por isso Lost tenha causado tanto impacto, pois enquanto nossas mentes se concentravam em respostas, os roteiristas da série ofereciam apenas mais perguntas. Talvez esse seja um dos grandes méritos da série, capaz de manter a atenção durante tanto tempo sem, efetivamente, contar nada. Esse estilo é presente também na literatura. A Estrada, de Cormac McCarthy, também postula a conquista do público pela simples expectativa numa construção desprovida de grandes ações ou explicações. É a saída para a TV formuláica e previsível, do final repleto de sorrisos e pessoas felizes. McCarthy levou esse conceito até o final, Lost não.

As respostas não vieram. Se nem mesmo a vida nos dá respostas, qual a obrigação de Lost em provê-las? Há um acordo velado quando se resolve seguir um seriado tão longo: a produção abastece o telespectador com um determinado conteúdo, ele aceita, ou não. Essas são as regras, e de regras o fã de Lost entende por ter sido exposto a inúmeras delas. Pressione o botão; fique longe dos Outros; não brinque com as bananas de dinamite do Black Rock; nunca deixe o Hurley sozinho com a comida; o Monstro de Fumaça não pode atravessar a cinza e também não pode matar Jacob, que, por sua vez, escolhe os candidatos, e por aí vai.

Mas sem as respostas definitivas, cada um pode manter suas teorias e continuar a discutir o assunto. Todos estão certos quando ninguém está certo. É chato e frustrante? Sim. Mas faz mais sentido do que reescrever a Bíblia e se contradizer a cada episódio ou ponta deixada em aberto. Torci muito por uma conclusão mais FC, mas se esse era o plano, que seja. Essa discussão toda não acontecia desde Matrix Reloaded, com suas infinitas possibilidades e aquela mistura entre misticismo e tecnologia. Algo muito parecido com o oferecido por Lost, embora seu final tenha guinado indiscutivelmente para o lado espiritual. E que final!

A conclusão de Lost apostou no emocional. Fez muita gente chorar, fez muita gente odiar. Entrei no primeiro grupo em algumas ocasiões por um motivo muito especial: minha avó. Quando Jack encosta no caixão do pai lembrou-me da última vez em que vi o rosto da Dona Elza, sorrindo e imóvel. Lembrança triste e razão do choro, afinal, por que não acreditar, só por um pouquinho, que o futuro pode ser daquele jeito? A saudade voltou e um pingo de esperança egoística surgiu. Se eles podem, eu também quero. Esse universo paralelo possivelmente representa o meio termo entre a religiosidade de J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse sintetizado em uma só palavra: esperança.

Comentei no podcast LOSTies que houve muita embromação em Lost. Fato. A série registrou momentos muito mais grandiosos que seu final, possibilidades mais atrativas seja como série de ficção científica ou como drama. Mas tudo isso sempre promovia a dúvida, a curiosidade e, em algumas vezes, a dura certeza de que ninguém sairia dali vivo. E não saiu, só que nos faltava essa concepção de que o “ali” não era a ilha, mas sim a vida. Nesse aspecto, o final de Lost foi preciso, afinal, para que dar um grande desfecho tecnológico e ficcional se esse mundo anda precisando muito mais da esperança do que de teoria? Clássico já é. Famoso também. Então por que não acalentar o emocional quando meio mundo estava assistindo? É um ciclo.

Começou com pessoas procurando rumo, salvação, razão para viver. Terminou com essas mesmas pessoas sorridentes, felizes, redimidas e, acima de tudo, em paz. E mensagem melhor não, especialmente sabendo que Fringe está no ar justamente para fazer o contrário: dar respostas, mergulhar na ficção científica com o mesmo drama e mentes criativas. Aliás, brinquei com a Lu outro dia dizendo que o final de Lost seria o comecinho de Fringe, só que no “outro universo”. Tudo é possível no mundo de Walter Bishop.

E tudo ainda é possível quando se pensa na ilha e nos sobreviventes do Oceanic 815. Muitas respostas foram dadas há tempos e, por escolha própria, o fã decidiu não aceitá-las esperando um grand finale mais mastigado ou ligando todos os pontos. A série nunca permitiria isso, ou seria mais uma regra da ilha? Assim como encontrei uma razão extremamente pessoal para me emocionar no final, cada espectador tinha suas razões para seguir, ou não, o programa. E cada uma delas levava a uma teoria ou desejo. Ninguém acertou; e isso foi fantástico, pois manteve o caráter imprevisível do seriado.

Ao tornar a ilha num simples pano de fundo para a vida de Jack Shepard e seus amigos, finalmente, o tal drama pessoal defendido pelos produtores se fez presente e muita coisa fez mais sentido. A ilha existiu, enlouqueceu pessoas, uniu outras, poderia ter acabado com o mundo, mas acabou nas mãos daquele que melhor cuidava de seus iguais: Hurley. É a vitória dos nerds até mesmo na ilha dos birutas e também marcou a redenção. Odiar Ben Linus virou lugar comum e, como aconteceu, sua redenção marcou demais. Não foi uma segunda chance, afinal ele teve inúmeras oportunidades anteriormente, mas o sujeito se manteve honesto a seu desejo primário: precisava de atenção, queria cuidar da ilha e de seus moradores. Quando teve a chance foi brilhante. Engraçado ter uma certeza dessas sem ter a menor idéia do que ele fez, não é mesmo?

Gosto de pensar que a melhor das histórias é aquela não contada. Contar pode, às vezes, engessar um conceito. Provocar a mente é o melhor caminho. Por isso gosto de H.P. Lovecraft, que sempre me fez ficar apavorado sem nunca definir exatamente o que deveríamos imaginar. A mente nos leva a lugares negros, mas também conhece o caminho da Luz, seja ela o poço eletromagnético no centro da ilha ou das lembranças boas.

Por isso me emocionei com a conclusão naquela igreja, aliás, um lugar de todas as religiosidades. Pelos olhos de Jack – sempre eles! – vivenciamos uma inundação de boas lembranças, de sensações e um maravilhamento único. Desmond ajudou todos a se lembrarem, mas naquele momento não havia lugar para a dor. Eles sofreram o suficiente ao longo dos seis anos.

E nós também. Será essa nossa deixa para vivermos em paz a partir de agora?

E pensar que tudo começou com o folhetim.

por Fábio M. Barreto,
de Los Angeles

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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40 thoughts on “Uma Ilha para Todos Intrigar e Emocionar

  1. Òtimo ver mais alguém absorver o que foi o seriado desse modo. Até agora vi poucas pessoas que gostaram. Mas as que não gostaram é notório o modo que elas assistiam o seriado: Só assistiam em busca de respostas, sem aproveitar o durante da jornada. O ùltimo episódio foi lindo, concluiu a série muito bem. Pena ter tanta gente que não foi capaz de enxergar por esse lado, talvez eles não estivessem prontos ainda. (:
    Abraço.

  2. Eu também gostei muito da conclusão, essa coisa de um dia poder reencontrar pessoas que fizeram parte da minha vida e que não estão mais por aqui, sempre está presente nos meus pensamentos. Não esperava ver isso em Lost e, por isso, fiquei surpreso na hora.

    Nessa temporada eles perderam muito tempo com coisas e personagens desnecessarios. Tempo esse que poderia ter sido usado para certas respostas. Mas, tem gente que exagera, algumas pessoas estão cobrando explicação para coisas que o Vincent fez… Precisa isso? Ele é um cachorro, animal que sempre nos surpreende.

    O reencontro de Jack com seu pai foi uma das coisas mais bonitas que já vi em um série, e pequenos diálogos fizeram toda diferença; Kate dizendo “Senti tanto sua falta” pro Jack é um deles.

    Isso que você disse – que a melhor das histórias é aquela não contada – é verdade, prefiro ficar imaginando como foi a vida do Hurley e do Ben na ilha, do que saber de fato o que aconteceu.O que um diz pro outro já basta pra mim!

    Me decepcionei com algumas coisas sim, mas o lado emocional falou mais alto e, acho que por esse motivo, gostei muito do fim da série.

    É isso, seu texto está excelente Fábio. Estava anguardando ansioso sua opinião! Abraço.

    PS: Fiquei imaginando a reação da Lu assistindo o episódio, diz pra ela que, espero um comentário na Sci-Fi… Rs

  3. SPOILERS
    Para mim, aquela pergunta que pintou lá na terceira ou quarta semana de série, em 2004, é tudo? “Eles estão mortos, não estão?”~
    Foi um final perfeito, onde a fé e a remissão dos pecados passaram por cima de todas as teorias de tecnologias, nanotecnologias e dispositivos eletromagnéticos. A ilha como um Purgatório necessário a pessoas com feridas a serem cicatrizadas. Os flashbacks de 6 anos ( e os flashforwards) deixando claro como todos ali tinham arestas a repararem, feridas a serem fechadas.
    Quando o Christian diz para o filho “Você precisava deles, e eles precisavam de você” ele fecha as arestas. Eles não estavam perdidos em uma ilha.. eles estavam, todos, simplesmente perdidos. Precisavam uns dos outros para redimirem-se e poderem seguir adiante, alcançar a luz, irem a frente. A ideia da ilha como um purgatório surgiu lá na primeira temporada, e eles foram habilidosos em estenderem as dúvidas.
    Muita gente está se atendo a mistérios menores e pontuais, quando o maior deles, o que é a ilha e o que é a realidade alternativa, foi muito bem respondido.
    E, pasmem, cabe a Linus voltar á ilha e permanecer seu guardão – ele foi o único a não entrar na Igreja para “seguir em frente”. O diálogo dele com Hurley, pouco antes, deixa claro mais essa “troca de bastão”.
    LOST foi brilhante mesmo nos momentos ruins, e principalmente em seu final. Vai deixar muita saudade.

  4. Lindo texto Barretão. Lost, como você disse, se tornou uma viagem tão pessoal e profunda, como nem sequer imaginávamos ao assistir aquele Piloto.

    A divisão de opiniões está sendo enorme, mas pelo o que percebi a maior parte da rejeição ao rumo tomado, está vindo dos que se diziam os maiores fãs de Lost, e dos blogs especializados na série. Ficaram tanto tempo enumerando os mistérios e ávidos por respostas, que talvez não tenham se deixado envolver por essa grande história e pelos grandes personagens que conhécemos e que- por que não?- tornaram-se parte de nós.

    É lindo ver que um “produto de entretenimento” provoca tantos debates, tantas dicussões, que vão desde a filosofia até a religião.

    Lost não acabou, e nunca terá um fim, pois as interpretações serão infinitas e eternas.

    “See you in other life, brotha!”

  5. PS: Ainda considero os Flash-sideways como o verdadeiro purgatório, a realidade alternativa onde eles se encontram guiados pelo Desmond – “uns morrem antes, outros depois”, nós só vimos até a morte de Jack. A questão do significado da ilha ainda deixo para cada um formular suas teorias, e o início e finais da série são dignos de um estudo de semiótica – o ferimento de Jack no mesmo lugar, por exemplo, é um signo poderoso de semiologia.

    Série brilhante mesmo…

    1. Fala Fabio,

      Então, nao vejo nenhuma chance da ilha ser o purgatório. MINHA CONCEPÇÃO, não permite ficar misturando as coisas. A Ilha era um lugar onde eles viveram e passaram por tudo aquilo. Aí todos morreram e, no tempo certo, nesse futuro espiritual se reencontraram e partiram pra outra. Qq coisa além é procurar pelo em ovo. Essa foi uma das respostas definitivas que eles deram. As coisas são distintas, dois momentos. Um no passado outro no futuro. :p

      Pós-vida é diferente de Purgatório. Aliás, purgatório é um conceito de apenas algumas religiões e Lost partiu para uma aplicação muito abrangente.

      Eles estavam mortos no flash-side, NÃO NA ILHA.

      :p

    2. Olá Barreto e pessoal, muito bom seu texto, depois de ver e ler algumas coisas creio q seja isso q aconteceu mesmo…mas uma coisa me intriga ainda…td na ilha aconteceu..ponto…até mesmo a saida deles da ilha e a volta?? (na 4ª temporada)

    3. Exatamente… tanto que na “realidade paralela” Sun não era casada com Jin… Jack tinha um filho… Saywer era policial… tudo diferente de quando entraram no oceanic 815… eles viveram e morreram na ilha, e os flashes da “realidade paralela eram o verdadeiro “purgatorio” onde eles “entenderam” que morreram na ilha… independente de quanto tempo cada um levou para morrer, se encontraram no plano espiritual no final… e as respostas??? Ouvi dizer que vao criar uma nova serie numa ilha: Found

  6. Bom cara, eu irei fazer um texto ainda pra tentar expressar a minha felicidade, emoção e também tristeza pelo fim de LOST. Foi realmente uma das maiores perdas da minha vida, junto com as outras 2 pessoas que perdi esse ano, meu pai e meu avô.
    E tenho a coragem de comparar sim, pois tanto com eles como com LOST, eu aprendi a dá mais valor a certas coisas, meu caráter foi aumentado, meus conhecimentos potenciados e porque não dizer, tive minha vida melhorada.
    Quantas memórias terei durante todos esses 6 anos, eu gravando meus VHS’s quando passava na GLOBO a primeira temporada, correndo atrás logo após pra encontrar a segunda, viagens que tive que fazer pra conseguir episódios, tudo que tive que passar valeu muito apena.
    O seriado já passou de ser o que eu sempre digo, que é a maior obra áudio-visual, ele está além de tudo isso, esses personagens aí fizeram parte das nossas vidas e de certa forma são da nossa família também.
    E se vocês me permitem a liberdade de expressão… QUERO MAIS É QUE SE FODAM aqueles que não gostaram do final, que o “final fuderoso” deles fiquem enterrados. O povo tem que colocar na cabeça que a série não é isso que é por final nenhum, a obra é tudo isso pelo simples fato de á cada episódio nos ensinar uma coisa diferente, e quem viveu isso, sabe muito bem do que eu falo.
    Muito bom, como eu imaginava não imaginar mesmo, final “alegre”, que nos passa muita paz e tranqüilidade. Que foi banhado por mim também com uma enxurrada de lagrimas.
    Um abraço galera, e vamos continuar a ver os DVDs pra gente aprender algo aí e mudar de alguma forma pelo menos as nossas vidas.

    Abs!!!

    Willtage

  7. Sim, tudo o que se passou na ilha é real. Isso sempre foi dito pelos produtores, desde o começo, quando essas teorias “caverna do dragão” começaram a surgir. Eles até brincaram bastante com isso dentro da série. Lindelof e Cuse sempre disseram que no fim, nada de alguém sonhando ou pessoal morto. De fato, em nenhum momento é dito isso até o fim. Pra quem ainda tivesse dúvidas, fizeram o Christian Shephard falar com todas as letras: tudo o que aconteceu foi real.

    O flashsideway é apenas um mega flashfoward. Jack morreu ali, Hurley pode ter morrido séculos depois. Kate de velhice, Sawyer uma semana em um acidente. Quem sabe? Nós vimos apenas o momento do reencontro que, dentro da lógica da série, seria a hora em que as almas seguem em frente. Isso está bem claro.

    Ben ficou, pois ele não tinha ligação com aquelas pessoas. Ele vai ter que despertar a Rousseau, a Alex, quem sabe alguns dos “outros”. As pessoas com as quais ele se sente realmente conectado. Ele não vai “voltar a ilha”, como o Fábio disse, pois ali não existe ilha. Aquilo não é mais o nosso mundo, a ilha afundada no primeiro episódio já deixou mais claro ainda.

    Não gosto disso de “não respondeu nada mas foi maneiro assim mesmo”. Cara, Lost respondeu tudo, se você for ver de novo a série. Tá tudo ali. Não sabe o que é a ilha? Ora, como funciona a Arca da Aliança em Indiana Jones? Todo filme de aventura tem seu artefato mágico, não interessa a mecânica daquilo. O que era relevante saber, foi explicado, direta ou indiretamente, e eu saio da série com todas as perguntas respondidas.

  8. Não pensei que iria, mas chorei ontem assistindo ao final (JJ e Damon me venceram!) e agora vc me fez chorar de novo 🙂
    Texto lindo, Fá, parabéns!!!

  9. Sorry, mas não era isso que eu buscava em uma série de “fição cientifica”… se eu quisesse saber de espiritos procurando rendenção eu ia assistir ghost ou whatever.

    É como se você estivesse acompanhando uma luta de boxe peso pesado e no ultimo round os lutadores começassem a fazer taichi chuan (perdão pela ignorancia, mas não sei como escrever isso).

    Entendi a proposta do desfecho, mas não gostei. Muito bonitinho os losties todos juntos na igreja de todas as fés… muito lindo. Mas se formos analisar, em relação ao final dos personagens na ilha, foi fraquissimo… Desmond tirando uma rolha, o flock morrendo com um tiro, jack colocando a rolha e aparecendo vivo pra andar 100 metros e morrer, o avião (com uma bela manutenção hein amigão) voando pelo céu… e pronto, fim dos losties da ilha, que foi 90% da história de Lost, eles na ilha.

    Pra mim, o final de Lost foi EPIC FAIL.

  10. Não sei quando que Lost foi ficção científica. A série brincava com os dois lados, e o sobrenatural venceu. Simples assim. De todo modo, Lost não é tão simples ou tão plana. Tudo ali propõe uma discussão metafórica maior do que esse bullshit de ciência x fé que me enerva até a alma.

  11. Enquanto os fãs se preocupavam com a ilha, os roteiristas se preocupavam com os personagens. As questões que eram relevantes pra HISTÓRIA foram respondidas, independente do que os fãs queriam saber sobre a estátua ou quem comeu quem. O final foi lindo, fechadinho, não há nada mais a ser contado. Belo texto, barretão!

  12. Final espiritual não desqualifica mesmo, concordo. Mas tem gente que acha que desqualifica e pra elas eu digo que Lost nunca se proclamou um Sci Fi. É um drama, sempre foi, com elementos de Sci Fi e de coisas sobrenaturais que, em um legítimo sci fi, acabariam tendo uma explicação “oficial” pseudo-científica, digamos assim. Mas não, pois a série preferiu não se prender a esse gênero.

  13. Devo dizer que aquela cena com o pai do Jack, me fez lembrar da enorme ligação com a minha mãe. E da perda da minha irmã mais velha que faleceu aos 21 anos. A vi pela última vez indo pegar um avião, já de cadeira de rodas, vindo ela a falecer um ano depois. Não fui ao seu funeral pois moro do outro lado do mundo. Não tenho essa lembrança. E talvez tenha feito a minha ficha realmente cair com muito mais dificuldade, demorei pra realizar a sua morte, e tudo que se perdeu com sua partida…

    “Por que não acreditar, só por um pouquinho, que o futuro pode ser daquele jeito? A saudade voltou e um pingo de esperança egoística surgiu. Se eles podem, eu também quero.”

    Pois é, eu também. Uma vez sonhei com ela de uma forma “espiritual” que eu acordei acreditando que era ela, e naquela noite eu, minha mãe e minha irmã mais nova sonhamos com ela, de forma que eu acredito muito que isso seja possível.

    Enfim é isso. Belo texto.

    1. Oi Grazi-k,
      Impressionante como isso marcou, né? Por esse ponto, os “realmente preparados’ eram aqueles com episódios de perda e sofrimento em suas vidas. Cada um de nós puderam sentir exatamente o que aconteceu com os Oceanic. :-/

      um beijo!

  14. Sim, chorei cântaros no final, chorei agora lendo esse texto, e acho que ainda vou chorar muuuuuuito…
    Como podem ver, sou extremamente emocional. Mas gostaria de registrar aqui o que venho dizendo em outros lugares:fiquei satisfeita com o final mas fiquei com um gostinho de quero mais! Não é exatamente querer respostas, pois concordo que a maioria estava subentendida ou seria até desnecessária. Mas foi levantada uma questão nesta série e que muito me fascina, que é a viagem no tempo.E fiquei decepcionada por ela ter sido abandonada. Afinal, aqueles episódios onde Desmond viajava sua mente em dois corpos ao mesmo tempo foram reais! E achei muito interessante essa possibilidade! Mas quem sabe isso ainda não irá render mais alguns capitulos futuros…
    A esperança é a última que morre…

  15. Só uma coisa me intriga…depois do choque, o Desmond tinha percepção total do “after life” ainda na ilha. Como?!?
    Sei que ele tinha o “poder” de interagir no tempo-espaço, mas confesso que não consigo entender o fato dele falar para o Jack (antes deles entrarem na gruta)que no outro lado o avião não caiu e eles ficaram todos bem.

  16. Pingback: Cumê Camão
  17. Ótimo texto.
    Não venho aqui defender cegamente a série.Sei que muitos mistérios podiam ter sido respondidos;mas também sei que fazer isso no final,pelo menos pra mim,estragaria um pouco o ritmo do episódio.Ali o foco tinha que estar nas pessoas,ou então geraria a maior frutração que seria a de descobrir que aqueles personagens nunca importaram,sendo apenas bonecos que preenchiam espaços e eram movidos pra lá e pra cá.
    A temporada também não foi tão boa quantos algumas outras,mesmo contando com alguns dos melhores episódios da série.Porém, o final que vi me desarmou.Eu fui arrebatado e agradeço por isso.Pode não ter sido perfeito,mas me fez sentir como poucas coisas que vi.
    Parece que eles resolveram explodir menos cabeças,e mais corações(E não estou tentando fazer algum tipo de desqualificação da opinião de quem não gostou com isso).

  18. tava devendo um comentário aqui desde que li.
    não li todos os comentários pq alguem falando mal de lost estraga meu dia todo – mesmo sabendo que, como vc disse, a questão é pessoal. eu ia querer responder um por um.
    mas uma coisa é certa. lost nunca foi completamente FC. então, não tiro a razão de algumas pessoas não terem gostado. mas disparar por aí as milhões de perguntas não respondidas (muitas das quais tem respostas óbvias e/ou desnecessárias, portanto, não são não-respondidas) é apelar para um pragmatistmo superficial.
    lost é mais do que isso. outro dia fui explicar para uma amiga sobre a série e me senti idiota, porque nada que eu falava parecia ter mto sentido. acho que não tem como convencer alguem que não gosta de lost a gostar. ou vc ama ou odeia.

  19. Foi um final excelente, bem melhor do que eu esperava. Além da revelação dos flashsideways ser um além-vida, a últimas cena do episódio centrada no Jack e rimando com o episódio piloto foi algo de gênio.

    Em tempo… está bem explicado no diálogo de Christian Shephard que a ilha não era um purgatório e que ele não morreram na queda do avião. Aliás, mesmo sem este diálogo já seria algo evidente.

    Abraços!!

  20. Fiquei devendo um comentário para você Poeta.
    O texto é lindo e emocionante e muito bem embasado.
    O final de Lost não foi o que os fãs esperavam mas foi lindo e, como você bem colocou, nos deu um pouco de esperança.
    Chorei sim, mas valeu a pena cada minuto assistido(e chorado).
    Parabéns pelo texto, um dos melhores sobre Lost até agora.
    Beijo

  21. Barreto, dizer algo sobre a beleza e a sensatez do seu texto, e o mesmo que discutir sobre qual seria o melhor final para Lost, desnecessário mas impossível não comentar.
    Gostaria que todos que criticaram ferozmente o final, pudessem ter a oportunidade de reassistir este episódio com olhos mais generosos, com um pouco mais de sensibilidade. Não falo de olhos sentimentalóides, mas de tentar ver o desfecho de maneira mais ampla em seus significados. Uma maneira onde as explicações tão cobradas, não se tornassem o objetivo principal. E talvez cheguem ao ententimento que o caminho percorrido até ali, foi o aspecto mais atrativo da série e seu final um momento de descanso para seus personagens e para todos nós.
    Parabéns Barreto pelo texto!

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