[Crítica] O Procurado

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Prepare-se para ação, slow motion e muitas coisas impossíveis! Tem problemas, mas deixa para lá, afinal, também tem Angelina Jolie!

O Procurado (Wanted, 2008, EUA) tem tudo que um bom filme de ação precisa. Armas, tiroteios, cenas impossíveis, perseguições de tirar o fôlego e, claro, Angelina Jolie. James McAlvoy e Morgan Freeman estão ali, mas o show visual é dela, que vai fazer muito marmanjo pagar o ingresso só para ver sua cena seminua. De qualquer forma, o filme funciona dentro de seu gênero, mesmo com alguns problemas notáveis de edição.

Novidade, entretanto, não existe em termos técnicos em Wanted. Os efeitos das balas não atualizam o bullet time de Matrix e a trajetória do personagem principal – James McAvoy, sempre bem – é uma saga do herói ao avesso que é prejudicada por uma montagem confusa em alguns momentos. A ação, porém, é tão intensa que o ritmo acelerado compensa suas deficiências. O que pode, e deve, frustrar muitos dos fãs da HQ que inspirou o filme, em 2003, no mercado norte-americano.

Os personagens são construídos rapidamente e suas habilidades também. Eles são capazes de curvar as balas, ou seja, atiram de qualquer lugar, a qualquer distância e, normalmente, atingem seus alvos. O mais novo membro dessa elite de assassinos é Wesley (James McAvoy), que é recrutado por Fox (Angelina Jolie) para vingar a morte de seu pai, também membro da tal Fraternidade. Mas há o inimigo, Cross (o competente ator alemão Thomas Kretschmann), um renegado disposto a destruir o grupo.

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Mesmo para quem leu a HQ há novidades no roteiro, pelo que já foi dito por quem assistiu. Mas, especialmente, quando se analisa o filme sem essa referência pode se valorizar a construção de uma grande mentira em torno da real função de Wesley e a verdade por trás da Fraternidade, que é liderada pelo personagem de Morgan Freeman – em destaque por algumas frases fortes, palavrões hilários e uma careta impagável. Comédia? Não, mas valoriza seu trabalho e evita um personagem meramente ilustrativo ou repetitivo. Afinal, criar sujeitos caricatos e bobos é muito fácil.

É aquele tipo de filme feito para a nova geração: boca suja, disposta a mudar o mundo com um headshot, e que sonha em descobrir que é filho de um milionário! Claro que a “apologia” às armas vai dispertar os incautos, claro que os xiitas vão detestar por causa das diferenças, mas claro que tudo isso soa cool para diabos. E é isso que o filme pretende, ser cool. A “Geração MTV” cresceu e esse filme é para ela.

O Procurado
, porém, tem seu pior inimigo em sua própria campanha de marketing. Foi-se o tempo em que um filme grande tinha um teaser e um trailer. Agora existem os “promos” e os vídeos para internet. Com isso, se você acompanhou toda a trajetória que a Universal Pictures realizou para divulgar seu produto, você não se surpreende no cinema. As grandes cenas de ação já foram vistas. Angelina já fez o carro rodopiar para resgatar Wesley; que, por sua vez, já cometeu um assassinato aéreo atirando pelo teto solar de um veículo blindado onde estava sua vítima; e por aí vai. As bilheterias não vão sentir o efeito disso, mas, sem dúvida, muita gente vai sair da projeção com a sensação de que já tinha visto quase tudo ali. É aquela velha história “a melhor piada estava no trailer”. Ela pode se repetir nesse filme. O resultado soa como uma montagem desses clipes, ou melhor, um grande videoclipe dirigido pelo russo Timur Bekmambetov (do ótimo Night Watch).

Mas será que alguém vai se preocupar com isso depois de passar algumas horas com a Angelina? O curioso é que muitos fãs do quadrinho já se perguntam: é possível que a Fox seja interpretada por alguém que não a Halle Berry? Meus queridos, Halle não é NADA perto da Jolie, não para esse filme. Acreditem!

O Procurado cumpre o que promete: ação do começo ao fim, tiroteios impensáveis e, claro, dar mais um exemplo da sensualidade voraz de Angelina Jolie em cena. É bacana e empolgante, mas não chega a fazer sombra perante os grandes lançamentos do ano e daqui a pouco vem o morcego para monopolizar as opiniões e colocar os tiros impensáveis de Wanted para escanteio. Mas claro, que, algum daqueles prêmios non-sense que o MTV Awards entrega: Melhor Cena de Carro Rodopiando, ou algo assim. Justo dizer que o filme também entrega alguns elementos secundários de grande valia como outra uma ótima atuação de James McAvoy (os personagens principais nesse caso são as cenas de ação, o fato dele aparecer em todas elas não o torna mais importante que a adrenalina das cenas), que se consolida cada vez mais; uma ótima participação de Terence Stamp; e uma mensagem tapa na cara para quem se contenta com uma vidinha medíocre.

Afinal, o que você tem feito ultimamente?

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*Vou escrever duas críticas sobre Wanted. Essa é a primeira, antes de ler o quadrinho. Analisando o filme como produto individual e único.*

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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23 thoughts on “[Crítica] O Procurado

  1. Angelina Jolie é gata e tudo mais… mas eu não consigo achar ela uma boa atriz. Eu não sei, iveram papéis que me agradaram como o daquele filme “Garota Interrompida”… Mas foram raros =/

  2. Uma coisa que senti assistindo o filme é que ele parece uma grande colcha de retalhos. Começa um filme bem mais ou menos, tradicional sobre um cara recebendo treinamento, meia boca na minha opinião (e como dito, “a piada ja havia sido contada no trailer”) mas derrepente, BOOOM. A coisa muda, a história muda completamente, comecei a gostar MUITO, mas ai desanda um pouco, depois Angelina da um show e faz o filme andar de novo (na ultima cena envolvendo tiro que ela participa).E acaba muito bem.
    Incrivelmente, pra mim, gostei mais do filme pelas cenas de não ação. Provavelmente, e isso só notei depois de ler a crítica do Barreto, por causa dos trailers. Entrar no cinema sem saber de nada e ver esse filme deve elevar a diversão à oitava potência.
    E só pra constar. Não acho a Angelina essa gata toda não. Mas ela tem uma sensualidade que nunca vi igual.

  3. Se fosse com a Demi Moore, eu ficaria preocupada em ir assistir com o marido mas com a Angelina ele resiste bem e se comporta :DDDDD

    Curiosamente, eu só vi um trailer desse filme e, foi logo depois do trailer de Arquivo X, então eu não prestei atenção…acho que é sorte minha ^_^

  4. FABIO, parabéns pelas criticas honestas que so fazem conquistar cada vez mais leitores a coluna SOS HOLLYWOOD.
    Mesmo sendo fã da HQ de MARK MILLAR e J. G. JONES, assistirei ao filme, com toda certeza!
    Também creio que algumas campanhas de marketing causam o efeito inverso ao desejado, posto que muitas vezes os espectadores vão ao cinema imaginando um filme repleto de cenas frenéticas de ação, assim como algumas que presenciaram no teaser ou trailer.
    Infelizmente, muitos acabam desapontados e torna-se mais freqüente a sensação de que fomos expostos a uma propaganda enganosa, nem sempre pelo filme ser ruim, mas apenas por não atender as expectativas.
    Alias, quando penso em excelentes teasers ou trailers que resultaram em filmes decepcionantes, lembro de inúmeros, tais como MIAMI VICE e ULTRAVIOLET.
    Enfim, espero que a turma de HOLLYWOOD aprenda com as campanhas de marketing de CLOVERFIELD e THE DARK KNIGHT, que revelam um pouco do seu trabalho, mas não entregam o ouro, que só deve ser conferido nas telonas…
    Saudações,

  5. Braga
    Pra mim o maior desapontamento trailer-filme foi a experiência 2…. Da raiva só de lembrar.
    No caso de Wanted acho que o problema é que mostraram praticamente todas as cenas de ação.
    Tem também o exemplo do Shyamalan, que pra mim, se ferra muito por publicidade mal feita. Mostar cenas do filme que não refletem a que ele realmente se propõe.

  6. Vamos esperar chegar por aqui. Por enquanto fico com seus comentários críticos que, aliás, atingem a expectativa do internauta. E sempre clareia o cerne da produção cinematográfica. Parabéns!

  7. Sabe, eu acho que com Wanted vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com V de Vingança, ambos são otimos se não lermos as HQs e são sucesso de critica e bilheteria, mas aí pra quem leu a HQ continua um bom filme mas fica faltando alguma coisa, fica meio que faltando um pedacinho, uma coisinha sempre vai imcomodar aos fãs que leram as HQs…

  8. Cara,

    Talvez eu seja apedrejado por isso, mas eu acho a Angelina Jolie a coisa mais overated do cinema. Ela não tem um filme definitivo, um trabalho que justifique o salário. Qual o maior projeto dela? Tomb Raider? Fracasso total. Sr. e Sra. Smith? Sim, foi bem… mas alguém ainda lembra do filme? Garota Interrompida? O filme não é dela, é da mão-leve.

    Por outro lado, uma Hilary Swank tem Meninos não Choram e Menina de Ouro. E deve ganhar um décimo do que a Angelina ganha por filme.

    Ou seja, ela é bonita, sensual, ok. Mas tá longe, bem longe, de ser a estrela que os estúdios pintam.

  9. Eu devo ser o cara mais retardado do mundo.. como é que eu não conhecia esse blog ainda????

    Enfim… muito bom… é ótimo poder ler coisas que fogem do estilo “comentário-pago-pra-levar-gente-ao-cinema”…..

    Vou corer atrás do prejuízo e ler os mais antigos tbm!

    Abraço!

  10. Ela é linda de rosto, porque de corpo deixa a desejar, magricela e pernas de palito…mas sabe atuar…analisando pelo trailer, parece muito chalala como diz o Chandler, parece as Panteras turbinado.

  11. Sou xiita sim. Não vi o filme ainda, mas se for só isso vou ficar de cara.

    Leia os quadrinhos. Sempre. São melhores e a sua mídia, como já disse Alan Moore (aka Deus), são uma forma única de se transmitir uma mensagem, uma forma de condensar o melhor de um filme e de um livro. ^^

  12. Roger, em verdade voz digo: Só espero que o gibi seja tão bom quanto o filme.

    E desafio qualquer pessoa a ler obras magnanimas de Allan Moore como V de Vingança e Watchmen sem esboçar um bocejo.

  13. Xiitas de plantão: acabo de ler os quadrinhos! (Depois de assistir ao filme). Quadrinhos é uma mídia fraca, em termos de passar emoção ou adrenalina. Marc Millar não conseguiu com que o leitor crie vínculos com os personagens. Muita coisa é tratada muuuuuuito superficialmente (o que, de fato, é consertado no filme, como a relação no trabalho de Wesley). Fox, nos quadrinhos, é só um trampolim para as piadas de cunho sexzual. Isso sem falar no plot twist piegas da hq, que duas páginas depois foi totalmente escrotizado pelo próprio autor.
    Os produtores conseguiram deixar o filme interessante e rodondo, ao contrário da hq, que fica devendo muita coisa e, no final, broxa.

    Entre o quadrinho e o filme, fico com o filme. Sem sombra de dúvida.

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