[Entrevista] Matthew Perry e seu “Mr. Sunshine”

“Gosto de dizer que esse personagem sou eu cinco anos atrás, antes de descobrir que precisava mudar, antes de ter um momento de iluminação” – Matthew Perry


BEVERLY HILLS, CALIFÓRNIA
– Uma multidão de jornalistas se reúne para descobrir as novidades da ABC para a próxima temporada, é o TCA – TV Critics of America – um evento monstruoso que acontece duas vezes por ano na área de Los Angeles. Ano passado foi em Passadena e, nesse ano, o palco foi o Beverly Hilton, ontem que serviu de cenário para inumeros filmes, entre eles o fantástico Frost/Nixon. Um dos destaques do dia da ABC foi Mr. Sunshine, escrito, produzido e estrelado por Matthew Perry, que retorna à televisão depois de não ter encontrado muito sucesso na telona.

Conversei com Perry, que foi uma das pessoas mais ativas durante as duas semanas do evento. Promovendo seu programa em todas as oportunidades [de entrevistas a cocktails] possívels, o sr. Chandler Bing sabe que precisa melhorar sua imagem para ser bem-sucedido nessa empreeitada televisiva. Veja a prévia e leia um trecho da conversa.

O que você aprendeu com sua última experiência em TV que te fez escrever e querer fazer algo diferente?
Uma das coisas que tirei daquela série e de assistir Aaron e todas aquelas pessoas brilhantes escrevendo foi que eu gostaria de tentar escrever algo. Então a razão pela qual meu personagem é egoísta e só pensa nele mesmo é que eu conheço alguém cujo caso foi esse por muito tempo. Então dar uma visão humorística àquilo, eu pensei, era interessante.

O quanto você estará na sala dos roteiristas no decorrer da série? Vai deixar com esses caras ou estará trabalhando nesse lado tanto quanto em frente das câmeras?
No momento estou lá o tempo todo, todos os dias. Estou tentando ter grande parceiros aqui, mas também quero ficar mais perto possível do centro criativo da série. Então antes de filmarmos, estou sempre lá. E quando estivermos filmando, teremos que aprender conforme “navegamos”, já que eu obviamente não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas é por isso que encontrar e trabalhar com esses caras é um enorme alívio.

Foi mencionado mais cedo que a idéia veio de você. Então estava me perguntando: a idéia foi para o show ou para o personagem? Você estava procurando por uma série e pensou, “Ah, se eu pensar bastante, talvez encontre alguma coisa”? Ou estava apenas dirigindo e de repente surgiu?
Eu estava interessado na possibilidade de fazer comédia novamente. E estava realmente interessado em escrevê-la. No processo de tentar achar parceiros com quem fazer isso, li uma tonelada de roteiros, e o melhor que encontrei foi o que esses dois caras escreveram. Pensei se não deveria simplesmente fazer essa série, e me dei conta de que o único problema com ela era que eu ainda não tinha escrito.

O quanto você parece com esse personagem e ele com você?
Gosto de dizer que esse personagem sou eu cinco anos atrás, antes de descobrir que precisava mudar, antes de ter um momento de iluminação. Mas me relaciono muito com a motivação de um cara egoísta tentando ter uma vida melhor, e o quão confusa uma pessoa egoísta ficaria se lhe fosse dito que o caminho para melhorar sua vida é tratar melhor as pessoas e se importar com elas. Esse é o personagem que achei que seria divertido explorar em um mar de pessoas disfuncionais, e um estádio como o lugar onde tudo irá acontecer.

Pelo o que vimos no piloto, parece haver algumas coisas inerentemente engraçadas em conduzir um estádio. Nunca vimos ninguém fazer isso na TV antes. Vocês conversaram com gerentes de estádios e descobriram histórias que podem ser usadas? Alguém do Madison Square Garden, The Forum ou Staples Center?
Sim, passei um dia com Lee, que trabalha no Staples Center, e continuarei enchendo o saco desse cara durante o processo. O que nos motivou a fazer uma série nesse lugar foi o fato de que se você tem uma família disfuncional trabalhando num local tão grande, se as câmeras estão ligadas, por mais malucas que algumas dessas pessoas sejam, elas têm que se recompor toda noite, porque 18 mil pessoas vão aparecer. Quando criança, eu ficava extremamente animado e emocionado para ir a esses lugares. Na época era o The Forum, e eu ficava realmente entusiasmado, assim como quem trabalhava também, provavelmente. Estávamos tentando pensar em um lugar onde as coisas mais interessantes e insanas podem acontecer. As primeiras de que estamos falando são: o show do Bruce Springsteen e, na noite seguinte, um jogo de futebol americano de lingerie. Esse é um episódio que estou verdadeiramente ansioso para filmar (risos). Porque elas são mulheres e estarão vestindo lingeries e jogando futebol, o que dá todo um novo significado ao termo ‘uso ilegal das mãos’ (risos).

Aproveitando, há planos para chamar convidados especiais? Selma Hayek seria uma ótima escolha, não?
Especialmente para o episódio do futebol com lingerie! (risos) Teremos convidados, mas não no início. Primeiro quero entregar a sensação de um show independente, com personagens consolidados, aí vamos pensar em trazer outras pessoas.

Quanto ao título da série, “Mr. Sunshine”, você diria que ele se aplica a sua personalidade? Você é uma daquelas pessoas que sempre vê o copo meio cheio?
Não. (risos) Bem, o lugar do qual estamos falando é o estádio Sunshine Center, e o título é levemente irônico porque esse cara, ao mesmo tempo em que é divertido, está começando a aprender como não ser um idiota egoísta. Então, acho que é um título levemente irônico.

Você já mencionou algumas vezes que sente que se tornou uma pessoa melhor nos últimos cinco anos. Aconteceu algo para fazer você decidir melhorar? E isso estaria ligado à sua decisão de começar a escrever para a TV?
Diria que para achar a resposta basta pegar qualquer jornal de 1996. Veja a capa de qualquer revista (risos). Sempre ouvi dizerem: “Escreva o que você sabe”. É um caminho interessante para alguém seguir em frente, mudar comportamentos terríveis para ser um cara melhor. Então sabia que se escrevesse alguma coisa, gostaria que esse fosse um componente nessa mudança pessoal.

E a carreira no cinema como vai?
Se estivesse indo bem, não estaríamos aqui conversando sobre TV (risos, mas com um ar de insatisfação).

Reportagem: Fábio M. Barreto, de Beverly Hills
Tradução: Isabela Cabral

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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10 thoughts on “[Entrevista] Matthew Perry e seu “Mr. Sunshine”

  1. Nos ultimos três anos devo dizer que TV tem mostrado muito mais conteúdo e originalidade do que o cinema. Posso estar errado, mas é a sensação que tenho aqui!

    O Perry é um bom ator, seu ultimo trabalho na TV foi simplesmente íncrivel e embora curto, vendo-o agora, sem a pressão dos números e apenas pelo conteúdo, a sensação que dá é de que mesmo cancelado, foi bem sucedido.
    Só espero que dessa vez ele tenha mais tempo!

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  7. Muito boa Entrevista!
    ACho ele sensacional, sei que ele teve vários problemas pessoas ao longo da carreira, mas espero que agora esteja tudo bem.
    Com certeza verei pelo menos uns 2 ou 3 episódios para ter certeza se vale a pena acompanhar ou nao

    abracos

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