Jon Favreau e seu novo Homem de Ferro

“Um filme como esse parece um grande banco: é impossível ir à falência!”. Assim Jon Favreau encara a continuação do extremamente bem-sucedido e elogiado Homem de Ferro. Durante visita ao set de filmagens de Homem de Ferro 2, Sci-Fi Newsconversou com todo o elenco e conta um pouco de como andam os preparativos para o retorno de Tony Stark aos cinemas.

Reportagem: Andrea Cangioli; Texto e Reportagem: Fábio M. Barreto
de Los Angeles

Um clima relaxado e calmo toma conta do set de filmagens de Homem de Ferro 2. Falta pouco para o término das filmagens oficiais [um semana], Mickey Rourke e Sam Rockwell já fizeram sua parte há algum tempo, mas o elenco principal está a postos. Enquanto Robert Downey Jr sai todo empolgado por ter terminado suas cenas logo cedo e vai aproveitar o resto do dia de folga, Scarlett Johansson desfila vestida como Viúva Negra, Don Cheadle se diverte com parte da armadura do Máquina de Guerra, somos avisados que passearemos pelo set diversas vezes. Numa delas seremos extras numa cena!

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Tudo é muito meticuloso, pelo menos nove câmeras de 35 mm estão posicionadas em torno do cenário. Há muito espaço dedicado à tela verde que, mais tarde, vai se transformar na Stark Expo, uma gigantesca feira de ciências patrocinada pelas Indústrias Stark. Algumas câmeras extras aparecem logo depois, são filmadoras especiais para HD. Servirão como parte da cena, mas também vai filmar para valer. Tudo bem pensado. Coisa de Jon Favreau. Ele não pára quieto por muito tempo, e sempre que pode conversa com os atores ou envia ordens com ajuda de seu diretor assistente.

Ao fundo, seus filhos se divertem com música e, por que não, as armaduras do Máquina de Guerra e do Homem de Ferro. Vez ou outra, a atração é o próprio Jon, que brinca e pula com as crianças. Na cena principal, ninguém perde tempo e os preparativos continuam. Vamos assistir à primeira apresentação do Máquina de Guerra e Don Cheadle, o “novato”, não sente nenhuma pressão. “Tudo aqui é muito democrático, contanto que façamos tudo que ele quiser” [gargalhadas], brinca. “Ele” é Robert Downey Jr, parceiro criativo de Favreau e líder natural do elenco. “A experiência de Robert foi fundamental para eu não me perder no meio de tanta preocupação com os efeitos especiais; falta ritmo visual, algo para se apoiar. Nessas horas é ótimo ter um diretor que também é ator, nos entendemos bem”.

Cheadle curte o momento, mas Gwyneth Paltrow e Scarlett Johansson passam boa parte do tempo conversando. Distantes dos jornalistas, numa área inacessível do cenário, o assunto parece sério. Gwyneth falando muito e Scarlett escutando com grande interesse. O clima se desfaz um pouco com a chegada de Ryan Reynolds, que espera pacientemente por Scarlett. Todos parecem se preocupar muito com os colegas, pelo lado positivo. Muita gente sorrindo entre as cenas, mas sérias ao extremo quando Favreau assume o comando.

A cena começa e os dois heróis se apresentam. Armaduras parciais do Máquina de Guerra e Homem de Ferro desfilam em cena. Repetidas vezes. O restante da vestimenta será incluído digitalmente, assim como no primeiro filme. Nesse ponto nada mudou: a roupa completa, criada por Stan Winston, continua sendo desengonçada e desprovida de mobilidade em cena.

As reações de elenco e equipe refletem a política tranqüila de Favreau, cujo estilo não dá lugar para pressões financeiras – diz se preocupar apenas com a responsabilidade criativa – e se previne para fugir da tendência de deixar cada seqüência mais tensa e sombria. “Os problemas podem aumentar, mas ficar paranóico e bancar o Batman não é necessariamente a solução”, descontraí. “Acho ótimo, mas não faz parte da nossa personalidade focar em caminhos auto-destrutivos”.

As filmagens continuam. Um a um, atores e o próprio diretor conversam com o grupo de jornalistas. Downey Jr. já estava longe há muito tempo, mas o clima positivo continuava. Aqueles pessoas sabiam bem da importância desse filme e se dedicam. Favreau continuava orientando e conversando com seu elenco. Aceitando a recomendação do estúdio de falar menos na internet [em lugares como Twitter ou Facebook], o diretor só parava de olhar para seu monitor quando os filhos o chamavam. É impossível falir um banco desses, mas Favreau sabe, que é bom não contar com a sorte, especialmente quando se tem certeza do que está fazendo.

JON FRAVREAU, UM COMANDANTE NADA SOMBRIO

Fale um pouco sobre o que vimos aqui no set.
É um pouco difícil de entender se você simplesmente entra e vê. É um pequeno pedaço de algo muito maior, a Stark Expo, uma feira gigantesca. Howard – o pai de Tony – costumava realizar esse evento a cada 10 anos até 1974, e agora Tony Stark retomou o projeto. É aqui que o mundo se une para mostrar suas idéias, entre elas as invenções pacíficas de Tony. É um de nossos espaços principais do filme, é onde começa. E aqui seu inimigo, interpretado por Sam Rockwell está demonstrando algumas de suas criações, mas elas não compartilham do mesmo objetivo de Tony. Então quando você vê aqui é só uma tela, mas na verdade vai estar no meio de 70 mil pessoas, em uma grande arena onde você pode ver Nova Iorque.

Você já sabe como vai ser a aparência do Homem de Ferro?

A aparência vai evoluir até maio, quando finalizarmos tudo. Começamos com esboços, desenhos, gráficos. Fazemos modelos em diversos programas e finalmente mexemos no CGI e achamos o visual perfeito. É um processo constante, mas esse é o começo de como achamos que vai ficar. Sempre podemos fazer pequenas alterações, se usarmos a armadura verdadeira podemos alterar algumas coisas.

Há rumores de que O Homem de Ferro 2 é mais intenso…
Sim. Os quadrinhos mostram uma visão sinistra do que é ser um alcoólatra, que é uma das coisas que Tony Stark tem que enfrentar. Queríamos mostrá-lo passando por problemas similares, mas é uma coisa muito intensa para se mostrar, se comparado ao primeiro filme. Exploramos algumas coisas, mas fazemos da nossa maneira, que é bem mais leve do que nos gibis, e com um pouco mais de humor e sem mostrar tanto as falhas da alma humana. Acho que é isso que o Cavaleiro das Trevas faz e não é bem nossa personalidade.
Ultimamente, continuações tendem a ser mais pesadas e sombrias. Você tenta se manter longe disso?
Sim, sem dúvida. Mas acho que a tendência é ficar mais sombrio, porque uma vez que o super-herói enfrenta os problemas do mundo real, situações mais internas surgem e elas não são nada simpáticas. Mas há uma maneira de fazer isso com um tom mais leve, e tentamos manter o tom parecido com os dos filmes que eu cresci assistindo, como os filmes do James Bond. Eles não tinham essa sensação de perigo, era focado na diversão, no fato de que as coisas não eram reais. E eu acho que Tony Stark é como um James Bond americano. Porque agora os filmes do James Bond estão perdendo a identidade, não fazem mais a ação com diversão. Esse clima é perfeito para o Homem de Ferro.

Trocar de papel, entre dirigir e atuar, influencia muito seu estilo de direção?

Acho que sim, porque sempre que escrevo alguma coisa me certifico de que tudo que foi escrito eu seria capaz de fazer ou falar. Tento evitar fazer as outras pessoas dizerem coisas que eu não conseguiria de um jeito convincente. Acho que isso me deixa mais sensível com as performances e acabo sabendo do que os atores precisam. Alguns precisam de mais liberdade, outros de mais direção. Mas eu gosto de deixar um ambiente aberto e livre para que os atores possam mostrar seu talento, e quando eu contrato alguém que é único e especial, como o elenco que eu tenho, eu não quero contratar grandes atores que façam os personagens sem emoção, como acontece em muitos filmes de ação.

Em qual desses exemplos Robert Downey Jr se encaixa?
Com ele é uma coisa diferente. Ele é um parceiro de verdade nesse processo todo e está envolvido com o roteiro desde o começo. Contratei Justin Theroux que é uma pessoa com quem ele já tinha trabalhado e gosta. Ele é um ótimo roteirista e nós dividimos todas as responsabilidades.
Você pode falar sobre a Scarlett? Por que não é alguém que se espera para um papel desses.
Para ser sincero, eu também não achei que ela fosse topar. Ela tem um carisma muito forte, ela é uma mulher muito inteligente e quando você encontra com ela, ela é muito cativante e, definitivamente, muito madura para sua idade. Fiquei entusiasmado com ela, ainda mais quando resolveu mudar o visual e o corpo para encarar a Viúva Negra. Ela é um arraso na frente da câmera, tanto que perguntei ao diretor de fotografia que tipo de luz ele estava usando, pois “era a melhor iluminação que já vi ele conseguir até hoje”, e o cara ficou sem jeito e disse “só joguei a luz em cima dela, mais nada”. A mulher é radiante!

O que esperar de Samuel L. Jackson?

Ele está de volta, e aparece mais do que no filme anterior.

Você entrou bastante no Twitter durante a produção do filme.
É, eu me meti em confusão por causa disso (risos).

Você está filmando em IMAX?

Não. Depois que resolvemos não fazer em 3D, conversei com o diretor de Força-G e ele disse que existem muitas questões técnicas. Onde deixar o foco, o fundo. Pessoalmente, gosto de 3D e gosto do IMAX. Acho que depois de assistir filmes que foram filmados em IMAX e ver as limitações disso, vi que não há muita diferença. E também temos problemas por causa do CGI, que também é afetado para filmar em IMAX. Também foi uma decisão da Marvel de não fazer. O Cavaleiro das Trevas sem CG ficou muito bom. Me pergunto como CGI se agüenta esse formato grande. Mas acho que esse é o futuro e fico muito animado com isso. Mas somos o oposto. Somos 235, que é widescreen no cinema, mas nos ajuda a evitar muitos problemas, por não temos que mostrar a virilha do Homem de Ferro. O que não fica bem em nenhum super-herói.

[Entrevista publicada na Sci-Fi News 139]

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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