[Especial SOS] Stan Lee – Parte I

Não acho que exista uma fórmula. É como nos velhos tempos, quando eu escrevia Homem-Aranha, X-Men, o Hulk, Quarteto Fantástico, e tinha que fazer uma nova história por mês, e problema era como criar algo novo, mas ao mesmo tempo igual ao que já havia sido lançado.

Há algumas décadas, falar com Stan Lee se limitaria a passar por uma aula sobre o mundo dos quadrinhos, as origens dos super-heróis e os grandes momentos dessa indústria, porém, com a evolução do assunto em Hollywood e os seguidos sucessos de bilheteria envolvendo algumas das criações de Stan Lee (X-Men, Homem de Ferro, Hulk, entre outros), ele ganhou nova importância ao poder avaliar e explicar muito do que seus “filhos” aprontam pelos cinemas, além, é claro, de suas próprias participações especiais na maioria das adaptações de seus personagens para as telonas.

Não dá para esconder a felicidade deste repórter ao, finalmente, conhecer um dos maiores ícones da cultura pop. A nova geração que se dane, curto os caras que começaram com tudo mesmo. Não leio muita coisa dessas novas sagas, pois elas se tornaram cansativas e, como cresci lendo X-Men e colecionei Wolverine desde o número 1 (sim, sei que o personagem não é do Stan), mas sempre tive grande admiração por ele. O encontro aconteceu em estilo coletiva de imprensa, mas depois foi possível ir cumprimentá-lo, dar um oi e marcar mais um capítulo feliz da história do SOS Hollywood, portanto, nada melhor que compartilhar isso com vocês hoje, no aniversário de 1 ano do site!

Confira a primeira parte do bate-papo! Claro, esse você só lê aqui no SOS Hollywood! Tradução do Oda! =D

Homem de Ferro 2 ainda nem tem roteiro e já ganhou os noticiários por conta da entrada de Don Cheadle no elenco. Gostou da mudança?
Terrance Howard fez um bom trabalho, mas tenho certeza de que alguém com a experiência e talento de Don Cheadle vai honrar, e muito, o filme e o personagem. Jon (Favreau) não vai deixar nada de ruim acontecer ao Homem de Ferro nessa aspecto, então podemos ficar tranqüilos.

O que você acha dos temas sombrios usados nas histórias de super-heróis?
Certamente ninguém pode falar que temas sombrios são ruins se você levar em consideração o sucesso do filme do Batman. É mais um caso de quando algo é bem feito. Aquilo foi feito de maneira magnífica, então não é o caso de “isso é bom” e “isso é ruim”, é o caso de “isso é bem feito”. Um exemplo de um tema sombrio que foi bem feito, Sin City. O filme do Batman foi bem feito. Se você pega um tema sombrio e o trata de uma forma ruim, ou piegas, vai ser uma bomba. E muitas vezes acontece algo como, por exemplo, faz um filme de faroeste e não tem sucesso e todos falam “ninguém quer ver faroeste”, e aí é lançado algo como Os Imperdoáveis e todos falam “Todos adoram faroestes”, e esse não é o caso. Fez sucesso porque foi bem feito, e é a mesma coisa com temas sombrios, se for bem feito, existem pessoas que vão gostar disso.

Como você acha que conseguiu ter sucesso em contar novas histórias para personagens que tiveram sucesso, sem copiar o que já foi feito, e mantendo-se fiel aos personagens?
Eu acho que se eu der muitas informações nossos concorrentes podem saber demais (risos). Não tem segredo, eu nem sei qual seria a resposta para sua pergunta. Você apenas faz o seu melhor. Há um personagem, você conhece esse personagem, aí surge uma história, e ela funciona, e então você aproveita a boa combinação. E aí é preciso fazer outra [história], porque é uma série. Então, aqui está o problema: fazer uma história diferente da primeira, para as pessoas não pensarem que estão lendo sempre a mesma coisa, mas tudo tem que se manter ligado à primeira história. Os personagens precisam estar do mesmo jeito, o roteiro tem que ter o mesmo estilo, porque se a primeira fez sucesso é desse tipo de material que o público gosta. Então é preciso saber balancear. É difícil. Não acho que exista uma fórmula. É como nos velhos tempos, quando eu escrevia Homem-Aranha, X-Men, o Hulk, Quarteto Fantástico, e tinha que fazer uma nova história por mês, e problema era como criar algo novo, mas ao mesmo tempo igual ao que já havia sido lançado. É algo que você vai aprendendo com o tempo, e se você tem sorte, consegue criar uma história, se não tem tanta sorte, você bate com a cabeça na parede e nada surge.

Há muito tempo não são mais criados super-heróis tradicionais, com uniforme e tudo, nem na Marvel e nem na DC. Talvez o último que surgiu e fez sucesso foi Spawn. Você sabe responder por que não surgiram mais novos super-heróis nos quadrinhos como antigamente?

De certa forma, Hellboy foi um novo [herói]. Ele não usa um uniforme… mas ele é novo. O que acontece é que, quando falamos de cinema, se o estúdio vai investir US$ 50 ou US$ 100 milhões num filme, eles preferem pegar algo que vai dar retorno, algo que já seja popular nos quadrinhos, então eles sabem que vão ter público. Eu não acompanho mais os quadrinhos, eu estou muito ocupado com a minha empresa, mas às vezes eu vejo só as capas de algumas revistas e eu acho que existem vários novos personagens. Existem vários escritores que estão sempre tentando criar algo novo, que serão o novo Batman, o novo Homem-Aranha ou o que seja. Eles sempre estão aparecendo, você tem que esperar para que o público se canse dos X-Men, do Homem-Aranha, Batman e Superman pra aí começar a ver coisas novas.



Você foi um dos pioneiros em criar universos divididos. Personagens aparecendo em revistas de outros personagens, e agora isso está acontecendo nos filmes. Era algo que você pensava que poderia acontecer, ou é algo que você acreditava que cada personagem viveria no seu próprio universo?

É uma coisa muito natural isso acontecer. Se você tem super-heróis, personagens, que vivem no mesmo mundo, não seria divertido colocar eles na mesma aventura? O público adora isso. O problema é que em termos de Marvel os personagens estavam espalhados por vários estúdios. Homem-Aranha está na Sony, Homem de Ferro na Paramount, então isso não é possível. A partir do momento que um estúdio só controla mais de um personagem, por que não fazer? E nos quadrinhos isso aconteceu por acaso. Eu escrevia cada revista separadamente, aí eu percebi que todos vivem em Nova York, então eles deveriam se encontrar. Foi algo muito natural.

Durante anos, adaptações de quadrinhos da Marvel sofreram pra chegar até as telas, e nem sempre o resultado final era satisfatório. O que aconteceu naquela época, e com a chegada dos Estúdios Marvel, o que muda nas adaptações?
Eu acho que dinheiro é a resposta. No passado, o primeiro filme que deve ter sido feito foi Capitão América, e era um filme com orçamento muito baixo. Deve ter custado uns 98 centavos (risos). O diretor era competente, mas nunca tinha feito um filme grande. E quando se tem um orçamento baixíssimo,um roteiro que necessitava de um orçamento maior, e pouca verba, então eles tiveram que contratar quem estava disponível. E eles tiveram que filmar o filme num espaço curto de tempo, para não gastarem muito dinheiro, e talvez o maior problema é que a pessoa fazendo o filme também não era um grande fã dos quadrinhos. Aí você olha uns anos depois e vê Homem-aranha. E o Sam Raimi é um grande fã de quadrinhos, um grande fã do Homem-Aranha, e um grande diretor. Ele queria fazer um filme do Homem-Aranha há anos. Ele teve a chance de fazer o filme e recebeu um orçamento enorme, os melhores atores que ele poderia escolher, a melhor equipe, e por causa disso ele conseguiu se manter fiel aos quadrinhos. Com o tempo, os estúdios viram que se gastassem o bastante, conseguiriam ter sucesso com os filmes da Marvel. Outro exemplo é X-Men, dirigido pelo Bryan Singer. Ele não era um grande fã dos quadrinhos, mas ele respeitava a história. Ele passou meses e meses conversando comigo e com mais algumas pessoas, leu praticamente todos os quadrinhos dos X-Men que haviam sido publicados, e realmente compreendeu a história. E claro, o filme foi um grande sucesso.

Antigamente, todos os personagens que você criou foram para editoras, então eles são donos do personagem. Mesmo assim, você sente orgulho ao ver os filmes e ver sua criação na tela?
Com os filmes antigos, como Capitão América, eu sinto um pouco de vergonha. Mas aí eu vejo os filmes atuais e fico extasiado. Por exemplo, o filme do Homem de Ferro me orgulha muito, porque ninguém esperava que fosse fazer tanto sucesso como fez. Todos diziam que o Homem de Ferro não era um dos grandes heróis da Marvel, mas sempre acreditei que ele fosse. Uma coisa interessante sobre o Homem de Ferro: quando lançamos a revista, recebemos muitas cartas de mulheres, mais que qualquer outro personagem daquela época. Eu ficava confuso com aquilo, mas não era um mistério tão grande. Ele [Tony Stark] é bonito, glamoroso, rico, machão, e também tem um coração fraco que precisa de cuidados [risos]. Era o apelo perfeito para as mulheres, mas nasceu meio que sem querer, pois não pensei nisso quando escrevi. Funcionou muito bem, de qualquer modo.

[Continua!]

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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5 thoughts on “[Especial SOS] Stan Lee – Parte I

  1. Stan Lee é o cara!!! [2]
    Li por aí que ele ia criar um novo universo de super heróis para uma editora chamada Virgin Comics não sei se é verdade…

    E puxa o SOS já faz um ano? Parece um mês.

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