[Entrevista] Milla “Leeloo Dallas” Jovovich

Nunca houve nem haverá outra Leeloo. É um personagem muito excepcional – Milla Jovovich.

Não é de hoje que Milla Jovovich é uma surtada. No bom sentido, claro. Com dinheiro vindo do mundo da moda, de seus filmes e, claro, da carreira do maridão – Paul W.S. Anderson – ela pode se dar ao luxo de curtir a vida, mas nunca deixa de trabalhar. E faz isso dando muita risada e sem fazer pose na hora de bater-papo, o que garante uma aparente sinceridade e alucinação a cada pergunta. Conheci Milla nas minhas andanças pela Comic-Con e fiquei impressionado com sua simpatia com os fãs, mas como lá todo mundo é gente boa, não dei veredito algum, mas depois de entrevistá-la com exclusividade para o SOS Hollywood/Sci-Fi News, tive a certeza de que se o mundo tivesse mais umas 20 iguais a ela, a vida seria muito mais tranqüila. Ou pelo menos mais engraçada.

Por questões logísticas que sempre afetam as junkets, fiquei com medo da entrevista com Milla, pois demorou mais de 1h30 para que ela chegasse ao quarto de hotel que funcionava como sala de entrevistas. Acontece e reclamar é fora de contexto, mas, normalmente, isso acaba com o clima e pode prejudicar o trabalho. Às vezes, o ator aparece macambúzio ou doido para ir embora, mas não foi o caso. E uma exigência da assessora pessoal da atriz quebrou o gelo. “Por favor, nada de fotos com sua câmera pessoal”. Bem, não perdi a bola pulando. “Então se usar a máquina da revista, que é corporativa, pode?”. Milla ouviu e já entrou rachando o bico.

A senhora Leeloo Dallas Multipass adora rir, se veste como dá na telha, não foge da raia e não gosta mesmo é de atirar em zumbis na franquia Resident Evil, cujo quarto filme, Recomeço, estréia hoje nos cinemas brasileiros. Longe da profundidade dos grandes diretores e sem correr riscos de se fazer de boba, Milla aposta no que sabe: ser graciosa. E, ao vivo e de pertinho, essa mulher é nota dez. Uma heroína que não decepciona.

Leia os melhores momentos:

Todas as revistas femininas que te entrevistam só querem saber da sua maternidade. Agora até eu fiquei curioso, isso mudou muita coisa?
(gargalhadas) Homens não me perguntam muito sobre isso! (mais gargalhadas) Mudou tudo. Agora meus focos são minha filha e meu trabalho; o resto fica um pouco de fora. Ela está comigo e faço as coisas que amo. Espero inspirá-la para que ela tenha uma paixão e faça aquilo que realmente gostar. Ela sempre me acompanha ao trabalho. Ela gosta bastante do set, sabe todas as regras. Temos um jogo que é ótimo. Quando sua filha tem um ano, você pode dar a ela tarefas para fazer: “Pegue a xícara.” E ela vai pegar a xícara. Se você disser: “Pegue a xícara e coloque-a lá.”, ela pode esquecer, após pegar a xícara, que você disse outra coisa. Então tento ensiná-la a fazer as coisas em ordem consecutiva. Funciona assim, eu digo: “Eu sou o diretor, você é a atriz. Quando eu disser ‘ação’, você vai pegar o bule de chá, colocar chá na xícara e dizer ‘Hora do chá!’. E então vou dizer ‘Corta!’.” Então, quando eu falei “ação”, ela começou a fazer as coisas em ordem consecutiva de acordo com o que ela lembrava. A cada vez eu adicionava um item para ela cumprir. E ela se acostumou com essa interação. Eu pintava minhas unhas de azul, mas para esse filme, elas estão naturais. Um dia, ela disse: “Quero pintar as suas unhas de azul.” E respondi: “Não, a mamãe precisa trabalhar.” Então ela ficou muito brava comigo e falou: “Tudo bem, eu sou a mamãe e você é o diretor.” E eu, como diretor: “Milla, por que você pintou suas unhas de azul?” e ela respondeu: “Porque eu gosto.” E eu: “Isso demonstra falta de profissionalismo. Que irresponsabilidade! Você está demitida!”. E ela “Oh, eu estou despedida?” e correu. Foi um grande desempenho.

Ela não fica assustada em ficar em um set como o desse filme? Zumbis para todo lado…
Fazia questão de checar o cronograma antes de levá-la ao set. Com certeza, nada de zumbis por perto quando ela aparecia por lá.

Nos filmes anteriores, havia mais zumbis do que neste. Digamos que você dedique menos tempo à matança em si.
Achou mesmo? Eu ainda não vi o filme finalizado, mas quando eu pulo do prédio, há muitos zumbis atrás de mim (risos). É tudo muito espontâneo e natural, então talvez eu não mate tantos zumbis neste filme. Mas, definitivamente atiro em muitos deles. Tentamos fazer esse filme ser diferente dos anteriores e também dos vídeo games, e também abrir mão de algo para dar uma oportunidade para que outra pessoa também tenha um papel para interpretar (risos). Nesse caso, Wentworth Miller e Boris Kodjoe precisavam compartilhar a ação também. Se for sempre a mesma coisa, ficará entediante. Apenas uma matança de zumbis.

Trabalhar com o maridão é bom ou ruim?
É ótimo! Fazemos filmes divertidos juntos. Tem um profissional da maquiagem que é muito amigo da Gena Rowlands, e ela sempre tem histórias sobre eles [Gena Rowlands e John Cassavetes] hipotecarem a casa pela segunda vez para conseguirem fazer um filme, ou sobre as vezes em que ela dizia: “Ou eu ou ele”, sendo que ‘ele’ era algum ator que ele havia escolhido. Ele dizia: “Pare!”, e ela gritava, batia a porta e ele tinha que gastar três horas passando bilhetes tentando convencer Gene a sair do quarto, pois ele hesitou quando ela disse “Ou eu ou ele”. Acho que isso deve ter sido muito difícil, mas havia tanto amor entre eles. E eles provavelmente são um dos times mais bem sucedidos de diretor/ator que faz esse tipo de filmes. Mas eu não sei se conseguiria continuar casada com o John Cassavetes depois do que ele fez Gena passar. Com Paul, fazemos esses filmes divertidos com monstros, ação, explosões, vôos. Então não é algo tenso. É cansativo, mas não é algo emocionalmente desgastante.

Agora que vocês casaram no papel, além das datas adicionais para lembrar, o jeito de celebrar mudou?
Essas datas acabam comigo! (risos) Escrevi um “romance” para ele, uma carta de seis páginas. E sabe o que é engraçado? Escrevi à mão e quando não sabia a grafia correta de uma palavra, ficava esperando três opções aparecerem na tela. Oops. Mania por causa do computador e do iPhone, eu estranhava, e então lembrava: “Ah, estou escrevendo a mão.” É incrível como nos acostumamos com essas correções automáticas. E você pensa: “Ué, por que ele não está me corrigindo? Ah, porque eu devo corrigir a mim mesma.” Eu escrevi a carta para ele, ele me levou para jantar…

Qual sua sensação quando nota que se tornou um nome forte no mundo nerd e que tem uma franquia de sucesso nas mãos?
Isso incrível! É tão raro. Quando você pensa em quantas mulheres participaram de uma franquia de ação e chegaram ao quarto filme… Alien é o único filme que me vem à cabeça. E é incrível que as pessoas gostem tanto da minha personagem. Isso nos permite continuar fazendo filmes, pois os fãs voltam. Eles me dão a chance de voltar a esse mundo e dão a chance ao meu marido de continuar dando vida a esse mundo. Tenho 34 anos e todos os adolescentes do país sabem quem eu sou por causa de Resident Evil. Garotos de 16 anos pronunciam meu nome de forma errada – aquela Milla Ioiovoiiich (risos) -, mas sabem que eu sou Alice.

Mas esse reconhecimento também se deve a O Quinto Elemento, não é?
Sim, mas com pessoas mais velhas. E algumas crianças, mas os pais precisam mostrar o filme a elas para isso. Viu o que aconteceu na Comic-Con?

O sujeito pediu para você falar “Multipaaaas!”. Adorei! Devo assumir que fiquei muito feliz! Aliás, O Quinto Elemento é um dos favoritos da família. Assistimos sempre que algum canal reprisa!
Nossa, que legal! Mas Resident Evil é um filme recente. Eu não sou a atriz de um filme feito 15 anos atrás; eu sou atual para essa garotada. Eles irão me ver no cinema no dia 10 de setembro. Entende o que quero dizer? É diferente. O Quinto Elemento é um filme que eu fiz há muito tempo, e as pessoas da minha idade ainda me reconhecem por isso. O Quinto Elemento mudou minha vida, foi a melhor coisa do mundo. Nunca houve nem haverá outra Leeloo. É um personagem muito excepcional.

Como é seu estilo pessoal?
Não sei. Provavelmente é um mundo de fantasia. Minha mãe estava maluca ontem porque voltei para casa depois passar meses usando as roupas que tinha em uma mala. Eu descobri uma calça que não usava há muito tempo, encontrei uma capa bonita e pensei: “A capa, o calça e a corrente no cabelo iriam funcionar.” E minha mãe disse: “Ei, onde você está indo?” e eu respondi: “A lugar nenhum, só estou descansando em casa.” [risos]

Como sua história e esses fatores te influenciaram?
Acredito que todos os aspectos da minha vida artística contribuíram para eu ser a pessoa que sou hoje. Sendo uma modelo, não só conheci os melhores fotógrafos e diretores de arte, como também conheci garotas que me inspiraram muito, estilistas, pessoas que me ensinaram sobre o mundo da moda, da estética, da fotografia, da arte. Lidar com esse mundo excêntrico definitivamente me ajudou a ser quem eu sou no que diz respeito ao meu estilo pessoal e ao que eu aprecio no mundo da moda. Isso me deu a oportunidade de ser uma designer. Talvez sem isso, eu estaria com uma capa e com uma calça como a que eu vesti. Minhas correntes e meu cabelo arrumado para a hora do chá! [risos]

Quando você conheceu Christoph Waltz? Foi por causa da revista de cinema?
Conheci Christoph no ano passado, logo antes dele ganhar o Oscar. O encontro rolou numa festa para festejar o início da produção de “Three Mosqueteers”, aliás, ensaiamos na semana passada.

Você começa a filmar em setembro, é isso?
Assim que eu acabar de promover esse filme, as coisas voltam ao normal.

Qual foi a última vez que um filme te surpreendeu?
Um filme que me surpreendeu? [pausa pensativa]

“Toy Story 3”?
Não. Não tenho visto filmes recentes, mas assisti a um filme antigo chamado “O sopro do coração” [em inglês, “Murmur of the Heart”], e o final foi bem chocante.

por Fábio M. Barreto, de Los Angeles

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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8 thoughts on “[Entrevista] Milla “Leeloo Dallas” Jovovich

  1. Vendo a simpátia dela dá até pra perdor a dobra radical que o universo resident evil teve nos cinemas.

    Não da pra negar o fato de que é um sucesso e a Milla é parte importante disso, muito simpática ela. Mais e mais sucesso.

  2. Milla vc manda ver nos filmes eu adoro ver vc nos residentes evil. Milla se vc ver esse comentario pofavor pegue omeu msn é o que esta ai:rodrigo_santanadajovem@hotmail.com eu preciso falar com vc sobre o sonho eu tenho 15 anos pofavor pegue o meu email:thank you milla jovovich:hey,boys.is that any way to treat a lady?

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