Christian F*#&ing Bale

Manhê! Estou na capa da Rolling Stone!
Rolling o que, filho? =D

Maio foi um mês muito especial para mim, pois realizei meu grande sonho profissional. Publiquei meus dois primeiros artigos na Rolling Stone. Ano passado havia feito uma crítica de Cloverfield – Monstro, mas foi bem pequena. Agora foi diferente, bolei uma bela pauta cinematográfica (clique aqui) e entrevistei ninguém menos que Christian Bale, por causa de O Exterminador do Futuro: A Salvação (leia crítica aqui). Fiquei muito feliz. Realizar sonhos deveria ser comemorado mais que aniversário ou datas obrigatórias, aliás, por que não celebramos nossas realizações e grandes idéias, em vez de ficar se preocupando com idade ou Natal? Maio do ano que vem tem festa! =D

Enfim, abaixo segue reprodução de texto liberado no site da Rolling Stone (clique aqui para deixar um comentário lá no site da revista, se quiser) da entrevista com Christian Bale. Obrigado a todos por terem ajudado a realizar esse sonho e espero que gostem.

Christian Bale

Texto: Fábio M. Barreto
Foto: Timothy White

Após Batman, ator solta emoções como o herói da humanidade em novo Exterminador

O dia amanheceu frio em Los Angeles, mas nada superava o clima gélido entre os jornalistas antes da chegada de Christian Bale: ninguém queria se arriscar a despertar a ira do ator que, semanas antes, havia explodido em fúria no set de O Exterminador do Futuro: A Salvação, quarto filme da franquia e com estreia nas salas brasileiras nesta sexta, 5. Quando surgiu na sala reservada à entrevista, o semblante de Bale era sério e concentrado, como se pedisse desculpas pelo alardeado vexame. Porém, não demorou a se descontrair e fazer piadas (ainda que contidas). Até o fim da conversa, felizmente, o bom humor permaneceu intocado – assim como o assunto “chilique”.
O papel de John Connor parece inusitado para você, especialmente depois de interpretar o Batman…

Não me parecia uma boa ideia entrar nesse universo agora. Gosto dos dois primeiros O Exterminador do Futuro, mas não gostei do terceiro. Recusei o papel na hora, mas [o diretor] McG insistiu para nos encontrarmos. Gostei do conceito, mas as ideias não estavam representadas no roteiro. E, se não está no papel, então não vai para a tela. Eu entendia como ele pretendia reinventar a franquia… Aliás, odeio o termo “franquia”, é muito corporativo. “Mitologia” soa melhor. Chegamos a um ponto comum e adorei poder deixar de lado a mesmice estrutural do “herói perseguido pelo exterminador”. Não busco reativar mitologias ou apostar em títulos consagrados para apoiar minha carreira. Batman ou John Connor aconteceram por coincidência. Roteiros me interessam; estratégias de posicionamento não.

Ser muito crítico ou exigente criativamente é ponto negativo no seu trabalho?
Pode ser. Um bom ator não muito conhecido apresenta um personagem ao público. Conforme a notoriedade cresce, menor é a habilidade de ser apenas um personagem. Inevitavelmente, imagens residuais desses papéis entram na sua bagagem. Mas se você não fica famoso, não consegue fazer filmes ou atrair dinheiro para os projetos. Vivi muito disso e vários estúdios me vetavam. Agora que sou reconhecido, é mais fácil viabilizar as coisas. Foram três anos tentando realizar O Sobrevivente [Rescue Dawn, de 2006] e não fiquei surpreso quando consegui sinal verde meses após a estreia de Batman Begins.

O que passava pela sua cabeça após seus primeiros filmes na adolescência?
Nada. Eu não tinha nenhum futuro em mente. Tinha 12 anos e estava viajando por cidades como Estocolmo ou Moscou e me mandei para a Escócia para tirar onda. Definitivamente, não era alguém decidido a continuar trabalhando. Acredito que o fato de viver numa família itinerante, ter frequentado inúmeras escolas e encarar diversas realidades me deixou suscetível a esse hábito de “incorporar outros papéis”. Tentava enrolar desconhecidos fazendo de conta que eu era outra pessoa, só para ver qual efeito isso causava [risos]. Pensando assim, já atuava naturalmente. Ainda bem que consegui atravessar essa fase e continuar normal, pois tudo indica que isso seja virtualmente impossível.

McG pediu para você ler alguns livros antes das filmagens. Aceitou as dicas?
Ele pediu para que lesse Blade Runner [de Philip K. Dick] e A Estrada [de Corman McCarthy]. Disse que li o Blade Runner, mas menti [risos]. Li A Estrada, um dos melhores e mais assustadores que já vi. É impressionante como a mente humana é capaz de se adaptar a situações desesperadoras. John Connor tem um pouco disso, pois ele é fantástico no momento de crise e na decisão sobre a vida e a morte, mas é péssimo socialmente. E ele se acostumou à ideia de ter sempre alguém querendo matá-lo [risos].

Como você trata seu corpo? Recebe orientação do médico sobre como se cuidar?
Parei de perguntar a ele [risos]. Acredito em disciplina e em força de vontade. Se acho que posso fazer algo, vou lá e faço. Disciplina no meu caso é algo bastante mental. Não existem grandes transformações físicas envolvidas nesse trabalho, exceto em casos muito extremos. Normalmente vemos adequações, mas transformação é algo mais brutal.

Você prefere usar dublês nas cenas de ação?
Tive o mesmo dublê em Batman e O Exterminador do Futuro. Gosto dele. Curto fazer cenas perigosas, mas tem horas que acho demais ser jogado contra uma parede depois de saltar de um trem. “Por que você não vai lá e faz?”, eu digo a meu dublê [risos]. Nesse filme, não houve tanta necessidade, em termos de contato físico. Se um humano encara um mano-a-mano com um exterminador, ele já era. Por isso, o filme foi mais focado em usar armas e atirar. Batman é mais físico, então o treinamento é mais exigente. Nesse caso, foi bem mais fácil. Nem senti o baque.

Como lidar com tantos níveis de emoção de seus personagens anteriores e agora recriar John Connor?
Connor precisava ser estoico. Se olharmos Linda Hamilton [que interpretou Sarah Connor nos filmes da série], ela não é impassível: é louca. Ele tem um pouco disso, mas especialmente a intensidade de ser um Connor. Nunca lidamos com a versão adulta de John, então há muito a ser criado ali. Ele é fenomenal como soldado, se mantém austero ao longo da vida, mas chega uma hora em que as emoções humanas irrompem. Acho que todo mundo é assim, temos limites e cada um sabe quando está prestes a explodir.

Você testa seus limites com frequência?
Depende do meu dia. O ambiente influencia muito, se acordei de bom ou mau humor. Estar convencido do que vou fazer durante o dia ajuda, mesmo que essa atividade seja apenas relaxar e conversar com os amigos. Nunca tive um parâmetro definido sobre como me comportar. Eu vivo a vida.

Leia a entrevista completa na Rolling Stone 32, ainda nas bancas.

rscapa

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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