[Heroes] Villains: lama a vista!

Acabou a estrada de tijolos amarelos na criação de Tim Kring

O começo da terceira temporada de Heroes foi marcado por expectativa e dúvidas, mas foi positivo. Uma nova direção na vida dos personagens empolgou e mostrou potencial, mas o desenvolvimento mostrou falhas. No meio do caminho, os produtores foram demitidos e quando tudo parecia se encaminhar para uma grande virada surge Villians, oitavo episódio da temporada, o ponto de definição para fãs da série. Agora vale a velha máxima: ame-o ou deixe-o. Infelizmente, as perspectivas não são boas.

Heroes passou duas temporadas criando toda a teia de situações envolvendo personagens como Peter, Nathan, Hiro e Sylar. Tim Kring e seus comandados definiram perfis, modos de agir, mocinhos e bandidos, ou seja, criaram todas as bases para um grande mundo povoado por pessoas superpoderosas. Desde o começo da terceira temporada, antecipei que o caminho mais seguro seria focar nas bases já delineadas e começar a resolver os problemas propostos para esses sujeitos. Entretanto, várias novidades foram introduzidas para a apresentação dos verdadeiros vilões. Sim, verdadeiros, afinal de contas, Sylar não passa de um sujeito mal-interpretado que matou metade do elenco da primeira temporada e tentou participar da destruição de Nova Iorque.

Logo de cara, um bando de gente maluca fugiu do Nível 5 – prisão de segurança máxima da Companhia –, mas, em pouco tempo, alguns deles morreram e parecia que o Peter do futuro seria o cara mau da história. Entretanto, fomos levados a acreditar nisso até que Linderman apareceu e aí nada mais fazia sentido. Linderman? Sylar ficando bonzinho? Mamãe Petrelli se transformando no anti-Cristo? Todas pistas falsas. O pior ainda estava por vir.

Tudo estava mudando, novos perfis, personagens, Ali Larter recriando sua personagem depois da morte de Nicki e aí veio a bomba: Villains, episódio da noite de ontem. Basicamente, uma mudança arbitrária e irreversível na condução da história. Cada vez mais, Sylar ganha ares de paladino incompreendido e os Petrelli passam a servir de exemplo supremo para famílias disfuncionais. Entretanto, o ressurgimento de Papai Petrelli reorganizou as estruturas desenhadas ao longo de duas temporadas. Ele se revelou como o vilão supremo, braço direito do tinhoso, sujeito capaz de botar medo em Darth Vader e provável melhor amigo de Hanibal Lecter.

Villains respondeu tudo referente ao plano para Nova Iorque, mostrou a ligação de Papai Petrelli com Linderman, mostrou Mamãe Petrelli escapando do controle mental de seu marido e, claro, colocou a culpa da maldade de Sylar nas mãos de Noah Bennet e, surpreendentemente, Elle. Pois é, tudo culpa da Kristen Bell! As respostas não são o problema, afinal de contas, Heroes sempre evitou grandes mistérios como Lost, por exemplo; porém, esse flashback gigante serviu para dar novo sentido a praticamente tudo que a série havia construído.

Claro que o conceito de “níveis de verdade” é sempre bem-vindo e pode ter sido considerado genial por muita gente. O exagero é latente em Villains, uma vez que não houve um simples acréscimo e sim uma grande modificação de informação. Muito mais que o verdadeiro vilão, o último episódio colocou absolutamente tudo da série em cheque, inclusive sua credibilidade. Heroes optou por algo muito mais radical do que o aumento na ação de The Sarah Connor Chronicles ou a chegada de Jimmy Olsen a Smallville, por exemplo, e basicamente jogou tudo que os fãs sabiam na latrina. Sem medo de ser feliz.

Agora fica a pergunta: quem vai continuar assistindo? E ainda mais, quem decidir continuar, vai estar disposto a rever seu conhecimento semanalmente, afinal de contas, depois de Villains nada mais é seguro, ninguém tem garantia de continuar vivo e duas temporadas de atenção aos detalhes não servem para praticamente nada.

I have a bad feeling about this.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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18 thoughts on “[Heroes] Villains: lama a vista!

  1. Salve Barretão!
    Eu sinceramente estou um pouco decepcionado com os rumos da série e o episódio de ontem ficou meio deslocado.

    Pra mim foi uma simples tentativa de dizer que todo o mal que vinha até agora era culpa do Papai Petrelli de forma a criar um SUPER VILÃO ou algo do gênero.

    Estou achando essa terceira temporada muito confusa. Não gostei dessa fórmula que Heroes está usando: enche de mistério e deixa pro último capítulo explicar tudo.

    Isso gera uma expectativa tão grande que acabamos massacrando os dois finais das primeiras temporadas.

    Pra não me alongar ainda mais quero apenas fazer uma ressalva sobre Sylar. Não sou contra a redenção dos “caras maus”, mas isso não pode acontecer em cinco minutos apenas com alguém dizendo “você é especial, eu sou sua mãe!” a não ser que algum poder tenha sido usado ali mas deveria ter sido explicado se for esse o caso.

    Sei que ficou comprido o comentário e ainda teria muito a dizer mas vou encerrar aqui. É apenas um desabafo de um fã que está vendo uma série de potencial gigantesco indo por água abaixo!

    Abraço!

  2. @ DoAssogue
    Então, estou contigo nessa. Realmente acho que tudo poderia ter sido melhor desenvolvido e redimir o Sylar do dia para a noite e agora mostrar que ele foi prejudicado pelo Noah e Elle ficou muuuuuuuuuuito, mas muuuuuuuuuito estranho!

    Como consumidor do produto, diria que me senti desrespeitado pela série, que modificou tudo arbitrariamente.

    abs e valeu! pode comentar o quanto quiser! :p

  3. Cara, eu achei muito estranho essa história do Sylar. Na primeira temporada, Sylar foi introduzido na história como Vilão principal, na segunda foi relegado pra um fraquissimo Adam, e agora na terceira tornou-se um coitado.
    Mas a verdade, é que foi tudo muito forçado, aquele casinho que ele iniciou com a Elle foi muito fake, nào passava realidade de modo algum.
    Heroes tentou fazer de si algo que não é: uma história coesa e com sentido. Mas na realidade é um monte de ideias juntas, sem um ponto central.
    Continuarei assistindo, porque sou masoquista, mas nào mereceria.

    Uma pergunta, a série vai dar uma pausa, por causa da saida dos roteiristas?

  4. Adorei a primeira temporada,mas desisti no começo da segunda.
    Me decepcionei muito, a série tomou um rumo que não está agradando ninguém, e olha que tinha tudo para dar certo.

  5. O chato mesmo é que o Villains é o Arthur e não vaaaaaarios vilões como prometido.
    Pois os fugitivos do Nivel 5 são uns palermas.

    E eu simplesmente odiei a Tracy, se fosse a Niki ali no lugar teria sido infinitamente melhor.

    No episódio Villains foi massa a story-line da Meredith.
    E quanto ao porque da fome do Sylar, achei bem explicado, é psicologica e passa quando ele tem afeto, tanto é que ela passa nos momentos com a Elle e passa tmbm no futuro com o filho, quanto a isso achei bem explicado, mas obvio que teria sido melhor se tivesse levado uns cinco episódio pra ele virar bom, assim assimilariamos melhor.

    Quanto ao Arthur, não acho que interferio em nada, pois só mostra que assim como o Linderman ele só queria criar uma nova ordem mundial dando controle do mundo aos seres com poderes, e por isso ele criou a Pineearst, pra dar poderes a todos, mas o Linderman se assustou com o ataque ao Nathan e falou tudo para a Angela que o envenenou e agora ele acordou, pecebeu que o primeiro plano, a explosão não deu certo e partiu para um novo, a Pinehearst.

  6. Ah, e espero que com a saída de um certo bundão – co*cof*cof*Loeb*cof*cof*cof – e com a provavel volta do motherfucker do Fuller, que as coisas voltem a ser como antes na primeira temporada, já que o Fuller foi responsavel não só pelo melhor episódio da série – Company Man – mas por todo a primeira trama envolvendo a Cheerleader e surpervisor das coisas que envolviam o “save the cheerleader, save the world”.

  7. Não achei “Villains” um episódio ruim. Obviamente, não chega ao nível espetacular de certos episódios, como o já citado “Company Man” mas não é tão ruim como “I Am become the death”
    Mesmo ainda estando muito confuso, com personagens indo para um lado e depois trocando subitamente, tudo aos poucos está se definindo.
    Para mim, “Villains” serviu para colocar ordem em Heroes, o que vai acontecer até o final da temporada. Algo do estilo “Essa confusão não está dando certo, vamos limpar isso, cortar as coisas e tentar segurar até o final de Villains, agradar com o final de temporada e levar o jogo para prorrogação, onde é ou vai ou racha.”
    O trunfo do episódio “Villains” foi usar somente três storylines, que é algo que faz a história fluir mais naturalmente, como em “Lost”, onde não há mais de dez histórias diferentes para serem contadas em um episódio.

    Espero que com a volta do Fuller e daquele ator de Damages que vai virar “O Caçador” a série consiga se reerguer, e vale lembrar que os episódios finais dos volumes de Heroes são excepcionais, mesmo que ás vezes o final decepcione.

    E Não devemos esperar que Heroes se volte a ser fantástico de uma hora para outra, como por exemplo no próximo episódio “It’s Coming” que provavelmente será só uma preparação para o eclipse

    Heroes está se colocando nos trilhos, resta saber se vai aguentar ou se vai cair de novo.

    P.S.: Adorei a descrição do Arthur Petrelli, o cara é from hell.

  8. Eu estava gostando da 3a temporada até esse episódio, péssimo e desnecessário. O Arhut Petrelli precisava ter sua história explicada, e isso foi feito até que bem. Mas as outras storylines foram ruins. A da Maredith não serviu pra nada e a do Sylar ficou confusa.

    Tipo, tudo bem ele tentar se redimir. Afinal, ele tem sérios problemas psicológicos, necessidade de atenção, e a FOME. Tudo somado, até faz sentido seu comportamento errático. Mas fica tudo muito jogado, mal organizado. E sobre o Noah ser um fdp, já sabíamos disso, não? O cara faz aquilo que for preciso.

    Agora, teve um argumento que sou obrigado a discordar, Barretão. O Arthur não é nem de longe “responsável por tudo”. Pelo menos não pelo aconteceu nas temporadas passadas.

    Vejamos: Ele ajudou a fundar a Companhia, era parceiro do Linderman e tinha planos para as pessoas com poderes. Mas quando foi traído e “morreu”, tudo que fez foi trabalhar para sua volta. Os eventos da 1a temp foram causados pelo plano do Linderman e da Angela, o Arthur não teve absolutamente nada a ver com isso. Na 2a temp, foi tudo culpa do Adam (e do Peter, que o libertou). De novo, nada de Arthur. Só agora, na 3a, ele conseguiu voltar e começar a agir.

    Eu tenho esperança de que Heroes continue. Gosto muito da série, ainda, apesar de todos os problemas. A demissão do Loeb é uma coisa ótima, ele é um demente de marca maior. Quem lê as hqs desse cara sabe do que estou falando.

  9. @ Roberto
    Sylar se regenerou quando mamãe Petrelli mudou a vida dele e quando o roteiro resolveu que ele é bonzinho. Ele só se aliou ao Papai Petrelli para poder quebrar a Pinehearst de dentro, afinal, pq vc acha que ele salvou o Peter quando ele caiu do prédio?

    Sylar se transformou no herói mais misterioso agora… nao foi no episódio do futuro que ele apareceu lutando ao lado do Peter? Entao…

  10. Uma das desculpas que sempre usei pra continuar a assitir foi a de que pelo menos Heroes não usa as mesmas fomulas de Lost pata me enrolar… nesse episódio teve flashback, flashback mostrando ligações de personagens que você não fazia idéia, cenas ja mostradas vistas de outro ângulo ou pela perspectiva de outro personagem e confusão temporal, toda hora aparecia ONE YEAR BEFORE … BEFORE WHAT?????? antes de qndo? antes da linha de tempo atual ou antes do último flashback ?

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