Comic-Con = Nerdistão!

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Até domingo, San Diego muda seu nome para “Nerdistão” e, logo no primeiro dia, pesos pesados ocuparam o cronograma de entrevistas, com direito a Tim Burton dando show e, a seu jeito, deixando todo mundo empolgado com Alice. Claro, Lua Nova de Robert Pattinson e Kristen Stewart foi o “prato” mais popular do menu.

Certa vez, algum desocupado sugeriu por aí que a San Diego Comic-Con é apenas fonte de informações e pólo de entrevistas. Verdade, mas não apenas isso. Aliás, encarar o maior evento nerd do mundo dessa forma seria limitar suas possibilidades e, por conseqüência, o próprio resultado dos bate-papos realizados durante a convenção. Há espaço para entrevistas, para registrar os acontecimentos e, sem a menor sombra de dúvidas, para se divertir. É um pacote. Sem curtir um, não se aproveita o outro inteiramente. É por isso que, em 2009, a cobertura do evento vai ser diferente, pelo menos no que me diz respeito. E tudo começou bem cedinho, ou melhor, ontem.

Não exagero quando digo que tudo é diferente. Ano passado fiquei no célebre Hostel Cat, que deveria ter rachado com o Borbs, do Judão, mas ele não veio e encarei o albergue sozinho. Por razões que fogem ao meu controle, acabei ficando sem hotel nesse ano, mas essa é uma das vantagens de morar em Los Angeles. Dá para dirigir ou, no meu caso, tomar um trem para San Diego. Melhor escolha impossível. O Amtrak é confortável, oferece belas paisagens e é ótima desculpa para conhecer muita gente nova [e é o lugar onde escrevo esse texto, aliás, com montanhas passando vagarosas no lado direito e as ondas do Pacífico quebrando contra surfistas que aproveitam o pôr do Sol para relaxar]. Logo, armei uma série de bate-voltas LA-San Diego. Agora me pergunte se comprei os bilhetes antes? True Blood me atrapalhou!

Quarta-feira foi dia de encontrar Alan Ball e seus comandados na fantástica série [ou seriam filmes disfarçados de seriado?] True Blood. Foi um dia intenso, cheio de conversas inesquecíveis – Alan Ball e Stephen Moyer foram particularmente brilhantes – e a idéia era comprar as passagens logo que chegasse em casa. Mas… e sempre existe um mas… pintou exibição de G-Force para a imprensa. Aproveitei que minha sobrinha estava na área e lá fomos nós para o El Capitan. Dois BigMacs depois, fui chegar em casa perto das 23h.

Bateu um medão de estar tudo vendido. E foi por pouco. Consegui comprar as passagens pela internet. Dormiria apenas 3h30, pois o trem sairia as 6h05, ou seja, acordar às 4h seria fundamental. Peguei um metrô do lado de casa até a Union Station e cheguei com 20 minutos de sobra [ano passado perdi o trem e fiquei esperando por 2h30. Não poderia acontecer novamente, especialmente por causa do cronograma].

PRIMEIRA MISSÃO
Tudo começaria às 9h30 com uma tarefa exclusiva: fui o único brasileiro convidado para a coletiva de imprensa de Lua Nova, continuação de Crepúsculo. O evento começou torto, aliás, não começou. Erraram o nome do hotel e todo mundo foi para um lugar do lado OPOSTO ao centro de convenções, ou seja, andamos até um lugar para descobrir que deveríamos estar ao lado do ponto de partida. Pensa que vida de jornalista é mole? Dá-lhe praticar uma “semi-corrida” por quase 1 quilômetro. Nisso dei de cara com a fila para o famigerado Hall H. Já era de perder de vista. Parecia mais organizada que sua versão caótica de 2008. Em sua maioria, fãs de Crepúsculo. Vi de tudo: garotinhas com broches de Edward Cullen; e bruacas com camisetas combinando e cara de psicopata. Medo desse povo!

O salão da coletiva surpreendeu. Gigantesco. Dentro do hotel Hilton, do ladinho do Convention Center. Proporcionalmente gigantesco era o pelotão de fotógrafos – profissionais e empolgados … oi! – vista ao longo do palco onde Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautner falariam com a imprensa. Insano descreve perfeitamente o sentimento.

Posaram para fotos por 2 minutos e começou o evento. Foi uma batalha. Repórteres de programas de peso como Entertainment Tonight, E! e canais locais eram chamados independente dos braços levantados desde o primeiro minuto – incluindo o meu! Afinal, sempre pergunto. Sempre. Tem gente que pensa diferente, mas é a vida. Não concordo com quem viaja para ficar calado e faço meu trabalho. E, naquele momento, minha tarefa era representar a Atrevida, da editora Escala, e entrevistar Robert Pattinson [único não presente nas mesas-redondas agendadas para mais tarde].

Briguei forte pela chance de fazer perguntas e consegui aos 49 minutos do segundo tempo, depois de um bicão vindo lá da zaga. Competir com os americanos [domésticos, como chamamos] é maluquice. Eles têm todas as vantagens e os assessores os conhecem melhor, então fiquei muito feliz da conquista. Well done pra mim! =D

Consegui twittar um pouco durante essa coletiva, mandei fotos pra Atrevida e até liguei a webcam para mostrar o “circo” pra chefinha. =D Achei curto demais. Cerca de 20 minutos de coletiva. Normalmente temos entre 30 e 40 minutos, quando se trata de uma coletiva. Mas essa foi particularmente curta.

O passo seguinte foi passar pela área de imprensa e pegar minha credencial. Bateu orgulho ao ver SOS Hollywood nela. =D Tive aproximadamente 1 hora antes de me apresentar para o batente nas próximas entrevistas. O dia estava apenas começando. Lua Nova só mostrou que não seria nada fácil.

SURPREZAS NO RANGO
Passei rapidamente pela feira, peguei algumas sacolas e fui surpreendido por seres realmente angelicais – selecionadas especialmente por Pepper Potts (e não estou falando da cadela do Borbs. Hehe) – para recrutar empregados para as Indústrias Stark! Isso mesmo, Tony Stark – O CARA! – quer contratar a gente [mais informações aqui]. Recebi o cartão de visitas mais estiloso de todos os tempos, todo de plástico duro e cheio de informações sobre como trabalhar pro Tony. Show de bola!

Ano passado não teve jeito e gastei uma fortuna comendo dentro do Convention Center. Se você tem planos de aparecer por aqui, NUNCA coma lá dentro. US$ 9 num sanduiche sem vergonha. Ou numa salada. US$ 5 num hot dog – pão e salsicha. É um assalto. Trazer comida é uma boa ou então tentar a sorte nos restaurantes da região. Fui passear e levei um susto.

O SciFi Channel, que agora se chama Syfy [mexeu no visual, incluiu mais Luta Livre na grade e deixou de ser o canal dos meus sonhos], montou um restaurante no quarteirão adjacente ao Convention Center. Pirei no conceito! Personagens de Eureka recebendo os visitantes, tudo tecnológico, visual altamente recomendável para quem gosta de ficção científica.

– “É aqui mesmo!” – pensei. Mas fiquei feliz cedo demais. No mínimo 40 minutos de espera. E eu estava sozinho! Imagina para uma mesa de 8 pessoas, umas 2 horas, pelo menos! =D A mocinha da recepção sugeriu que eu comprasse algo “to go”. Fui ver os preços: US$ 15 numa salada ou num misto frio. É mole ou quer mais? Corri pro Subway. Demorou, mas é infalível. Com 7 doletas comi um 6” de frango teryaki e uma Coca de 600ml. Tudo lindo! Syfy restaurant fail! Hehe. Comi o sanduba no caminho de volta.

Encontrei com o Erico Borgo, do Omelete, do lado de fora. Ele estava se armando com o Steve Weintraub para fazer as entrevista em vídeo. Dentro da sala, trombei o camarada Marcelo Forlani (ele tinha feito aquele Tá Chovendo Almôndega, ou algo assim). Era hora de TRON! Jeff Bridges, Thirteen (Olivia Wilder), Gary Eglund e os produtores e diretores de Tron 2 abririam a tarde. O papo foi ótimo, ouvi um “Great question, actually”. CHUPA! =D Ah, TRON 2 foi filmado totalmente em 3D! Quero ver! Jeff Bridges rocks! Go Dude!

TIM BURTON, O HOMEM, O MITO

As leitoras da Atrevida piram com o Pattinson – que ainda precisa comer muito arroz e feijão para ser alguém de qualidade, aliás – mas não é segredo para ninguém que Tim Burton era a entrevista mais esperada do dia. Ninguém sabia se rolaria, pois a Disney não confirmou 100%, a lista de jornalistas era grande [quem chegasse tarde perdia o lugar], e ele tinha desencanado de algumas entrevistas de TV. Tudo podia acontecer.

Ele apareceu. Jaqueta preta, óculos escuros, cabelo desgrenhado como sempre. Bem, ele é ele e não há dúvidas. Papo começa, consegui perguntar – claaaaro – e até curti que uns jacus de um site americano qualquer não conseguiram. Poxa, a Disney avisou que havia limitação de espaço, aí os caras aparecem com: fotógrafo, apresentadora, gordo 1, gordo 2, sujeito fantasiado [hum, ele perguntou e ouviu um “não”, pergunta boba, resposta curta]. Imagino quantas pessoas ficaram de fora pra que essa patota pudesse participar. Uma pena.

Enfim, adorei conhecer o cara. Malucão, simpático, direto e dizendo coisas interessantes para as matérias. Vai se encaixar perfeitamente na minha próxima capa. =D (oops, segredo!). Várias fotos! Cybershot da Dona Lu trabalhou hoje. Hehe.

KIRSTEN BELL E OS ASTROS TEEN
O fim da tarde reservada uma ótima surpresa visual e as entrevistas mais complicadas do dia. Conheci Kirsten Bell. Linda! Maravilhosa! Estonteante! Ela faz uma das vozes de Astroboy, ao lado de Freddie Highmore [um garoto que eu admiro bastante; adoro os filmes dele]. Contei pra ela que chorei em Fanboys, ela olhou pra mim, abriu um sorriso e disse: – “Muito obrigado, ganhei meu dia”. E eu podia encerrar o ano que tava valendo. Fanboys é tudo! Pronto!

Entrevista tranqüila, falamos sobre um eventual retorno a Heroes, carreira decolando no cinema e outras cocitas mais. Pena que de Astroboy rolou pouca coisa, afinal, eles não podem contar muita coisa. Veremos, veremos.

Acabamos falando com as beldades de Sorority Row, um filme de terror da Summit. Nunca vi mais gordo, mas quem está na Comic-Con tem que entrevistar. O r0cc0 adoraria estar ali, especialmente por causa dessa moça aqui ó. =D

E aí começou Lua Nova. Logo de cara, o diretor Chris Weitz, a roteirista Melissa Rosenberg e Ashley Green, que é bonita que só. E não parece em nada com uma vampira. Hehe. Muitas novidades sobre Lua Nova [confira na Atrevida, logo mais]. Aí veio a principal entrevista. Kristen Stewart e Taylor Lautner chegaram juntos. Kristen é meio doida. Agitada, sempre se mexendo, de certo modo, angustiada, sem conseguir colocar pra fora o que sente – pelo menos não de maneira satisfatória para ela mesma, por suas rações físicas – e chamativa com o visual Joan Jett [cabelo preto e curto, maquiagem escura e um modelito despojado]. Assim foi Kristen, que tem muito mais a dizer do que Taylor. O sujeito ainda é muito “verde”. Precisa de experiência, perdeu boas chances de mostrar o que sabe. Nada que o tempo não arrume.

E essa foi a última entrevista. Pouco depois, a sala seria tomada por jornalistas para as rodadas de entrevista para Avatar. Não fui convidado, logo, nada a comentar.

NADA DE PAINÉIS NO DIA 1
Em 2008, Borbs e eu armamos uma operação de guerra para estar em muitos painéis, eventos e entrevistas. Erro estratégico. É impossível. O negócio é escolher um e dedicar um dia a ele. Não dá tempo, é simples. Se você fica 3 horas na fila, o painel dura outra hora e meia, já era um período do seu dia. Como os painéis conflitam com entrevistas, eles dançam. Por isso, vou ver painéis pequenos dessa vez. Aqueles sem filas quilométricas. É uma pena a Comic-Con não ter um sistema melhor para a cobertura jornalística. Como disso ano passado, é muito fácil “dizer que é jornalista”. Banalizar a credencial impede que algo decente seja feito nesse aspecto. É ruim, pois os painéis dão base para as entrevistas e ajudam na matéria, mais para a frente, mas torna a cobertura solo inviável.

Claro que, em 2008, tive metade da carga de entrevistas desse ano, então foi possível encaixar mais coisas. Esse ano está tenso. Amanhã, por exemplo, a Sony vai ocupar meu dia. Vou ver um painel. E só. Estou conversando com muitos participantes, prestando atenção em detalhes, entendendo esse evento de forma diferente. Veremos.

O primeiro dia acabou cedo para mim. Passeei mais um pouco, twittei mais um pouco e segui para a estação de trem. Amtrak saiu para Los Angeles as 6 da tarde. Lotado e vai lento nesse momento. Devo chegar tarde. Vai ser tempo de publicar essa matéria, atualizar as fotos, ficar um pouco com a família e dormir.
Amanhã cedo, às 4h, começa tudo de novo. E vai ser isso pra mim. Só dois dias. O fim de semana é alucinante, lotado, impraticável. Vou escrever tudo que produzi, pois, além de tudo isso, estou em fechamento. Amanhã tem mais. Peter Jackson, Denzel Washington e Paul Bettany.Só dois dias, mas isso gera trabalho pra meses e meses.

Agora é hora de tirar uma soneca no trem. E torcer para que alienígenas não resolvam invadir a Terra hoje. Foi um trem desses que passou em chamas em Guerra dos Mundos. Já com saudades do “Nerdstão”. =D

Fábio M. Barreto

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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14 thoughts on “Comic-Con = Nerdistão!

  1. Pingback: SOS Hollywood
  2. Muito bom !!!
    Como queria estar no seu lugar …
    Mas tudo bem seus relatos são muito bons e explicativos.
    Otimo trabalho o seu …
    Mais uma vez parabens!

  3. Pingback: Lucas R. Maruo
  4. Pingback: xplastic
  5. Primeiro texto que leio do Fábio (acho que é esse o nome). Foi indicação do Rapaduracast, onde participou de dois programas.
    Queria só dizer que eu adoraria poder sentir a alegria de estar numa Comic-Con.
    Muito massa.
    Descrever esses eventos de entretenimento é sem dúvida um deleite para os leitores e alucinados.
    Esperando o 2º dia.

  6. Isso deixa nós nerds babando de vontade de estar no seu lugar! Mesmo acordando as 4 da manhã, comendo qualquer coisa ( apesar dos sanduiches do subway serem otimos xD)
    Adorei a materia!!! Espeo ansiosa as materias q sairão desse evento!
    Bjaum

  7. Demorei mas li………..ter ficado uma semana sem internet me atrasou, p/ o relato só li hj…..

    Aposto q deve ter sido alucinante!!!!

    Quem sabeum dia eu ñ vou né?

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