Hoj$ é F$riado!

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Americanos acham um absurdo a quantidade de feriados existentes no Brasil. Chegando aqui entendi que o problema não é deixar de trabalhar, mas sim o quanto se gasta em cada ‘folga’.

Aquela crítica social feita pelo Dr. Seuss em O Grinch pode até parecer uma coisa pontual e focada no maior de todos os feriados em termos comerciais, mas, muito mais do que a tradição brasileira permite, o surto consumista imbuído na comunidade norte-americana é muito mais absurdo do que a gente pensa! Por que isso? Hoje é Dia do Trabalho, feriado, mas todas as lojas estão abertas, afinal, descontos e promoções são a ordem do dia!

Desde que cheguei aos Estados Unidos tenho prestado atenção aos feriados, especialmente para entender como a dinâmica funciona por aqui. No Brasil, a gente aproveita para viajar, passear ou apostar num programa mais família e sossegado, afinal, para que serve o dia de folga, certo? Bem, aqui a coisa é diferente. Que os yankees são consumistas todo mundo já sabe, mas eu não fazia idéia da importância econômica que TODO feriado tem para essa cultura.

Há anos escuto americanos criticarem o Brasil por causa dos inúmeros feriados. No começo, pensei que isso fosse por só por causa do conceito patético de que “não trabalhamos”, mas agora dá para avançar um pouco mais nessa compreensão. Até pouco tempo, pensava que apenas as datas mais famosas causavam grande mobilização entre famílias, amigos e inspiravam o mercado. Bom, não é bem por aí.

A primeira data festiva que vivenciei foi o “feriado informal” celebrado com o SuperBowl, a final da liga de futebol americano. Todas as lojas entram no clima com recursos visuais e, claro, promoções para “aproveitar o evento”. E não estou falando só de supermercados ou padarias, não. Revendas de automóveis, lojas de móveis e até mesmo imobiliárias aproveitam o momento e mandam ver nos pacotes de vendas. Agora, o que móveis tem a ver com futebol? Tudo! Afinal, você pode querer comprar guardanapos temáticos e a loja de móveis oferece esse ítem, logo, você entra para comprar guardanapos e acaba comprando um grill novo para fazer o churrasco no dia do jogo. Ah, aproveita para comprar aquelas cadeiras novas para o jardim, assim fica tudo bonitinho quando seus amigos chegarem. Aja grana, né?

Porém, os carros eu não consegui entender. Bem, não logo de cara. Agora tudo fez sentido, inclusive a crítica aos nossos feriados. Aquele conceito bobo de que tudo é jogada de marketing é pouco para explicar a verdadeira função social e econômica desses dias maravilhosos e preguiçosos! No fundo, os americanos acham um absurdo a gente ter tanto feriado, pois, na cabeça deles, se gasta muito dinheiro em cada um deles, imagine como seria gastar tudo isso 20 vezes por ano? Tragédia financeira! Claro que eles acham que, além disso, a gente também não trabalha. Então, DANEM-SE! =D

Se pelo lado do consumidor seria um gasto excessivo, pelo lado das lojas seria o maior teste de criatividade. Como tudo é bem definido e não existem feriados novos, é só usar a decoração do ano passado, caprichar nos descontos e inventar alguma comida nova e pronto, vendas garantidas! Como garantidas? Bom, como todo bom consumidor, o americano padrão vai ao mercado no dia anterior ao feriado, compra um montão de comida, tudo que é necessário para preparar essa comida e para receber as visitas e passa o dia “comendo” o dinheiro gasto no dia anterior. Ah, esqueci de dizer que tudo entra em promoção. Quer comprar carne? 50% de desconto na costelinha assada! Compre dois refrigerantes e ganhe o terceiro na faixa! Toda linha de camas e cadeiras com 25% de desconto! Imperdível, compre seu carro e começa a pagar só depois das eleições! Isso me lembrou muito da antiga propaganda da TV: comece a pagar só depois da Copa! =D

É essa mesma situação em todos os feriados, seja SuperBowl, President’s Day, 4 de Julho ou, no caso de hoje, Labor Day. Os jornais não falam muito das datas, rolam algumas festividades, mas o coração do feriado está nas lojas, supermercados, shoppings e restaurantes, afinal, se você não vai receber nenhum amigo em casa – logo, não vai comprar um monte de coisas – é proibido ficar em casa! Saia já e vá curtir o dia em algum restaurante ou queime no inferno!

Não posso reclamar, afinal, estou montando minha casa e comprei um bocado de coisa nessas promoções. Mas confesso que fiquei assustado com tanto desconto, propaganda na TV, outdoor – SIM, AQUI PODE! – e panfletagem sobre os “descontos” para o Labor Day. No fim das contas, cada feriado é um mini-Natal consumista. Dia de Ação de Graças vem por aí e estou até com medo do que vai ser passar o primeiro Natal em terras gringas. Já não gostava dos exageros em nossa pátria, imagine aqui?

Enquanto, isso não tive escolha e mandei ver na reposição da dispensa e acabei descobrindo as fantásticas lingüiças italianas para a grelha! Impressionantes! Bom feriado a todos!

Fábio M. Barreto

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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