Diretor e Roteirista

Redescoberta Profissional

Redescoberta profissional: A partir de hoje, vou me dedicar exclusivamente ao estudo, prática, execução e aperfeiçoamento do trabalho de roteirista e diretor de cinema e TV. – Essa é a notícia, se não quiser ler mais nada, pronto. Abaixo, explico a lógica, os detalhes e o que muda daqui para a frente.

Entre 2011 e 2013, dediquei um bom tempo ao estudo do cinema. Fiz faculdade, quatro curtas, escrevi vários roteiros, trabalhei em uma porção de filmes independentes e, como dizemos por aqui, “fui picado pelo bichinho do cinema”. Porém, como a vida seguia distante das telonas e a literatura surgiu, acabei me afastando do cinema. Meu último projeto público, em vídeo, foi o Barreto Unlimited, no Youtube.

Cinco anos depois, o cenário do entretenimento mudou, o jornalismo cultural (aquele capaz de pagar as contas e feito profissionalmente) degringolou de vez e precisei questionar qual a minha função nessa dança toda. Falei um pouco disso nesse artigo. Acabei investindo boa parte dos últimos anos na literatura, que trouxe bons frutos como o CONTE, “Filhos do Fim do Mundo” (finalmente, depois de muita luta, foi retirado do mercado a meu pedido por N razões que, quem sabe um dia, serão reveladas), meus contos na Amazon e um novo projeto (com editora e tudo mais), em fase de redação com uma co-autora muito legal (deve sair no começo de 2018). Foi uma ótima experiência. Acreditei, acredito e continuarei acreditando nesse mercado, porém, minha localização geográfica e o idioma no qual escrevo cria um problema paradoxal: não sou autor estrangeiro para ser tratado bem pelas editoras, não sou autor nacional (local) para trabalhar no corpo-a-corpo com os leitores. Acabo ficando muito afastado e, sinceramente, isolado.

Por conta disso, precisei reavaliar minha realidade, escolhas, habilidades, objetivos e áreas de atuação para encontrar algo mais adequado a um contador de histórias, criado à base de livros e filmes, que mora em Hollywood e precisa começar a produzir para o mercado local. Ao longo de uma semana intensa, repleta de confronto com as verdades e reconhecimento de limites, fracassos, vitórias e impossibilidades, chegamos a uma conclusão igualmente lógica quanto desafiadora (meio insana, na verdade). “Chegamos” pois foi uma decisão tomada em família, ao lado da Dona Lu, pensando nas crianças e no melhor modo de garantir um futuro melhor para elas.

A decisão: a partir de hoje, passo a me dedicar totalmente ao estudo, aperfeiçoamento, prática e uso do trabalho como roteirista e diretor de cinema, TV e outros aspectos relacionados. Direção de audiobooks, narrações e até mesmo canais de YouTube entram nesse escopo, afinal, chegar ao cinema é a consagração de um trabalho duro e intenso realizado em várias mídias e âmbitos.

“Ah, mas você já não fazia isso antes?” Sim, eu fazia… também. Era mais uma das muitas coisas, sabe? Não era uma especialização, não era algo que eu estudava todo dia e praticava constantemente. Era algo perdido entre livros, projetos, atividades gratuitas, planejamentos de coisas que nunca saíram do papel, outlines de livros que morreram por puro desânimo, ou como reflexo da depressão que me assombra há anos. Com essa redescoberta profissional, apostarei no conceito do: fazer menos, para fazer melhor.

É difícil aceitar isso, mas mudanças reais só acontecem quando você aceita a verdade.

E o que isso muda? Bem, em termos de público, eu reforço duas coisas anunciadas ao longo dos últimos meses. Minha aposentadoria como analista /crítico de cinema (ainda vou falar sobre o tema em podcasts e em tudo que produzir, mas não vou mais escrever críticas) e a aposentadoria da primeira versão do CONTE, meu curso literário. Isso quer dizer que vou largar a literatura? Não imediatamente e não totalmente. Mas ela vai deixar de ser um foco imediato. Em termos diretos, e bem pessoais, vou parar de me preocupar com os livros e focar nos roteiros. Sofri horrores na mão da minha antiga editora e não estou afim de passar por isso novamente. Talvez não seja a hora, talvez eu não tenha “fama” suficiente… bem, eu não tenho mesmo… =D

<h2>Cursos e Projetos</h2>

O CONTE deve ter uma versão aprimorada, e mais prática, em algum momento (2018?!), mas ainda está na prancheta de planejamento. O Curso de Roteiro de Cinema continua – e abrirá inscrições para uma turma nova muito em breve, na próxima semana, alias – e vai ter muito a ver com essa mudança toda, afinal, como vai ser meu foco, vou aprender muito mais e poderei auxiliar os alunos de forma cada vez melhor.

Mesmo assim, o “projeto secreto” ainda está em andamento e deve sair em 2018. Talvez seja meu último romance por um bom tempo, mas vai ser algo bem pesado, forte e cheio de orgulho. “Snowglobe” está oficialmente na gaveta. E a nova versão de “Filhos do Fim do Mundo” também, embora essa, eu deva fazer no tempo livre assim que o “projeto secreto” estiver concluído. Razão: o roteiro adaptado do livro está rodando por aqui e o livro é uma força.

O Gente Que Escreve continua, afinal, ainda sou “gente que escreve”, só escolhi uma mídia específica para me especializar. Ah, sim. Escreverei em inglês, pois o objetivo é vender para o mercado anglófono. Escrever roteiros de ficção científica e fantasia em PT-BR é pedir para nunca ser produzido, infelizmente.

O Escreva Sua História – curso gratuito – entra em hiato, sem data para voltar. Assim como os grupos no Facebook

Como efeito colateral do novo rumo, também precisei escolher uma especialização técnica para garantir essa mudança profissional, pagar contas e, mais para a frente, ajudar a colocar o pé na porta dos estúdios e produtoras. Sempre gostei do trabalho de “color grading” ou “timing”, que manipula e define as cores de cada frame ou cena. Já me inscrevi em alguns cursos, comprei o software (vou de DaVinci) e vou começar a prestar serviços nesse mercado também. Quando a Universal relançou “Tubarão”, vi os técnicos do estúdio brincando com as cores e me apaixonei! Hora de aprender e ficar muito bom nisso! Alias, se você tiver um projeto de YouTube, fale comigo. Vou fazer vários freebies até pegar o jeito de Colorista.

Se são apenas “coisas que vou fazer”, não “coisas que fiz”, para que dedicar um post e compartilhar com tudo mundo? Eu poderia muito bem ter decidido tudo isso e ficado quieto. Mas… primeiro, preciso estabelecer esse divisor de águas, fazer uma risca na areia e ficar do lado certo. Segundo, para registrar o momento. Terceiro, para (assim espero), definir publicamente qual minha função, minha razão nesse mercado. Quarto, o site é meu! hehehe

Ao longo dos últimos 5 anos, reforcei demais o conceito do generalista, do faz tudo, do multitarefa e acabei sofrendo muito com isso. Mercados gostam de especialistas, de quem resolva problemas específicos e deixei de ser esse cara. Falei muito sobre escrever, mas passei tempo demais traduzindo, arrumando textos alheios e ensinando uma nova geração a escrever; mas não escrevi os dois ou três romances que deveria ter escrito. Falei muito sobre cinema, mas parei de filmar. Virei aquele cara que fala sobre fazer coisas, sem fazer tanto quanto deveria. Os contos da Amazon são bem legais e tenho orgulho deles, sem dúvida. Mas, para o leitor, o que vale é romance e isso não fiz. Cobrei qualidade demais, insisti muito numa abordagem profissional ainda muito nova para o Brasil e fui vítima de uma armadilha de criação própria: odeio fazer algo sem saber se vai ver a luz do dia. E isso foi um erro descomunal, não recomendo a ninguém.

Portanto, tudo isso acontece pela minha necessidade pessoal, profissional e emocional de voltar a ter propósito. Vai ser bom voltar para a faculdade (vou fazer aula de direção de Teatro, por exemplo, e começar o curso superior de inglês, para melhorar o idioma e garantir roteiros melhores; escrever literatura, em inglês, daqui muuuito tempo, é um efeito colateral) e saber onde quero chegar. O Wilson já boiou pra longe da jangada há um tempão e, agora, ou começo a remar ou é melhor pular na água de uma vez. Bem, escolhi remar.

E isso vai trazer vários resultados. Com o aprendizado focado, e os eventuais primeiros trabalhos, acredito que o Barreto Unlimited seja reativado e eu cresça mais ainda como consultor e mentor. Vou pegar menos clientes, mas continuarei ajudando. O Twitter vai mudar de foco, pois vou compartilhar muito do que aprender lá. Ou seja, menos literatura e vida pessoal, e mais cinema pelo ponto de vista técnico. Ter trocentilhões de seguidores não é a meta, vou continuar sendo sincero e honesto lá, mas não vou tentar ser pop ou engraçadinho. De uma coisa estou bem certo:

A partir de agora, o foco é o meu crescimento e a nova carreira. Justamente por ser muito difícil, não existe meio termo. É tudo ou nada.

Se vou ficar tão bom quanto Cameron e Spielberg, não faço ideia, mas, como tudo na minha vida até hoje, quando disse que chegaria a algum lugar – e dependia só do meu esforço -, cheguei e venci. Agora, porém, deve ser a escolha mais difícil de todas, pois, finalmente, vou parar de depender do Brasil e começar uma subida em direção ao topo do mundo. E, em Hollywood, ninguém sobrevive perto do topo. Ou você chega lá ou queima na reentrada.

Logo, subir é a última alternativa. Para o alto e avante!

Obrigado por acompanhar e por ler até aqui! Trarei novidades por aqui ou pelas minhas redes assim que puder! Por hora, estudar, escrever, filmar e estudar mais ainda.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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14 comentários sobre “Redescoberta Profissional

  1. “Portanto, tudo isso acontece pela minha necessidade pessoal, profissional e emocional de voltar a ter propósito.” Estou iniciando essa busca há 10 anos. Queria uma pessoa que me ajudasse com isso.

    Boa sorte no seu empreendimento. Espero que consiga chegar onde quer. E vou continuar esperando os podcastes e coisas do gente que escreve. Por mais que não haja respostas eu já entendi onde devo procurar.
    Sucesso.

  2. Barreto, acho louvável e muito corajosa a sua decisão. Não é fácil abandonar (ou deixar on hold) vários projetos e atividades. Digo isso porque também estou passando por um momento semelhante (mas eu ainda não tenho filhos, então fica só um tiquinho mais fácil), só que no caminho meio inverso. Eu sou do audiovisual e trabalho já há quase 10 anos no mercado nacional de cinema e publicidade, na equipe de fotografia também hehehe. Me desencantei um pouco com a área e com algumas coisas inerentes à profissão aqui no Brasil, mas isso são detalhes.

    Você disse que precisa ter foco, muito foco agora, mas, além de se dedicar como roteirista E diretor, planeja enveredar para a área de color grading. E isso me chamou a atenção.

    Não o fato de ser colorista e roteirista (eu mesmo conheci aqui no Rio um colorista bem conceituado que também já escreveu roteiros para vários longas. Ele tem um site com uns artigos muitos interessantes: http://www.o-colorista.com.br), mas sim começar em uma área que exige muita especialização para atingir um nível técnico alto, enquanto planeja se especializar em outra que você já conhece e que, justamente por isso, parece mais promissora. Não digo que seja impossível ter sucesso nas duas, mas certamente é difícil. E você disse que queria foco, então será que não é o caso de se especializar MESMO. Em uma ou duas áreas correlatas, como roteiro e direção?

    Espero que não leve a mal o comentário. Eu tenho certeza que você já refletiu muito sobre isso e não precisa que alguém que não sabe nada sobre a sua vida venha dar pitacos nela. Mas, justamente por estar de fora, talvez eu enxergue uma coisa ou outra que você ainda não viu. Como disse, estou passando por um momento semelhante e eu mesmo estou tendo que ter foco, muito foco para mudar os ares profissionais. É foda.

    Desejo muito sucesso no seu novo caminho! Um abraço!

    Ps: Fiquei feliz de saber que vai continuar com o Gente Que Escreve! 😀

    1. Fala Lucas, tudo bem?
      Entendo perfeitamente, porém eu preciso de duas frentes: uma que pague as contas agora (grading) e outra que pague as contas depois (roteito/direção). Você sabe q ninguém faz dinheiro con direção do dia para a noite, é um processo de anos.
      É outro aspecto do risco disso tudo. Não discordo do que você disse e levei isso em consideração.
      Por um lado, vai ajudar pois não dá para passar o tempo todo pensando numa coisa só, então grading entra como secundário. De qq forma, AMBAS as frentes levarão um tempo. E adaptação sempre é possível.
      🙂
      Boa sorte na sua jornada aí! Eu nao tenho o MENOR tesão para trabalhar no audiovisual por aí. Só escuto histórias tensas. Claro que consideraria, mas só com estrutura. Fui treinado aqui, então, a mentalidade é outra.

      Abração e muito obrigado pelo comentário!

  3. Sabe… Já me ensinaram que “quem quer tudo, acaba tendo nada”. Há vários contextos possíveis para aplicar esta frase.

    Talvez esse não seja a decisão que você queria tomar, mas é a decisão que deveria tomar. Levando em conta a sua nada simples realidade: Brasileiro morando no exterior, com um gênero de escrita fadado ao desinteresse mercadológico atual (talvez as palavras ficaram mais pesadas do que eu pretendia…).

    Eu, formado como Tecnólogo em Jogos Digitais, mesmo com o curso focando mais na programação, aprendi o geral, isso não dá certo mesmo. Entrei no CONTE buscando uma área de atuação. Minha primeira opção está em me especializar como Game Designer e, aprender roteiro ou como a escrever histórias, é um caminho que um GD pode seguir (e escrever é legal =D).

    Se você acha que esse é o caminho correto. Deixo aqui uma filosofia que tento seguir nestes momentos: “Só vai”.

    Talvez algumas coisas façam falta, para você e para os fãs. Cada escolha é uma perda, mas é melhor escolher o que vai será perdido agora, do que perder tudo.

    Conte com meu apoio… pelo menos enquanto eu não fico de saco cheio 😛

    Você é mais que um cara que produz um conteúdo que me interessa. Você foi meu professor. E se buscar em suas memórias da escola, vai lembrar que ninguém é chamado de “meu ex-professor”.

    Que a Força te acompanhe em uma vida longa e próspera.

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