[Cisne Negro] Um Sonho Despedaçado

Ela só queria ser perfeita. Ele só queria mostrar uma vida sem barreiras. Eles só criaram uma análise incômoda da vida sob os holofotes em Cisne Negro, com Natalie Portman e Vincent Cassel.

por Fábio M. Barreto, de Los Angeles

Darren Aronofsky é um estudioso dos holofotes. Nenhum detalhe da vida constantemente sob escrutínio público, independente de seu tamanho, lhe escapa. Cada momento de terror, cada sorriso vencedor, cada lágrima que cai quando ninguém olha para aquele canto escuro onde a alma busca refúgio da luz onipresente e da necessidade de ser bem-sucedido; da perfeição. Esses detalhes o abastecem. Entretanto, para estudar brilho, é preciso reconhecer a sombra. Ela pode não estar presente de forma definida e constante, mas está lá. Essa é uma certeza da vida. Dois lados, duas facetas, luz e sombra, uma dualidade eterna representada no conto do Cisne Negro e, agora, subvertido pelo estudioso Aronofsky, numa visita incômoda ao lado mais escuro da consciência: aquele que não reconhece limites ou ameaças. E é na penumbra do palco, sempre solitário e opressivo, que o balé soturno de Natalie Portman se inicia em Cisne Negro (Black Swan) dando origem a um ciclo intenso, mas possivelmente segmentado demais, de trevas.

Embora muita gente vá invocar O Lutador para avaliar Cisne Negro, o que não deixa de ser uma referência válida e necessária, tendo em vista a proximidade dos trabalhos de Darren Aronofsky, outra linha de raciocínio cinematográfico pode ser envolvida nesse debate: a metalinguagem apresentada por Christopher Nolan em A Origem, isso sem contar uma referência ou outra à comunicação de Tarantino com seu público em Bastardos Inglórios. Há duas forças maiores em conflito: a busca pela perfeição e o autoconhecimento. Seria simples, até mesmo prático, encarar essas duas motivações como elementos complementares e, se colocados na ordem [auto-conhecimento e busca pela perfeição], como a trajetória natural e produtiva do processo de amadurecimento. Porém, processos levam tempo. E o tempo é escasso, ou melhor, inexiste em Cisne Negro. Um acontecimento está em progresso, ou melhor, O acontecimento. Mas sua natureza é dúbia e propositalmente confusa numa ininterrupta mescla de realidade, realismo, super-realismo e devaneio descarado.

Entretanto, o engodo não tem por objetivo gerar uma reviravolta grandiosa aos moldes de Clube da Luta, por tratar-se de uma ferramenta dramática, quase uma dimensão paralela acontecendo simultaneamente à trama principal. Diferente de seus personagens, Aronofsky nunca mente ou tem dúvidas como todo comandante ideal. Atravessar a tormenta de Nina, personagem de Natalie Portman, é tarefa árdua em todos os aspectos da criação – desde a estrutura até a forma manifesta de seus conflitos – e o simples fato de concluir a jornada sem perder o rumo é algo digno de elogios.

Restringir os acontecimentos ao mero dualismo soa simplista demais, mas, de fato, é a pura verdade dessa dinâmica. A face pública que todos vêem contrapondo-se à face escondida, revelada apenas nos poucos momentos de solidão; no banheiro, na cama, numa rara tentativa de prazer ao se masturbar. Ambas buscando reconhecimento e satisfação, seja com a admiração pública, seja com a simples chance de existir. Duas personas no mesmo espaço físico. Esse é o dilema do Cisne Negro – apaixonadamente apresentado por Vincent Cassel, brilhando como o diretor teatral no roteiro, mas, na verdade, a personalização do juiz e carrasco do entretenimento. Seus olhos direcionam o desejo das platéias com a mesma arrogância com a qual decide quem morre e quem sobrevive no seu palco. Tamanha presunção tem sua função, pois ela é fundamental para instigar e provocar, confrontar e desequilibrar, exigir e exigir mais ainda. Sua postura é o elemento transformador, a fagulha que determina a liberação de uma energia devastadora em Natalie Portman. Espera-se violência de homens, glorifica-se o surto esquizofrênico de Tyler Durden, idolatra-se o sacrifício “saco cheio” de Randy The Ram, mas o assombro causado por uma delicada bailarina pode ser maior que a queda de um bruto. Perde-se tudo quando a mente se perde.

E tudo por causa das luzes. Dos holofotes. Nolan e Aronofsky parecem compartilhar do desejo pela discussão da importância da estrutura cinematográfica e sua influência na sociedade moderna. Enquanto Nolan cria um castelo de idéias sobrepostas para maximizar os efeitos de um conceito simples, fazendo da jornada algo memorável, Aronofsky não mede esforços para construir um calabouço de mágoas e, pouco a pouco, apresenta os elementos de uma bomba-relógio. Diferente do dilema dos sonhos, Cisne Negro é a realidade manifesta – em diversos níveis de compreensão – e com conclusão incontestável, cujas feridas vão além da transformação imposta sem dó nem piedade (seja por Cassel ou pelos holofotes que atraem a juventude).

Entrar em contato com a natureza instintiva e desregrada da versão sombria da personagem corrompe ideais e propõe uma realidade mais crua e sem limites. Nina tem um sonho e idolatra a bailarina que substitui. A nova e jovial promessa que idolatra a estrela decadente e autodestrutiva vivida por Wynona Rider, procurando meios de retraçar seus passos e repetir sua glória. Como encontrar sanidade se o objetivo em si é algo corrupto e falho por natureza? É um dos perigos da busca por um momento de satisfação e brilho intenso, mas momentâneo. Crítica social mais que válida, entretanto bastante afetada pela escolha de um meio já repleto de preconceitos e dramas pessoais, o balé feminino. Nina entra na espiral decisiva em sua vida, já devidamente marcada pelas privações do ofício, da paranóia pela concorrência e da piedade depreciativa pela mãe, ex-bailarina afastada pela gravidez precoce, mas ainda maravilhada pelo poder do palco.

“Perfeição técnica não supera a necessidade da emoção.”

Constantemente pontuado pela incisiva trilha de Clint Mansell, Cisne Negro levanta várias discussões e questiona uma sociedade de exageros – mentais e físicos. Mostra as reações desconexas de uma mente decida a criar sua própria versão da realidade, liberando desejos reprimidos, sonhos selvagens e atitudes impensáveis. Natalie contribui com fragilidade ímpar e explosão arrebatadora de sensualidade, enquanto Mila Kunis não foge muito de suas limitações. Barbara Hershey é a grande surpresa como a mãe devota e esperançosa. Trabalho admirável e digno de mais atenção que a alardeada cena de sexo entre Portman e Kunis. Natalie consegue ser mais sensual sozinha, ou numa mescla de sedução e dança com Cassel do que no rompante de luxúria com Mila.

Entretanto, para que tudo isso se encaixe, é necessário aceitar o pano de fundo. O balé e suas demandas, muito mais conhecidas na base do preconceito que no contato com sua realidade. É um cenário mais ficcional que a própria fábula para os desavisados. Conversava com o escritor Douglas Marques Comito [autor do romance Necrópolis, da Editora Draco] quando ele mencionou um possível paralelo ao “Clube da Luta para mulheres”, mas as semelhanças são pontuais. Embora provoque efeitos físicos, a violência de Cisne Negro é outra; muito mais resultado de pressão exagerada que da mente dividida do filme de David Fincher. Aronofsky mostra a queda de cada mecanismo de defesa, de cada passo em direção à treva. São duas histórias simultâneas colaborando para o final apoteótico. Tudo isso proveniente da dança com sua carga elitista e sonhos frágeis. Como se compadecer pela jovem bailarina que, diferente de outros dramas, consegue o que busca? Sua conquista é sua ruína. É o cão que finalmente mordeu o próprio rabo ou o pneu do automóvel que perseguiria. “E agora o que eu faço com ele?”, perguntaria o Coringa. Nina optou pela busca da absoluta perfeição permitindo que a ficção tomasse conta de sua vida. Seu desfecho é grandioso e, como mencionado, apoteótico. Perfeito por suas próprias palavras. E assim poderia ser Cisne Negro – perfeito –, mas a chave está na principal fala de Cassel: “perfeição técnica não supera necessidade a emoção”, ou algo assim. Aronofsky leva o espectador a buscar a perfeição e deixa a emoção nas mãos de Natalie Portman, que permanece meramente técnica até o final. O julgamento fica nas mãos da platéia. E da posteridade.

A música deixou de tocar. Os holofotes não se apagam. The show must go on.

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Nota pessoal: A Fonte da Vida é e sempre será meu filme favorito de Darren Aronofsky. Brilhantemente insuperável e profundo.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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35 comentários sobre “[Cisne Negro] Um Sonho Despedaçado

  1. Há dias venho te cobrando por essa matéria e finalmente saiu. Estava ansioso devido ao burburinho todo que venho lido a respeito e também porque desde que assisti Requiem para um Sonho e o claustrofóbico Pi, Aronofsky se tornou um dos meus diretores preferidos. E ainda tem Natalie Portman que acompanho desde O Profissional. Parabéns mais uma vez pela analise minuciosa o que me deixou ainda mais interessado em assisti-lo. Grande abraço.

  2. Belíssimo texto. Espero ansioso por esse filme, posto que Aronofsky é um dos meus diretores prediletos, e a Natalie Portman é uma das melhores atrizes de todos os tempos. Mas faço parte do seu time: “Fonte Da Vida” é uma das obras artísticas mais fantásticas que já vi. Acredito que “Cisne Negro” seja uma obra-prima, mas acho difícil o próprio Aronofsky superar o trabalho transcendental que ele fez em The Fountain; Bem como a música que o Clint Mansell criou para esse segundo, que pra mim é a melhor trilha já feita.

    1. Como bailarina o que tenho a dizer é finalmente parece que surgiu um filme que realmente retrate o que se passa em nosso muno (muitas vezes sombrio), estar na penumbra de um palco é estar em contato com a prórpia alma e suas duas forças. Administrar essas forçar é o que parece não ser fácil…

      Nem preciso dizer que estou curiosa para assistir ao filme!!!

      Texto maravilhoso do Fábio! Parabéns, sou sua fã!

  3. Assisti o filme uns dias atrás e agora li sua crítica, apenas uma palvra me veio a mente: perfeita.
    O filme é maravilhoso e o final, como vc disse, apoteotíco, sinceramente, os ultimos 30 minutos do filme me pegaram de uma maneira que eu não esperava.
    Parabens pela critica, ainda mais pelo paralelo com Fight Club.

    *Agora me senti obrigado a assistir Fonte da Vida.

  4. Olá Fábio. Seu texto é interessante, no entanto discordo dele em alguns pontos. Como vc disse o tema central de Cisne Negro é o conflito entre os opostos, a luz x sombra, o bem x mal, ou seja, ele já foi diversas vezes explorado no cinema. O que faz a diferença no filme de Aronofsvky é sua transposição para os bastidores da companhia do balé, lugar propício para que este conflito aflore com grande intensidade. Ou seja, a escolha de ambientar a trama neste ambiente não é aleatória, não é apenas um simples artíficio estético e funciona para explorar o lento processo deterioração mental de Nina. Nele, três personagens são responsáveis por eu gradual crescimento: o exigente e libidinoso diretor ( muito bem interpretado por Vicent Cassel), a mãe dominadora que vê na filha uma extensão de si mesma ( ótima atuação de Barbára Hershey) e Lily (Milla Kunis), que é aquilo que Nina gostaria de ser para atingir aquilo que julga ser a perfeição como bailarina. É justamente neste ponto que discordo de vc. Acho que a personagem de Kunis é a mola propulsora da insanidade de Nina. Assim, Kunis faz um interessante contraponto pois é vulgar, sexuamente liberal e competitiva, ou seja, faz exatamente o contraponto com a personalidade frágil, insegura e sexualmente reprimida de Nina. Ou seja sem uma boa atriz, o filme Conforme vc disse, a interpretação de Natalie Porteman é tecnica, mas eu me pergunto: poderia ser diferente? Afinal não se trata somente de um trabalho de interpretação mas também de composição de uma personagem que devido às cenas demanda o conhecimento de uma habilidade específica: saber dançar balé. Portanto, o trabalho dela deve ser avaliado não só por sua atuação como atriz, mas também como uma bailarina e se esse não fosse convicente o filme todo ruiria no último ato. Também vale ressaltar que Cisne Negro tem um desenvolvimento parecido com uma peça de balé. Começa de forma lenta para ao poucos chegar a um climáx apotético, que eu ousaria dizer é um dos mais comoventes do cinema nos últimos anos. Ao contrário do vc colocou, acho que a arte verdadeira e inspiradora de fortes emoçoes é aquela que é produzida com uma grande quantidade de paixão, dedicação e, às vezes como é o caso de Cisne Negro com uma certa dose de loucura. O torna Cisne Negro um dos melhores filmes deste ano e a obra-prima de Darren Aronofsvy ( apesar de ser plasticamente belo, A fonte da vida falha por sua pretensão em tentar torna-se uma história sobre profundas questões filosóficas sobre a vida e após a morte, mas que resulta em uma história que remente ao espirtua new age) é sua habilidade de construir uma pertubadora mistura de fantasia (que eu chamaria de gótica) com realidade, de modo a provocar estranhas sensações (que pode ser até mesmo de rejeição) no espectador. Quantos filmes conseguem isso? Poucos, acredito eu. Portanto, Cisne Negro é uma espécie mistura de Repulsa ao sexo, de Polansk com Willian Wilson de Poei dentro do competitivo no universo do balé, que ao ser focado (ou desfocado) pela lente de Aranofsky asume a dimensão de um terrível pesadelo, embora este seja de grande beleza estética. É isso. Abraço.

    1. Alessandro concordo com vc! Sou bailarino de Cia de Dança.
      Muitas vezes o bailarino não tem tempo (falou-se de tempo no texto) para uma vida social fora da companhia de dança. Geralmente são 8h de ensaio por dia, 6 dias por semana, as vezes 7 dias por semana. Quando chegamos em casa cuidamos de nossas dores, inflamações, machucados e cansaço. Acho que quase todo bailarino profissional já vislumbrou situação parecida a da personagem Nina. E só acompanhar o sucesso e a identificação de bailarinos de todo o mundo com o filme.

    2. Concordo com vc Alessandro. Lily é a mola propulsora para que as defesas obsessivas de Nina, no caso a técnica deslibidinizada que almeja perfeição, desabem. Lily revela os desejos ocultos, aqueles que Nina não poderia reconhecer como seus. Uma das cenas mais fabulosas desse filme é o olhar lacrimejante de Nina frente ao espelho após perceber que no lugar do corpo ensaguetado de Lily havia nada além dela mesma.O que a sustenta e permite a finalização de sua meta é a transformação Kafkaniana em cisne negro, mas ainda limpo e puro de qualquer desejo sexualizado . A divisão subjetiva se apaga e como cisne branco, ela também se apaga. Belissimo filme, atuação impecável de Natalie Portman que todo o tempo carrega no rosto as facies da tormenta psicótica.

  5. Parte de mim se sente inclinada a concordar que Natalie é meramente técnica, mas ela me ganha olhando no espelho, limpando as lágrimas com a resolução de quem sabe que o show deve continuar. Ali é o ponto alto, é a cena que qualquer uma menos envolvida emocionalmente teria destruido e tornado um exemplar do mais puro clichê, mas ela não só me convence como me arrebata.

    Quanto às comparações ao Clube da Luta (que é sem dúvida um filme para homens mas que nem por isso é menos apreciado e compreendido por mulheres, o que eu espero que inversamente também aconteça com Cisne Negro) eu diria que Aronofsky foi muito mais ousado que Fincher em termos de representação visual das alucinações. Jamais vou me esquecer da metamorfose final e de como ela parece natural, justamente pelo modo como Nina caminha durante todo o filme a passos lentos rumo ao lado negro da força.

    Finalizando, já que esse é meu primeiro comentário depois de tanto tempo em silêncio, queria só dizer que mesmo sendo uma leitora (mal) acostumada com as críticas curtinhas de outros autores toda santa vez que entro no SOS para ler algo seu acaba não importando se são oito ou doze parágrafos: eu sempre quero ler mais.

  6. O mundo do ballet não está nada ficcional neste filme como você colocou. Praticamente, é uma fogueira das vaidades. Não vejo esse excesso de técnica em Portman também. É um filme que fala de uma pessoa controladora, que não se deixa levar, portanto, ela é meio autômata já que uma pessoa que é assim tem que ser técnica, não se permite emoções, é praticamente um Spock. O ballet precisa de emoção mas é milimétrico, talvez. É um filme bastante fiel ao mundo da dança.

  7. É um filme muito bonito, com cenas belíssimas! Um filme de opostos, branco e negro, atormentado, como pode ser a vida pessoal de muitos em meio aos seus dilemas, porém, tais ambivalências, “branco e negro”, de experimentação de sentimentos opostos, são mostradas através da ótica do mundo do balé, aliás, aos que gostam de boa música e admiram compositores clássicos o filme é ainda mais atraente, mesmo sendo um drama psicológico, o filme está rotulado dentro da linha dos suspenses, mas no meu ponto de vista vejo-o como um envolvente drama psicológico, repleto de sonhos indizíveis, desejos reprimidos e emoções ao retratar a vida de uma bailarina, que tem que interpretar o cisne negro, no famoso balé: Lago dos Cisnes – um balé composto por Tchaikovsky no século XIX e obviamente idolatrado pelos russos- que se orgulham da Rússia ser o “olho d’água” do balé.
    Algumas situações do filme nos remetem a contradições e antíteses, entre o despertar e o lúgubre, vivenciadas em cada um de nós. Ao explorar a entrada do personagem numa espécie de espiral que beira a histeria, o roteiro vai inserindo situações cada vez mais intrigantes para que o espectador afaste-se de sua área de conforto e assim se envolva pelo que vê e, tal como a bailarina, fique sem saber distinguir o que é verdade ou delírio, realidade ou ficção.
    A atriz Natalie Portman tem atuação absolutamente natural, mesmo em momentos de pura densidade e lirismo exigidos pelo personagem que interpreta. Sua indicação ao Oscar é justa e fantástica, tal como a apoteótica cena da pirueta. Para aprender a ser ousada no palco, Nina, personagem de Natalie Portman, precisa aprender a ser ousada na vida, ser mentalmente forte para poder superar as pressões por todos os lados e conquistar seus objetivos é um dos relevantes elementos do filme, que mesmo para os que não gostam de balé, de dança, enfim, da manifestação artística evidenciada no filme poderá gostar do enredo se conseguir, o que não é difícil, tamanha a maestria da direção e da condução da obra cinematográfica, “entrar no corpo da dança de Portman para vencer seus limites, por mais tempestuosos que eles possam ser.” Excelente filme para ouvir, sentir, pensar, refletir, construir valores, desconstruí-los, se envolver, enfim, admirar e ver cada detalhe!
    DEIVSON CERQUEIRA GONÇALVES DAMASCENA.

  8. Vi o filme hoje a tarde com amigos e não contive as lágrimas. Os momentos finais carnais, confusos, ansiosos, envolvidos por cenas rápidas e uma trilha envolvente massacram o telespectador, fazendo deste filme mais um clássico de Aranofsky. Natalie levará a estatueta certamente. Agradeço pelo comentário preciso e tão carnal quanto o filme. Abraços a todos

  9. Infelizmente, o filme não me convenceu. Mesmo sabendo que o Cinema e Arte nenhuma têm compromissos com a verdade ou o plausível, a loucura da personagem não tem laços com a nossa realidade: loucura não é assim, o que é mostrado no filme não seria possível, precisa-se manter um mínimo de coerência para que possamos acreditar e nos envolver.
    As cenas de lesbianidade com a atriz Mila Kunis, que faz a Lilly também são forçadas, parecem feitas para agradar diretamente ao espectador heterossexual que possui a fantasia de ver duas mulheres transando.
    Falaram muito que é um filme que mostra o lado “sombrio” das coisas. Ora, esse lado “dark” existe em tudo e seria bem mais real e envolvente se mostrasse a vaidade, a inveja, o ciúme das pessoas com relação às outras, suas vinganças, sem necessidade de se usar da loucura ou do sofrimento mental para explicar esse “sombrio”. Não precisamos ser loucos ou loucas para fazermos parte desse mundo, com suas luzes e com seus apagões, eles estão aí, no nosso cotidiano. O terror do dia-a-dia e as maldades humanas não precisam da loucura para se realizar.
    Evidentemente, atuações esplêndidas, se bem que me cansa muito ver sempre um cafajeste libidinoso interpretado no cinema da mesma forma, sempre, mesmo que convincente como a atuação de Vicent Cassel.
    Sinto, por isso tudo, que o filme não vai a fundo em suas propostas, fica no meio termo, apesar de tentativas bem intencionadas.

  10. Cara, eu concordo com quase tudo o que vc disse mas divirjo nas conclusões.

    É um filme ótimo como apreciação da sétima arte, a interpretação da natalie Portman estava perfeita, se vc esperava mais emoção, vc não entendeu o filme!

    No entanto Black Swann não é um bom filme apar o entretenimento, me parece brochante um filme que instiga a autosuperação da personagem e termina daquela forma… Talvez neste ponto me falte a sensibilidade para achar aquilo apropriado ou como vc disse, “apoteótico”.

  11. Gente, estaria muito errada ao pensar sobre abuso sexual por parte da mãe?
    Motivos a achar isso:
    – submissão, falta de autonomia
    – infantilidade em demasia (meeeu ela tem 28 anos!), com ursinhos de pelucia, sem tranca no quarto
    – rejeição / medo / interesse contido em relacao ao sexo
    – ao alucinar que faz sexo com Lilly, ou se masturbar, ela alucina com a mãe nesse intermeio…
    – imagens borradas no quarto, n sabe que pintura eh (mae + filha)
    – mae diz: filha esta pronta pra mim

    So nao ve quem nao quer, encaixa com outras coisas tambem ne, Transtorno de Ansiedade e Quadro Dissociativo Delirante

  12. Uma nova narrativa interpretando cultura em Cisne Negro
    A perfeição cartesiana de uma, duas, três um tour pique em torno do ego perdido do humano moderno, me fez a luz paradoxal e nula do gozo nunca alcançado, não era verdade era arte competitiva, estabelecida por técnicas somada à não fruição do erro, mas o massacre do corpo, tal que se separa mutilado da mente breve como uma avalanche, chega a outra verdade, talvez a única que se faça no prazer cultural, a seduzida, com cabelos negros é a vontade, sem esquartejamentos pós modernos, sem divisão de corpo/alma, o estar sagrado é a fruição da vida, uma arte que deve seu impulso criativo `a fruição do acaso, o algo mais do que se tem, vem de repente, a ela dar-se-ia toda a sua espontaneidade, a virgindade da arte científica, da arte explicada, não da arte entendida, arte do alvo cisne seria levada ao extremo ocidente eurocêntrico representado pela frieza inglesa do capitalismo, levada a morte.
    Sufocada pela escolha tardia, pela liberdade que a fruição da vida nos dá. Odette e Odila remontando na origem dos nomes nos depararam com uma visão ocidental e oriental de mundo, na mesma carne.
    Ao perceber que o próprio nome é um jogo, que na verdade não existem verdades para a sedução, que a perfeição só pode levar à morte, à inanição da arte, e já a sedução destrói tudo o que encontra para partir do zero novamente, já que se existe um nível para perfeição seu fim existe, a sedução é astuta, é circular, não se importa com ângulos ou teoremas, ou sapatilhas que encarceram, sua universalidade é alcançada quando observador torna-se observado, a inveja foi impulso de sair do espartilho, a inveja é arma de competição sistêmica, a inveja tornou-se sedução, sedução do espelho, para alcançar outro patamar de perfeição, quem frui não participa destas regras, a regra é de acordo com a musica, como diz Jorge Ben Jor, tem que dançar dançando, não que não haja fidelidade a nada, mas se é fiel ao próprio desejo, a própria natureza de viver, conhece-se um grande amor, quando não se está preocupado no porquê da vida, mas em vive-la, compreende-la num olhar dialético, obtido através do espelho quebrado de mim mesmo, quando sua imagem se contraria e você se desprende da arrogância acadêmica.
    O preço de passadas cartesianas? É ter coisas sempre belas, extremamente simétricas, doentiamente belas, ocidentalmente corretas, politicamente vazias, sempre, sempre, sempre, com equilíbrio sombrio do estar certo, do imaturo viver livre, mas o atual mundo nos leva a liberdade de pensamento, basta aproveitar com fruição, isto virá mesmo que o pessimismo da elite artística não queira, como uma revolução descabida nas veias!
    Momento de olhar para o interior, não o separando como um bisturi psiquiátrico, não para o interior de uma alma que teimamos separar das atitudes, para o interior igual de todos, o vermelho,cor que caminha entre o cisne negro e branco, o sangue desfrutado pelos dois, uma sangue que não só flui, mas frui, despreocupado, um sangue que não quer saber da ditadura do saber, das notas e sobre notas da clássica melodia métrica, um sangue que infiltra nossa pele por prazer, por existir naquele momento e naquele lugar sem obrigação de sair da jugular por não agüentar a pressão e frustração materna do não feito, do remorso, um sangue que não pede desculpa, deve-se viver a vida como o sangue circula na veia, um sangue não iluminista, que não separa a práxis da teoria, um sangue de criança vivo, desencanado em sair por uma ferida feita na brincadeira, um corte feito num momento feliz, que escorre do feiche de carne como escorre o gozo pela perna no sexo, não no coito de reprodução, no sexo mesmo aquele que se faz por que se quer, um sangue que não conhece a virgindade dos sentidos, que se distrai com teoremas durante a semana, mas revela seu bordô verdadeiro a quem mereça, corre por correr, sente por sentir, sem medir a velocidade, sem espaço ou tempo, não calcula o volume de carbônico que nos dá de presente o oxigênio, para assim expulsarmos e criarmos o ciclo criativo da vida, ele é tranqüilo com a morte sabe que nela não há fim, com ver a primeira vez a cor que se chama vermelha, antes sem nome, entra-se na cor, vive-se a cor, expulsa-se a cor de si, mais ágil do que as melhores mentes, sabe que o fim é o começo, não presa alcançar o doentio equilíbrio do “homem do bem”, até a mais insensível máquina sabe, a repetição não leva à paixão, e sim ao desgaste, o caminho da paixão são os devaneios do mero acaso, do qual até santos podem errar, e o que é o erra ao menos que um ponto diferente da narrativa, o sistema sisudo não permite devaneios, ele que pessoas centradas, e insiste em dizer que a escolha é sempre sua, ele inspira a perfeição para que não dê tempo de pensarmos no prazer, sufocando pobres criança sem suas amarras as queimando no fogo do saber, fogo artificial a fluorescentes confundindo a noção de sol, como as mariposas de Marx, confundidas com a beleza do sintético, dispensando nosso desajeitado e humano jeito de ser, a perfeição não admite conflitos, só a violência para acabá-lo no caso presente o suicídio, movido pela obsessão à harmonia, sem admitir o conflito criativo, estamos parte de um corpo só sem escolhas, sem a hegemônica felicidade, conduzido apenas a girar a girar a girar, a gira da cultura destrutiva, para nascer a arte novamente, com luz desligada e a maestria da lua com sua sabia vontade de aparecer em cena.

  13. Tecnicamente o filme é perfeito, tudo está no lugar. Enredo, roteiro, atuações, fotografia…tudo da melhor qualidade. Porém não costumo julgar um filme por esses critérios, até porque não tenho formação em cinema. Sendo assim, o único critério que uso para qualificar um filme é se gostei ou não gostei e “Cisne Negro” é um dos que eu NÃO GOSTEI.
    Diante de todas as críticas positivas e prêmios que o filme ganhou, achei que devo assistir novamente para uma contraprova, mas enquanto não o faço minha opinião é a de que o filme é chato e cansativo, independente de suas qualidades técnicas que o levaram a ser tão prestigiado.
    Depois de rever essa película farei um novo comentário para dar meu veredicto. Por enquanto três ovos estão de bom tamanho.

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