Batman vs Superman: A Origem da Justiça

[Esta análise / resenha / crítica CONTÉM spoilers]

A rivalidade entre Batman e Super-Homem não é nova, mas ela volta à tona num momento oportuno por conta de alguns fatores. Nos Estados Unidos, o bipartidarismo está mais acirrado do que nunca, com a figura polarizadora de Donald Trump ameaçando o início de um regime tão maluco quanto instável, e dando força aos radicais que, há muito, não tinham um representante com força e dinheiro para chegar perto da Casa Branca. Por outro lado, é parte da batalha entre Marvel Studios e DC/WB, que ainda tem caráter de massacre por conta da melhor qualidade e resultados dos filmes de Kevin Feige em relação ao concorrente, que só encontrou sucesso com Christopher Nolan. E, num terceiro elemento, não imaginado, tampouco contemplado pelos estúdios norte-americanos, temos o Brasil começando a se descobrir politicamente e o fazendo da pior maneira política, com a mesma polarização, radicalismo e agressividade dos radicais do hemisfério norte. É um cenário curioso, pois tanto Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman vs Superman: Dawn of Justice) quanto o antecipado Guerra Civil (ambas sagas consagradas nos quadrinhos há décadas) chegam aos cinemas com campanhas de marketing que capitalizam na escolha de um lado. Quem você vai apoiar? O governo ou a liberdade? O idealismo ou o realismo extremo? O certo ou o errado? É o começo de um debate, mas, invariavelmente, ele passa pela qualidade da discussão oferecida pelos filmes envolvidos.

E Batman vs Superman chegou primeiro, realizando o sonho de fãs da DC e de Frank Miller (Cavaleiro das Trevas ainda é uma das maiores graphic novels já feitas sobre essa richa). Mas, para efeito de foco, apenas o filme será levado em consideração. Como disse, há dois lados. Batman preocupado com o excesso de poder na mão do Super-Homem, cujas ações – por mais bem-intencionadas que sejam – causam morte e destruição suficientes maiores que o Bem obtido. Do outro, Super-Homem indignado com a natureza justiceira de um Batman passando dos limites, decretando sentenças de morte ao bel prazer. É assim que cada um dos personagens vê o outro, logo, são visões unilaterais, nubladas pelos próprios medos, dúvidas e ansiedades. Ambos têm algo em comum: eles só veem o que querem ver. E é aí que mora o perigo, pois, mesmo sendo heróis e figuras ligadas à justiça e esperança, internamente, eles têm medo e este medo manifesta-se na forma de cegueira conceitual.

Toda a premissa do roteiro baseia-se nisso, na visão unilateral de cada um deles e na ausência de diálogo. As posições são formadas à distância, sem envolvimento, sem contato, baseado em efeitos colaterais e impressões. O resultado não teria como ser bom, nem relevante para o debate proposto, pela simples noção de que não as diferenças entre os heróis existiam baseadas no achismo. Isso piora tudo quando estamos falando do Batman, um dos maiores detetives dos quadrinhos, o Sherlock Holmes de Gotham, que cai numa armação praticamente infantil e nem mesmo tenta compreender o outro lado, por mais que seu Grilo Falante, no papel de Alfred, o alerte da estupidez em andamento. O roteiro sabe que o personagem é tolo e tenta sanar a própria falha, e nada funciona. Pois, do outro lado, a visão de Clark Kent não beira a infantilidade, pois uma criança teria feito mais perguntas do que ele, antes de pegar birra do Batman e resolver colocá-lo na linha. Como aceitar que um jornalista, que, por acaso é o Homem de Aço, não pesquise as vítimas do Batman antes de acusá-lo de estar aterrorizando populações carentes. O próprio filme nos mostra que esse argumento é furado, mesmo assim, afeta todas as decisões de Kent.

Um papo no café resolveria tudo

Esta conversa sobre falta de comunicação lembra muito o grande problema da estreia de Wally Pfister, o diretor de fotografia dos Batman’s do Nolan, com Transcendência. Lá também, a história toda é calcada na não-comunicação e os argumentos cairiam por terra caso um dos personagens resolvessem parar e bater um papo sobre o problema. Isso é, por si, errado? Não, mas basear todo o argumento em algo tão tolo é quase amador.

Por que a fixação nesse elemento? Bem, estamos falando sobre o confronto que vai moldar o universo cinematográfico da DC, catapultar o filme da Liga da Justiça e os demais filmes dos principais heróis. Batman vs. Superman é a pedra fundamental de todo o plano, logo, ele precisa ser sólido e permitir que ideias sejam desenvolvidas a partir dele. Ah, mas é um filme de super-herói, o objetivo é divertir. Seria, se não passasse de uma aventura infanto-juvenil, mas a proposta é claramente outra e Zack Snyder partiu para um filme com ramificações, com discussões fortes e profundas. Ele queria fazer um filme sério. Logo, jogando o conceito contra o resultado final, ficamos num lamaçal incômodo.

O filme diverte? Em diversos momentos, sim. É bem resolvido visualmente, tem um começo empolgante baseado no princípio de que quando você vira a câmera para o lado oposto da ação principal (a luta de Kal-El contra Zod), coisas fantásticas – ou terríveis demais para não sentirmos compaixão – acontecem. A execução foi primorosa. Snyder entende da linguagem. O problema é que ele não percebeu que faltava sustância na sopa que ele cozinhou. Saí do cinema com uma impressão boa, com uma nota 8 na cabeça, porém, quanto mais pensava sobre as implicações e conceitos, a avaliação foi caindo principalmente por conta do roteiro, mas também pela subutilização do Super-Homem, que é colocado diante de um dilema gigantesco – que vai definir o resto de seus dias na Terra – e como ele decide solucionar o problema? Ficar revoltado com o Batman, que, até então, estava fora do radar dele.

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Clark Kent não tem muitas oportunidades para se explicar, tampouco recusa a alcunha de deus dado a ele por aqueles que salvou. Sendo justos, e permitindo a defesa do diretor, as ações do personagem – exceto pelo Batman – dizem muito. Enquanto o mundo o castiga, critica e duvida, ele segue salvando, cumprindo sua missão messiânica, como o todo-poderoso benevolente. A dinâmica criada faz com que ele responda às palavras com atitudes, o que é honrado, mas não foi apoiada por alguns conceitos ou momentos de exposição. Ele tem dois desses, um com Louis depois do atentado a bomba e outro com a mãe, mas ambos são inconclusivos e ele ouve mais do que fala e, quando fala, é com pesar, sem esperanças. É irônico ver o símbolo da esperança passando seus dias desemperançoso.

Lex Luthor

E aí entra o vilão da história, uma caricatura desproposital e totalmente alucinada desde o primeiro segundo em cena: Lex Luthor, não um sujeito motivado pela ganância ou poder, mas um garoto traumatizado por uma infância violenta e uma necessidade compulsiva de destruir deus. Qualquer deus serve. E qual o mais próximo dele? Super-Homem. Ele manipula governos, interesses e pessoas sem o menor escrúpulo para se colocar no mesmo pé da divindade e subvertê-la, moldá-la, comandá-la e estilhaçar tudo que ela representa. Olhando assim, é uma dinâmica interessante, mas falta justificativa, alguma fagulha de dúvida que pudesse nos fazer pensar “será que o Lex tem alguma razão?”, mas o filme não oferece nada. Ele é assim simplesmente por ser assim. E o mundo se rende às maquinações primárias dele (uma delas envolve culpar o Super-Homem por execuções sumárias a bala; isso mesmo, Super-Homem matando pessoas com… balas; outra envolve sacrificar a própria assistente apenas para plantar a dúvida sobre a santidade do Homem de Aço nas pessoas que, exceto pelos manifestantes anti-alienígena, parece estar bem felizes com ele), sem questionar as motivações e objetivos. A alegoria é clara ao grande medo norte-americano de concentrar poder na mão de lunáticos (que vale tanto para Bush quanto para a assombração de Trump) e ver esta força utilizada da maneira errada, para os fins impróprios. Lex catalisa este medo e tem apenas uma arma: dinheiro. O que ele não pode comprar, intimida. Quem não intimida, destrói. É um erro exigir demais de um vilão? Não necessariamente. O Coringa subiu o nível do jogo e deixava claro: buscava o caos. Ele nunca enganou ninguém. Sabíamos quem ele era. Por outro lado, o nazista Smith (Rufus Sewell), de O Homem do Castelo Alto, se mostra um bom vilão por ser malévolo ao extremo, mas ter motivações, dúvidas e ser apenas uma outra versão da Humanidade. É um homem passível de compreensão pela audiência. Lex é apenas uma força destrutiva e desprovida de carisma. O monólogo final é, inclusive, desprovido de qualquer razão narrativa e só serve para dizer: tem coisa pior vindo por aí, pois eu matei deus e agora vou trazer o capeta para infernizar vocês!

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Pelo lado positivo, a grande jogada do filme – que, sinceramente, é do Batman e tem participação especial do Super-Homem – é dar uma guinada maluca na jornada de Bruce Wayne e, mesmo que jogado na cara, o leve do garotinho traumatizado que viu os pais serem assassinados a sangue frio até o papel do próprio assassino, quando confronta o casal Louis e Clark. O Batman vivido pelo gigantesco Ben Affleck é frio, matador e obstinado. Alias, ele caiu muito bem no papel e isso me faz lembrara polêmica, e de colegas da imprensa afirmando que ele seria substituído. Ele está cansado de lutar contras as ervas-daninhas que sempre vão infestar Gotham, então decide enfrentar um inimigo cuja queda vai alterar as coisas. Porém, ele não percebe que, no fundo, está lutando pela manutenção do status quo. Sem Super-Homem, Gotham continua cheia de bandidos, o mundo continua carente por um salvador e à mercê apenas dos humanos. Ele luta para que nosso purgatório continue só nosso. Por sua luta ser tola, ele cruza a última fronteira. Nas mãos do Coringa de Ledger, este Batman teria cometido suicídio, fácil. De qualquer maneira, este arco é interessante e faz pensar sobre a linha temporal que o criou, em tudo que perdeu além dos país e na insistência em ignorar Alfred. Quando seu único amigo não pode mais oferecer conselho, sobram apenas os fantasmas da nossa mente e, no caso de Bruce Wayne, isso não é coisa boa.

As perguntas levantas por Batman vs Superman são muitas, o filme é longo – embora não incomode – e as pontas soltas permeiam a narrativa, algo bem próximo ao erro cometido pela Sony em O Espetacular Homem-Aranha 2. Deve ser difícil decidir se um filme desse porte é, de fato, um filme ou o porta-estandarte para algo maior e muito mais lucrativo. E os sacrifícios foram feitos nos lugares errados, pois ao deixar de lado a maior parte do desenvolvimento dos dois pilares, ficamos diante de um filme circunstancial, no qual o foco de interesse – e relevância – pule entre personagens e lugares, entre ideias e tolices, entre heroísmo e covardia implausível. Estou exigindo plausibilidade num filme que coloca um alienígena todo-poderoso se batendo com um milionário porradeiro vestido de morcego? Essa falta de realismo vem das próprias pessoas. Do político que circunda as ordens do presidente (e ninguém percebe) para apoiar um lunático, do secretário de segurança que identifica um assassino, terrorista e que destruiu o Capitólio e permanece em silêncio, da nave alienígena que, num filme, reconhece quem não é criptoniano e, no outro, só precisa de impressões digitais.

O que Batman representa? Os interesses e a insegurança do Batman. O que Super-Homem representa? Os medos e as ações do Super-Homem. Um deixou de lutar por Gotham e o outro deixou de lutar pela Humanidade. A briga é épica? Com certeza. Mas é morna. Não é possível torcer para nenhum dos dois, não há envolvimento, não existe causa.

Heróina ao Resgate

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A única figura inconteste no filme é a Mulher-Maravilha. Ela oferece mistério, tiradinhas curiosas, beleza e, na hora certa, uma dose alucinante de pancadaria, valentia e poder. Impossível não tirar os olhos de Gal Gadot e vibrar com os golpes da personagem. Ela brilha por conta própria, mas a história facilita, pois deixa claro que tanto Kal-El quanto Bruce Wayne não conseguiram vencer a briga sozinhos; uma luta para a qual nenhum dos dois estava preparado. Ela aparece, dá um show e aquela vontade de ver um filme só dela.

Afinal de contas, ao longo de duas horas de filme, Apocalipse é sequer mencionado. Ele simplesmente é criado convenientemente na hora certinha para explorar a fraqueza do cuecão e acabar com ele. Neste momento, os spoilers que Zack Snyder tanto pede para evitarmos, se fazem desnecessários, pois qualquer um com conhecimento básico da história do criptoniano sabe o que acontece quando ele luta com Apocalipse (batizado por Lex Luthor, alias). A história se sabota. E pensemos num final alternativo, com os heróis sendo derrotados por uma criatura que fica mais forte conforme é atacada. Qual seria o resultado disso para Lex Luthor, a mente maligna por trás de um plano tão brilhante? Apocalipse destruiria o planeta. Não sobraria nada para Lex, nem mesmo o próprio Lex. Seria esse o plano suicida mais megalomaníaco da história? Aparentemente.

Não existe coragem em repetir o final de um quadrinho. Não existe inovação em fazer o esperado. E talvez daí venha a frustração dos que desgostaram do filme, pois todo mundo queria gostar. Todo mundo queria vibrar. Todo mundo queria embarcar na peleja entre dois guardiões do Bem, dois Heróis com H maiúsculo, e o que assistimos são dois garotos inseguros, brigando para se distrair do que realmente importa: aquilo que juraram proteger, a razão de existirem.

E, se me permitem um momento de nerdice mais descarada, o filme dedica uma sequência inteira que envolve uma visão de um futuro alternativo, de uma guerra sem fim entre os dois personagens, e uma mensagem (aparentemente entregue pelo Flash) [não ficou claro, então, se não era ele, peço desculpas de antemão]. Essa sequência é interessantíssima e parecia ser chave para influenciar toda a história, pois dada pinta de que Louis Lane seria uma peça fundamental no futuro do planeta, porém, não fica claro se a cena afetou o Batman na hora que escuta o nome da mãe e, depois, decide salvar Martha Kent, pois a mesa foi virada e, quando ele volta a ser herói, decide fazer a coisa certa e garantir o futuro pacífico. Será que foi só isso mesmo? Então, para que diabos toda a viagem no tempo se, sem essa cena, o morcegão teria enfiado a lança no peito do cuecão e fechado a conta? Ficou meio sem pé nem cabeça.

Agora o veredito está dado e é unânime: a Warner Bros. depende de Christopher Nolan para este tipo de filme. Todas as tentativas sem ele resultaram em motivações tolas, vide Lanterna Verde. Afinal, é muito fácil ser óbvio por conta da origem inocente dos heróis, frutos de outra época, de outro modo de pensamento, de outra mentalidade. Os heróis permanecem relevantes, pois representam algo e são essas temáticas e demandas que precisam ser atualizadas, precisam conversar com o público, precisam permitir a mudança da perspectiva, criar o debate. Os super-heróis são uma ferramenta que permite a jovens e adultos compreenderem partes do mundo que não compreendem de forma mais acessível, divertida e empolgante. Não adianta nada contar uma história desse tamanho e não sair do lugar. A Marvel bebe da mesma fonte e, embora eu não concorde com tudo que eles fazem, é claro que eles entendem muito bem esta relação.

Afinal, precisamos mesmo de duas horas e meia para o Batman lembrar que, olha só, ele é o Batman? Batman vs Superman: A Origem da Justiça pode até divertir, mas passa batido em relevância e erra o alvo da própria proposta. E nada de cena pós-créditos.

Marvel, agora é a sua vez.

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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9 comentários sobre “Batman vs Superman: A Origem da Justiça

  1. Pra mim, foi o Nolan que empurrou a DC/WB ladeira abaixo, com um modelo de Batman Else World que o próprio diretor assume não caber um Super-Homem e que a WB gamou de um jeito que quer forçar em tudo. Só quem poderia salvar alguma coisa seria Bruce Timm e Paul Dini, eles entendem dos personagens… Snyder, Goyer e Terrio mostraram que nunca leram uma HQ, só folhearam olhando as figurinhas e inventaram as histórias em suas mentes. Sem falar que Nolan nunca seguraria o rojão de um filme assim.

  2. Obrigado por enriquecer meus pontos de vista sobre o filme, Barretão!

    Eu acho que o Super do Snyder é um cara desesperançoso desde Man of Steel, e isso não combina com o Super que a gente queria ver (pelo menos por enquanto). Acabei de ver o filme e sua leitura me fez “baixar a bola” um pouco, porquê o filme me empolgou, na sinceridade. Como você disse, a luta entre o Bat e o Super é muito boa. Mas, pensando bem, os motivos são pouquíssimo explorados.

    E também acho que aquela figura misteriosa que traz a mensagem é o Flash e que estamos nos preparando para um futuro “Crise das infinitas Terra” no cinema. Pensando que a DC tem séries diversas (e, no geral, boas), um crossmedia épico seria imaginação tola? Sonhar não custa nada… Achei o Lex muito surtado e com cara de Coringa (ou talvez um charada?) e que usar Doomday foi desperdiçar um vilão muito poderoso só para “matar” (porquê, cá entre nós, o super não morreu) o bandeiroso. Mas ver Flash (Ezra!!!), Ciborgue e Aquaman (ainda que este último foi o que menos me convenceu) foi uma sensação muito boa;

    Não vejo a hora de um filme da Gadote como Wonder Woman, porquê ela no filme está maravilhosa.

    Desculpa o comentário longo, mas me empolguei.
    Mais uma vez obrigado por enriquecer meus pontos de vistas e me ajudar a pensar um pouco mais, sempre com uma boa escrita.

  3. Queria ter gostado mais porém os cortes de cena, os diálogos drámaticos soltos no ar, um lex meio coringa de ser e as batalhas curtas, tiraram meu sorriso do rosto. As únicas coisas boas foram o Batman (tirando alguns detalhes) e a mulher-maravilha (foda!).
    Uma pena… Mas a esperança não morreu. Ainda vai ter Liga.

  4. Eu fui ao cinema e gostei muito do que eu vi. Não entendi os comentários dizendo que o filme é sem ritmo, eu nem percebi o tempo passar. Fiquei realmente engajado no filme, mesmo com os furos de roteiro.
    Algo que não vi nas críticas, foi o fato de que tem muitas cenas do embate final entre os dois no trailer no filme. Aquilo foi meio broxante, porém, o filme se auto-recomensa com as cenas deslumbrantes do duelo da Mulher Maravilha com o Apocalypse. Eu adorei o filme, e meio que entendo o fato da divisão de opniões. Mas acredito que várias pessoas foram ver o filme procurando os erros em vez de apreciar. Ótima crítica Barretão!

  5. Adorei a análise. É muito raro encontrar uma análise sobre o filme que seja pautada em argumentos. A maioria das pessoas “gostou” ou “não gostou” e, por isso, o filme virou “ótimo” ou “uma bosta” pra essas pessoas. Não tem uma análise do que tá na tela, o uso de argumentos que a tela oferece para sustentar a interpretação. Obrigado por isso, Barreto!

    Eu tenho uma visão parecida com a sua, com uma diferença: eu tendo a ser muito positivista em relação à filmes e costumo relevar problemas pequenos se não atrapalham a execução das ideias principais. Acho que o roteiro de Batman vs Superman sofreu MUITO com a necessidade de “criar um Universo DC”. Tudo que é da Liga da Justiça, a Mulher-Maravilha (que é bem legal, mas não PRECISAVA estar ali).

    Pessoalmente, eu acho que tem uma frase em O Espetacular Homem-Aranha que explica um pouco a ideia por trás de BvS: “Eu tinha um professor que gostava de dizer aos seus alunos que existiam 10 plots diferentes na Ficção. Eu estou aqui para dizer que ele estava errado. Só existe um: Quem sou eu?”.

    Acho que o que o Snyder idealizou é justamente isso. Quem são esses heróis? Eles sabem? Esse tipo de questionamento é algo que a DC está colocando até nos quadrinhos nos últimos 5 anos. Se no primeiro filme o Superman não sabia se deveria esconder ou assumir seus poderes (quem sou eu pra eu mesmo?), nesse ele não sabe como se expressar para a Humanidade (quem sou eu pra essas pessoas?).

    Batman e Lex Luthor, por sua vez, são movidos inteiramente por traumas pessoas, o que afeta a racionalidade deles. A motivação do Batman nesse filme nunca foi “o poder que o Superman tem pode destruir a humanidade”, mas outro: ele não tem mais o senso de controle recuperado desde que se tornou o Batman. O Lex Luthor, por sua vez, precisa destruir Deus por um outro trauma infantil: o seu Deus na infância, seu pai, era alguém que o maltratava.

    Eu escrevi mais sobre a motivação deles nesse texto do Medium, com spoilers, se alguém se interessar a ler: https://medium.com/@leandrodebarros/batman-vs-superman-uma-história-de-pais-e-filhos-bfee8ded402f

    No fim das contas eu gostei muito de Batman vs Superman. Achei um filme corajoso (ninguém mata o seu principal herói nos cinemas) e com boas ideias.

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