[SOSCollege #7] Mãos à Obra

Chegando à locação de "Distress", meu primeiro curta.

Quase tudo pronto para as filmagens de Distress, meu primeiro curta, mas ainda é preciso lembrar de teses e provas concentradas nas próximas duas semanas. Tudo isso com direito a prazos estourados e bronca do professor!

por Fábio M. Barreto, de Los Angeles

Por onde começar? “Ah, pelo começo, Barreto!”, diria o atento leitor. Bão, não necessariamente, pois o começo ficou lá atrás e este que vos escreve está no meio de um rodamoinho maluco cheio de teses, redações, questionários e, finalmente, filmes! Demorei para essa nova atualização pela simples falta de tempo em meio a tudo isso. Tanta coisa para contar, tanta novidade para compartilhar e tão pouco tempo livre para isso. O SOS acabou sofrendo pesado com isso. Quando sobrava tempo para escrever algo além de roteiros, a preferência foi para os trabalhos pagos. Enfim, vamos ao que interessa: CINEMA!

Que saudades do começo do SOSCollege, quando as aulas eram diárias, mas abordavam apenas um assunto. Nesse semestre, preciso conciliar História do Documentário, Introdução ao Cinema e os Equipamentos (envolvendo lentes, câmeras, filtros, recursos das câmeras e filmes em si) e, claro, Técnicas de Filmagem. Desde o último relato, filmei minhas primeiras 20 cenas e levei a primeira porrada conceitual. Basicamente, essas tomadas deveriam ocupar 5 minutos de fita, sem edição. Agora, diga isso para a mente acostumada a sets de filmagem grandes, com diretores falando o tempo todo que é preciso ter a iluminação, enquadramento e ângulo perfeitos ou o filme fica horrível! Resultado, filmei mais de 20 minutos! “O produtor teria entrado em cena e encerrado suas filmagens, você estourou o cronograma e deu prejuízo!”, disse o prof. Kuntz. Ok, situação hipotética e sabemos que ele exagerou, mas entendi o recado: não se empolgue.

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Entretanto, veja só como são as coisas. Ele encerrou o filme com 5 minutos, e fui o único que não teve seu trabalho exibido na íntegra. A maioria do pessoal fez meio nas cochas e tal e aí tudo bem? Mordi, mas eis que veio a surpresa. Depois da aula, tivemos o primeiro workshop de edição (usando um eMac) e fui mostrar alguns quadros para o professor e adivinha? O infeliz elogiou e viu o trabalho de direção que fiz e disse: “você vai se dar bem nos próximos”. Me zoar na aula tudo bem, né? 😀

Fato é, ele está certo, pois os próximos dois projetos são filmes propriamente ditos. Logo, perfeccionismo cabe e ajuda na qualidade final. Não me arrependo de ter levado a bronca, especialmente por ter certeza da qualidade do que filmei. Muita gente fez com câmeras digitais e editou em casa, aí fica fácil, né? O exercício era “sem edição”, então sou mais ter sido fiel nesse sentido mesmo tendo estourado o tempo. Em tempo, filmem em mini-DV, ou seja, fita! Hehe.

Bom, lição aprendida. Como disse, logo depois, fui editar o material filmado e adorei a experiência. Fiz um trabalho bem decente, editando duas cenas com diversos ângulos. Numa delas, uma pessoa observava um carro; na outra, uma pessoa abria uma porta em long shot (corpo inteiro), medium shot (centralizando a maçaneta) e close up (só a mão abrindo a porta). A maioria do pessoal fez a segunda cena com dois ângulos: long e close up. Resolvi mudar colocando long shot, close up e o medium shot para mostrar o rosto da pessoa conforme ela fechava a porta. Super radical, né? Não, mas ficou legal e achei os pontos de corte certos. Quando juntei as duas cenas, da pessoa saindo pela porta e vendo o carro passar, os professores foram ao delírio. Hehehe. Enfim, curti a experiência.

Agora é hora da porrada. As provas começam amanhã, com entrega de 5 páginas sobre documentários [escreverei sobre Senta a Púa, filme brasileiro sobre a Segunda Guerra]. Aliás, é muito legal conhecer a gênese desse tipo de filme e ver como tem longa-metragem que rouba idéias de curtas. E é sempre bom poder parar por 2 horas e assistir Triumph of the Will, de Leni Riefensthal, e ficar fazendo conexões malucas com o que os nazistas faziam no princípio e onde suas idéias iriam parar. Semana que vem tem prova de Cinema 1, a matéria mais genérica e cheia de detalhes. Curiosidade: preciso levar meu próprio gabarito para preencher. Lembram na matéria anterior, quando precisei levar cadernos de redação?

Em termos de filmagens, dia 25 começa – efetivamente – minha carreira como diretor. É a primeira data de gravação de Distress, meu curta de fantasia. O roteiro está pronto há semanas. Os storyboards estão em produção, já escalei meus três atores [vou guardar a surpresa para um próximo texto, mas a atriz principal já filmou com Denzel Washington e John Travolta! ;)] ainda faltam dois; e assim que publicar esse texto, saio para procurar locações, basicamente, uma floresta. Uma caverna também está nos planos. Provavelmente, vou filmar com duas câmeras digitais fullHD de 10 megapixels, pelo menos. Veremos. Divertido vai ser adaptar filtros de cor em câmeras com lente fixa.

Vocês não têm idéia da burocracia necessária para filmar qualquer coisa em Los Angeles. Eles tem estrutura para tudo, mas exigem tantas autorizações, seguros (filmar sem seguro, nem pensar) e formulários para deixar qualquer um maluco, especialmente quando o foco é realização criativa!

Enfim, assim dá para atualizar um pouco o andamento das coisas e voltar a escrever. Quer dizer, escrever por aqui, pois os roteiros e matérias para veículos impressos não param, além de tudo, estou quase acabando meu primeiro livro. Filhos do Fim do Mundo! 😀 Sai esse ano ainda!

Até a próxima!

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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