Sombras no Horizonte

Muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão! Nunca se esqueça disso, pois as conseqüências podem ser catastróficas.

Como comentei no texto anterior, aqui na seção Blog, o mês de julho foi uma das coisas mais infernais e intensas pelas quais passei nesses quase três anos de Los Angeles. E o velhinho aqui sentiu o baque, físico e emocional. Adicione a isso um mês de muito trabalho dedicado ao site, que vem crescendo bem com o acordo com o Portal MTV, e o resultado não podia ser outro: kaput! O tal do problema na perna piorou e, para ajudar, uma coisa que estava tentando esconder de mim mesmo se tornou algo tão complicado que não adianta mais torcer para melhorar -porque não vai, afinal, não tem cura. Meus olhos estão começando a trilhar um caminho assustador e incerto e tem piorado a cada semana, pois tenho uma coisa chamada “floaters”. Basicamente, umas manchas negras resultados de stress na gelatina do olho, que provoca o contato entre diversos pontos nervosos e eles se manifestam como essas manchas. Todo mundo tem uma pequena parcela disso, especialmente quando olha para o Sol, aí aparecem aquelas coisinhas se movendo no campo de visão, pelo menos foi o que médico disse. No meu caso, porém, essas manchas são fixas e estão crescendo. Muito. Começou com uma pequena manchinha, na viagem para os Estados Unidos, em 2008, e agora há uma colônia de férias delas. Faça chuva, faça Sol, lá estão as maledentas.

Como disse, claridade é um agravante e qual é a cor da página do Word? Branca. Ou seja, trabalhar de óculos escuros tem sido a solução por mais ridículo que aparente. De qualquer forma, isso tem desmotivado – e muito – no trabalho, pois tem causado certo desespero ter que lidar com isso e saber, por pelo menos 3 médicos, que não tem cura, nem tratamento, nem previsão de melhora. A única orientação é “você tem que agüentar”. Bom, fácil falar quando não é o seu campo de visão que fica cheio de pontos pretos. O negócio é, em português, claro: tá foda!

Torço para que você nunca saiba o que é não poder olhar para o céu claro e vê-lo pelo que ele é, ou mesmo olhar para as pessoas que ama sem ter aqueles pontos se movendo e atrapalhando cada momento. Com a maldição da internet, corri para pesquisar mais sobre o assunto e descubro casos de tanta intensidade que ler fica difícil ou mesmo impraticável. Se o estado atual já me desconcentra pesadamente, imagina, sei lá, 20% a mais que isso? Medo, muito medo. Esse problema foi relatado pelos romanos, ou seja, danou-se. Vou morrer com isso, mas espero chegar lá enxergando, o que não é algo muito provável, especialmente sabendo que minha avó tinha problemas sérios com catarata e minha irmã mais nova já teve que operar os olhos.

E o que isso tem a ver com o começo desse texto? Bem, meu trabalho é minha diversão, minha paixão. Amo escrever. Faço tudo isso por crença na utilidade do jornalismo, na evolução pela divulgação da cultura e da História. Não sou um aventureiro tentando fama ou fortuna na Internet, como a maioria de sites ou vlogs por aí. Essa vertente visual é apenas mais um canal para voz que há 15 anos se faz presente em jornais e revistas brasileiros, logo, minha perspectiva é diferente. E por isso levo a sério cada linha que escrevo. Questão de profissionalismo.

Mas esse profissionalismo está sendo muito afetado pelo aspecto físico. Os remédios para as dores na perna me deixam sonolento e as manchinhas me tiram do sério muito mais que comentários infantilóides e agressivos – que não faltam, aliás, por exemplo, acabei de ver um sujeito me chamando de “escroto”, nos comentários do RapaduraCast, vai entender. Tranqüilidade é a maior das forças de um escritor, pois, por mais complexo que seja gravar um podcast, a palavra dita tem mais flexibilidade, a escrita é definitiva (claro, na internet, dá para mudar imediatamente, mas quando se aprende e é treinado no mundo impresso, o senso de responsabilidade aumenta, assim como a necessidade pela boa apuração); logo, com as manchas, a tranqüilidade tem desaparecido e com ela foi o fluxo de escrita.

A viagem ao Canadá ajudou um bocado, mas não o suficiente e o resultado foram duas semanas de desaceleração no começo de setembro. Para quem acredita em inferno astral, a explicação está aí; para quem não acredita, a bola caiu e agora preciso retomar o ritmo de trabalho e encontrar um jeito de ignorar as dores e o incômodo para voltar a produzir em escala. Silenciosamente, ou melhor, secretamente, tenho gravado o SOSCast sobre Hayao Miyasaki, que vai ter um formato especial e, até onde sei, único na podosfera, e vai analisar muito da obra desse japonês genial! E também, como alguns sabem, estou trabalhando efetivamente no meu primeiro romance. Teoricamente seria o quarto, mas como nunca finalizei nenhum dos anteriores, esse vai ser “o livro”. Quero terminar a primeira metade antes do meu aniversário, ou seja, em uma semana. Veremos, veremos. Mostrei para algumas pessoas que gostam, e valorizam, leitura e os resultados foram bons. Agora está nas minhas mãos.

Por conta de tudo isso, e de minhas obrigações com o mundo impresso – que paga as contas da casa – o ritmo do site caiu. Ou fator foi o SOS ter começado a “precisar publicar todo dia”, e isso não me agradou. Visitas são importantes, mas valorizo MUITO MAIS duzentas pessoas que leiam realmente, do que 5000 que passem, olhem a manchete e nunca mais voltem. Já tem gente demais abastecendo esse pessoal. O trabalho das meninas (obrigado Luiza, Grazi e Vicky) foi fantástico e elas mantiveram pelo menos algum movimento por aqui, durante essa ressaca. Esse texto, além de lavar um pouco a alma e aliviar a mente, serve como pontapé inicial da segunda quinzena de setembro que, se tudo der certo, vai ser grandiosa! Começando hoje de noite, com uma exibição de Spaceballs no cinema, que verei no Vista Theatre, e continuando amanhã, quando novamente entrevistarei Denzel Washington! :p

Obrigado pela paciência e pelo apoio!

Um abraço a todos!

Sobre 

Fábio M. Barreto roteirista e diretor de cinema e TV. Baseado em Los Angeles, nos Estados Unidos, atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon.com.br. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e dos cursos "Escreva Sua História" e "C.O.N.T.E. - Curso Online de Técnicas para Escritores".

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8 comentários sobre “Sombras no Horizonte

  1. Caro, Fábio, tenho um irmão que esta também sofrendo de um problema de visão, ele já não enxerga 100 % de uma das vistas devido a um acidente na infância e agora esta perdendo a visão da outra vista, por ironia ele sempre trabalhou em óticas e depende muito da visão para trabalhar.

    É uma situação complicada, felizmente ele já tem sua própria loja e pode se afastar mais da parte do trabalho que exige uma visão mais acurada para montar os óculos ou conserta-los, mas ele sofre e não há cura. Aos poucos ele vem renunciando a pequenos prazeres como ler hqs e evita dirigir a noite.

    Sinto muito pena dele e perguntei como ele faz para não pirar, ele me disse que procura não ficar se martirizando com a situação, a curtir coisas que não lhe exigem a visão e a valorizar o que já conseguiu nessa vida.

    Eu não sou um homem religioso, muito pelo contrario, o que vejo pelo mundo me mostra que não há Deus ou uma vida após esta, mas fico na torcida que voce continue a encontrar forças, assim como meu irmão vem conseguindo, para superar seus problemas de saúde. Acho que o que nos define nessa vida é como reagimos aos problemas, a vida parece fazer questão de nos derrubar , algumas vezes caímos, mas a verdadeira definição do que é ser humano é levantar de novo e continuar a enfrenta-la.

    Sucesso em seus projetos e melhoras são os votos de um fã, agora mais fã ainda ao saber do que você vem enfrentando.

  2. Caro Comandante Wedge,

    há tempos que, infelizmente, devido a falta de tempo, não vinha ler seu blog. Hoje vim ver esse post e recebo essa surpresa desagradável. 🙁

    Bom, não tnho muito lá o que dizer, só que torço muito por você.

    Abraços do amigo,

    Humberto

    And may the Force be with you! Always!

  3. Realmente é muito chato ver que pessoas que admiramos estejam com problemas. Embora nossos desejos de melhoras e de sorte não sejam diretamente efetivos, pode contar que são de coração. Imagino que a maioria dos leitores do SOS o visitam justamente pela sua paixão pelo cinema e por escrever, ao contrário de muita gente que está na internet somente para aparecer, conforme você disse no texto. Por isso eu desejo melhoras e que você não tenha que se sacrificar (alem do usual, né) para continuar seu trabalho e sua paixão.

    Seguindo conselhos daqueles que pregam que vejamos tudo pelo lado positivo, ao menos as salas de cinema são escuras, né! =^D

    Abraços, Barretão.

  4. Cara, sou fã recente do site e há algum tempo estava estranhando a redução no número de entrevistas publicadas e posts feitos pelas garotas do site e não por ti. Fiquei então muito chateado de saber do seu problema de visão ser a verdadeira causa. Só posso lhe recomendar, de coração e não conhecimento médico, que o problema estabilize e que venham a descobrir uma cura, o mais cedo possivel, de preferência, como sempre esperamos.
    Continuarei a ler, pois sou fã do seu trabalho.
    Abraços, Barreto!

  5. Essa é a primeira vez que escrevo, mas acompanho seu trabalho na revista Sci-fi,revista Movie,
    visito o SOS Hollywood com frequência e adoro suas participações no Rapaduracast de onde a propósito você sumiu. Rsrsrs. Sou fã das coisas que escreve e gostei de saber que esta terminando um livro. É ficção cientifica?. Torço por melhoras e que continue com seu ótimo trabalho. abraços Barreto!!!

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