Música eletrônica, videogames, Flynn’s Arcade e construção de marca se misturam no maior empreendimento de marketing em favor de um filme da história recente da Disney.

por Fábio M. Barreto, de Anaheim

Cheguei a Hollywood em janeiro de 2008 e, pelo menos período, posso afirmar que a Walt Disney nunca investiu tanto em um filme quando fez com Tron: O Legado. Deixe os anúncios de TV, internet e outdoors de lado, enquanto Joseph Kosinski e Steven Lisberger batalharam para romper a barreira virtual, a Disney ousou como nunca dentro do seu maior tesouro: seu parque de diversões. Filmes de sucesso ganham atrações fixas, participam das paradas iluminadas, mas nunca se viu um filme inédito remodelar a cara do parque, atrair milhares e ajudar a construir uma marca cada vez mais irresistível, independente da qualidade do longa-metragem em questão. Essa é a essência de eleTRONica, um espaço dedicado à música eletrônica, jogos de videogame, dança e até mesmo a versão mais atual do icônico Flynn’s Arcade, instalado temporariamente no California Adventure, o parque mais “adulto” do complexo da Disneylândia. SOS Hollywood visitou o evento, conta como é e ainda mostra fotos exclusivas! A cobertura em vídeo fica pronta até o fim da semana!

Desde o final de outubro fiquei curioso com um palco instalado na entrada do California Adventure, parque irmão da Disneylândia, em Anahein. O nome “eleTRONica” identificava a área e também avisava: funcionava nas noites de sexta, sábado e domingo. Tinha cara de balada, afinal, com a trilha de Daft Punk, Tron: O Legado renderia uma boa jogada para o público ligado ao estilo. Um pouco ousado para os padrões Disney, mas é o marketing da nova década mostrando a cara. Preparei um retorno noturno ao parque para tirar algumas fotos e compartilhar com o leitor do SOS Hollywood, mas, sinceramente, não esperava por uma das experiências mais malucas da minha vida.

Devo assumir, entrei de vez nessa onda de Tron: O Legado. Não no hype, que é baseado em informações de terceiros e em expectativas exageradas. Tenho vivido essa influência direta desde a Comic-Con, quando cantei a bola de que seria o “filme evento” da convenção e do ano. Durante a cobertura, visitei o Flynn’s Arcade – o fliperama do primeiro filme – e entrevistei o Bruce Boxleitner lá dentro, além de ver o escritório secreto de Flynn. Consegui jogar, ganhei algumas fichas comemorativas e lavei a alma lá dentro. Foi memorável. Carrego aquela lembrança até hoje e ela não vai embora. Especialmente por eu ter passado meses pensando que seria a primeira, e última vez, que vivenciei aquilo. Estava enganado. Ainda bem! Mas calma. Tudo a seu tempo.

eleTRONica começa com uma apresentação de acrobacia, dança e música perto da entrada do parque. A encenação começa com vestimentas e cenário dos anos 80, depois evolui para o mundo digital do Grid e o “primo mais novo do Castor (Michael Sheen) depois da gripe” faz as vezes de mestre de cerimônia para apresentar o conceito de Tron: O Legado e convidar os espectadores para um “mundo eletrônico de festa e diversão”. Quando ele apontou para a esquerda, a ficha caiu. Logo em seguida foi o queixo que despencou.

Na área imediatamente à esquerda da entrada do parque, onde ficam os simuladores de Monstros S/A, Muppets 3D show, a montagem teatral de Alladin, o tour pelo processo de animação e algumas lojas, havia uma linha de contenção. Muita gente já se acumulava ali e as 18h20 o público foi liberado. Luzes, lasers, projeções nas paredes, cores e mais cores tomavam conta da área transformada. Imagens eram projetadas para todos os lados, padrões vetoriais, construções iluminadas, um verdadeiro show visual. A primeira porrada efetiva aconteceu quando vi um Recognizer em (possivelmente) tamanho natural servindo como portal. Dali para a frente era outro mundo, como se o setor anterior fosse um mero túnel de acesso.

Veja o Especial Tron: O Legado! Crítica, entrevistas e fotos na melhor cobertura brasileira sobre o filme!

Muita gente já dançava com batidas eletrônicas inspiradas na trilha do filme. À esquerda, onde normalmente fica o cinema 3D dos Muppets, uma placa luminosa (ok, tudo em Tron é luminoso, logo, vai soar repetitivo) indicava: Sneak Peak Preview em 3D. Os 20 minutos que rodaram o mundo estão em exibição dentro da Disney! À direita, a balada, com uma ilha central controlada por três DJs e os dançarinos do teatrinho inicial fazendo o pagamento valer sem parar por um segundo. Dois palcos secundários permitiam apresentações de acrobacias e simulações de DiscWars, as lutas com os freesbies luminosos (eu avisei!) do filme.

Mais ao fundo, à esquerda, imediatamente ao lado do brinquedo de Monstros S/A – que ainda estava em operação – estava o bar End of Line, um dos cenários do filme. Visualmente fantástico! Entretanto, o melhor estava para o final. Gosto de pensar em coisas que geram reação espontânea e, especialmente, inesperada. Estava com a família e nunca vou me esquecer do sorriso da minha esposa na hora em que reagi à melhor das surpresas: “Eles montaram o Flynn’s Arcade! Aimeusantoyodadaimaculadashmiskywalker!”. Seus olhos brilharam e pude ver felicidade por, finalmente, poder curtir algo bacana e junto comigo. A vida aqui é sempre solitária. Um sai, o outro cuida da Ariel. Dessa vez tudo rolaria em conjunto.

Sem brincadeira, praticamente apostamos corrida para ver quem chegaria mais rápido ao fundo do espaço, onde um gigantesco galpão se transformou no Flynn’s. Quatro torres na entrada permitiam aos visitantes participar de competições do jogo temático para Wii, duas cabines na lateral direita – ao lado de um lounge de poltronas brancas – tinham os jogos em XBOX e PS3. No centro de tudo isso o luminoso brilhava desafiante. Um mundarél de nerds já estava lá dentro.

O espaço era maior que a versão de San Diego e, dessa vez, os jogos eram pagos. US$ 0,25 por ficha. As paredes de tijolos marrons decoradas com neon, música dos anos 80 tomando o ambiente e pelo menos umas 30 máquinas, inclusive uma mesa de Pebolim! Chegar perto de Tron era difícil, afinal, só há uma máquina disponível seguindo o conceito do filme. Space Paranoids tinha mais unidades, então foi mais fácil. Clássicos que, até então eram propriedades do Atari, se mostraram mais legais e desafiantes no fliperama como, por exemplo, Bezerk! Enquanto fugia desesperadamente da “bolinha” do labirinto de robôs, as luzes do lugar piscaram e apagaram. A voz de Alan Bradley (Bruce Boxleitner) tomou o ambiente enquanto ele contava a Sam (Garrett Hedlund) de que havia recebido uma mensagem do fliperama. Daquele fliperama! Tudo perfeito demais. Tudo nerd demais.

A sensação da primeira vez se manteve nessa segunda visita. O simples fato de estava novamente dentro de um fliperama já valia a pena. Há anos não encontro um ambiente decente e limpo para jogar, muito menos levar a família, fora de um shopping. A HotZone do Shopping Morumbi era legal, mas não tinha aquele clima. E as máquinas, nossa. As fichas personalizadas com o nome do Flynn’s Arcade. É aquela perfeição projetada da Disney, mas quem se importa, fez efeito e pronto. Viajei grandão.

Para completar o sonho, Ariel – devidamente acordada pelo barulho da coisa toda – deve ter achado que ainda estava sonhando pelo clima do lugar e pelo fato de eu deixar ela jogar o que quisesse! Assim, ela recebeu suas primeiras fixas de fliperama e foi jogar Bezerk, Donkey Kong Jr e Zaxxon! Chorei de emoção! Foi lindo! A Disney gosta de dizer que “constrói memórias”. Bom, foi a primeira vez que fez isso por mim. Marketing ou não, tudo isso me divertiu, me aproximou da minha família e explodiu minha cabeça! É uma experiência que todo nerd tarja preta deveria ter na vida!

Sábado que vem volto lá, pode apostar! 😀

Veja as fotos (passe o mouse por cima de cada imagem para ler a legenda):

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Fábio M. Barreto

Fábio M. Barreto novelista de ficção, roteirista e diretor de cinema e TV. Atuou como criador de conteúdo multimídia, mentor literário e é escritor premiado e com vários bestsellers na Amazon. Criador do podcast "Gente Que Escreve" e da plataforma EscrevaSuaHistoria.net.
Atualmente, vive em Brasília com a família.

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6 Comments

  1. Quando saíram as primeiras críticas eu fiquei não só apreensiva como também irritada. Eu vi um grupinho se formando pra persuadir as pessoas a não verem o filme. E ontem quando o pessoal que viu o filme nos EUA (numas exibições gratuitas) saiu do cinema e postou no Twitter sobre o quanto eles gostaram, esses caras enlouqueceram, eles de FATO passaram mensagens dizendo ‘NÃO VEJA TRON, O FILME É UM LIXO’ blá blá blá. O Drew McWeeny é um deles, só pra citar.
    Eu fiquei mais tranquila depois de ouvir / ler as reações do público, dos populares, por assim dizer. A maioria quase absoluta disse que o filme é muito bom. Mas de qualquer forma, se TL for um fracasso de bilheteria vai ser o maior mico da história. A nerd que existe em mim e jogava Atari qndo nem sabia ler ainda está torcendo para que, na pior das hipóteses, o filme se pague. #FLYNNLIVES

  2. Caraca!!! Sensacional!!!

    Divirtam-se!

    Abraço!

    Igor

  3. FOI DEMAIS!!!!!!!!!!!
    MESMO!!!!!

  4. Adorei o post, parabéns! Assisti ao filme ontem em 3D e irei assistir novamente no Imax. Acho justo alguem criticar um filme, seja pela historia, atuação dos atores e etc, mas TRON o Legado não se trata apenas dos tempo de exibição do filme. Como bem descrito neste post é muito mais que apenas um filme.

  5. Fabio, Parabéns pelo especial de Tron!

    O filme não me empolgou em termos de roteiro mas, adorei os efeitos e a trilha, acho que já ouvi umas 34567 vezes hahaha! Gostei do Garrett Hedlund, não é espetacular de ator mas acho que o menino é uma boa promessa!

    Da-le … Daft Punk!

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